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A era das canetas para obesidade entra em nova fase: o que muda com mais concorrentes no mercado?

Fonte: estadao.com.br | Data: 02/09/2026 10:47:51

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Quando você fala de emagrecimento hoje em dia, consegue não citar Ozempic, Wegovy e Mounjaro? Afinal, esses remédios injetáveis mudaram completamente a conversa sobre tratamento de obesidade nos últimos anos. Mas, agora, o Brasil está entrando em uma nova fase dessa história: no fim de julho, a Anvisa registrou, de uma só vez, cinco novos medicamentos injetáveis à base de semaglutida sintética.

Nessa hora, a gente pensa: então chegaram cinco novas canetas para emagrecer? Mas, calma, tem uma informação importante aqui: esses registros são para o tratamento do diabetes tipo 2. Apesar da comemoração por conta da melhor acessibilidade desses medicamentos no uso para emagrecimento, não significa que todas essas apresentações estejam aprovadas para tratar obesidade ou para serem usadas simplesmente com a finalidade de perda de peso.

E por que isso é tão importante? Porque a semaglutida não é uma substância qualquer. Trata-se de um medicamento que imita a ação de um hormônio chamado GLP-1, conhecido por participar da regulação da glicose, da saciedade e do esvaziamento do estômago. É justamente por atuar nesses mecanismos que os medicamentos dessa classe ganharam tanto espaço no tratamento do diabetes e também da obesidade.

Agora, imagine o que acontece quando um mercado que tinha poucas opções durante um bom tempo e, de repente, começa a receber novos concorrentes. A tendência é que exista mais competição. Isso pode significar mais opções para pacientes, maior estímulo à produção e, potencialmente, uma pressão pela queda dos preços. O próprio Ministério da Saúde informou que pediu prioridade na análise desses medicamentos com o objetivo de ampliar o acesso, estimular a concorrência e reduzir preços no Brasil.

Cinco novos medicamentos injetáveis à base de semaglutida foram aprovados pela Anvisa recentemente

 

Foto: Gecko Studio/Adobe Stock

Há outro detalhe que acho especialmente interessante: após a transferência de tecnologia, existe uma expectativa de que dois desses novos medicamentos, o Zempneo e o Semavy, sejam produzidos no Brasil. Ou seja, não estamos falando apenas de novas marcas chegando às prateleiras. Existe também um movimento para aumentar a capacidade de produção desses medicamentos dentro do País.

Isso significa que as canetas vão ficar baratas? Não necessariamente. A chegada de concorrentes cria condições para uma disputa maior de mercado, mas o preço final depende de vários fatores: produção, distribuição, impostos, estratégia das empresas, demanda e até decisões regulatórias. Então não dá para prometer que a concorrência automaticamente vai transformar esses medicamentos em produtos acessíveis para todo mundo.

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Mercado paralelo, acompanhamento e outros desafios

Vale citar outro ponto: quanto mais popular fica uma classe de medicamentos, maior também é o número de pessoas procurando alternativas por conta própria. É aí que aparecem produtos vendidos pela internet, medicamentos sem registro e produtos falsificados ou de origem desconhecida.

A Anvisa já vem realizando ações contra produtos irregulares comercializados como se fossem canetas para obesidade. E, aqui, acho que existe uma informação que todo mundo deveria guardar: uma coisa é um medicamento registrado e autorizado pela Anvisa. Outra coisa são produtos manipulados, importados ilegalmente, experimentais ou simplesmente uma caneta que alguém está vendendo pela internet dizendo que “é igual”. Não, não é tudo a mesma coisa.

Pra além do preço e da qualidade do medicamento, agora, com tantas opções no mercado, acho que discussão precisa ficar mais madura e abordar questões como: qual é a indicação daquele medicamento? Para quem ele foi aprovado? Qual é a dose? Quais são os efeitos colaterais? Para isso, o acompanhamento médico continua sendo muito importante. Inclusive pra observar uma questão importante: o paciente está preservando massa muscular durante o emagrecimento? O que acontece depois que o medicamento é suspenso?

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Como já venho frisando em outras colunas, emagrecer é apenas uma parte da história. Esses medicamentos podem ser ferramentas muito importantes no tratamento da obesidade, mas não transformam alimentação, atividade física, sono, comportamento e acompanhamento profissional em coisas desnecessárias. Pelo contrário: quanto mais potente é a ferramenta, mais importante é saber usá-la corretamente.

Estamos vendo um mercado inteiro amadurecer, com mais concorrência, maior possibilidade de acesso, produção nacional e novas discussões sobre preço. Mas, ao mesmo tempo, há uma necessidade cada vez maior de separar ciência de promessa milagrosa.