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IA eleva demanda por energia e refrigeração em data centers

Fonte: telesintese.com.br | Data: 02/09/2026 11:46:25

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Energia elétrica data centers

A expansão dos data centers para IA está aumentando a demanda por equipamentos de energia e refrigeração e levando o setor elétrico a se preparar para cargas de maior porte. No Brasil, os pedidos de acesso ao sistema relacionados a data centers somam 38 GW, conforme dados divulgados pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Liberados de fato, no entanto, são uma fração disso.

Parte desses projetos já aparece nos estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que passou a coletar informações específicas sobre data centers para avaliar os impactos sobre a geração e a transmissão de energia na próxima década.

O movimento acompanha a expansão global da infraestrutura computacional. A McKinsey estima que os investimentos necessários para atender à demanda por data centers poderão alcançar quase US$ 7 trilhões até 2030. A expansão inclui não apenas servidores e aceleradores de IA, mas também sistemas elétricos, refrigeração e outras estruturas necessárias à operação dos centros de processamento.

A procura por transformadores acompanha o crescimento dos projetos. A sul-coreana HD Hyundai Electric encerrou junho com carteira de pedidos de US$ 8,5 bilhões, crescimento de 23% em seis meses. A companhia informou ter encomendas suficientes para ocupar mais de três anos de sua capacidade de produção de grandes equipamentos elétricos.

Na chinesa Hainan Jinpan Smart Technology, os novos pedidos relacionados a data centers mais que quadruplicaram no primeiro semestre em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Refrigeração líquida ganha espaço

A necessidade de retirar o calor produzido pelos equipamentos também está modificando a infraestrutura dos data centers. O Bank of America projeta que sistemas de refrigeração líquida representarão 70% das novas instalações destinadas à inteligência artificial em 2030, ante cerca de 30% atualmente.

Nesse modelo, líquidos são utilizados para retirar calor dos componentes computacionais, em substituição ou complemento aos sistemas baseados em circulação de ar. A McKinsey estima que a tecnologia pode reduzir em mais de 27% o consumo de energia destinado à refrigeração.

Outra frente em desenvolvimento são os transformadores de estado sólido, conhecidos pela sigla SST. Esses equipamentos utilizam semicondutores para transformar e distribuir eletricidade. A tecnologia ainda está em estágio inicial de adoção comercial, mas fabricantes como HD Hyundai Electric e Jinpan desenvolvem equipamentos desse tipo. A taiwanesa Delta Electronics informou que seus SSTs já estão sendo utilizados por data centers de pequeno porte.

A Delta também está ampliando sua estrutura produtiva na Tailândia, nos Estados Unidos e na China para atender à demanda por equipamentos de energia, refrigeração e infraestrutura de data centers.

Data centers e a rede brasileira

No Brasil, a dimensão das cargas apresentadas ao setor elétrico levou a EPE a incorporar os data centers aos estudos sobre expansão da rede. Dentro do conjunto de projetos apresentados, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, informou em junho que empreendimentos correspondentes a 7,1 GW representariam investimentos de R$ 159 bilhões.

A EPE ressalta que a concretização das cargas previstas depende de condicionantes associados aos próprios empreendimentos. Os pedidos de acesso, portanto, representam demanda apresentada ao sistema e não capacidade de data centers já instalada.

Em junho, a empresa apresentou uma solução de transmissão para permitir o atendimento de até 4 GW de novas cargas eletrointensivas no Ceará e no Piauí a partir de 2032. Data centers estão entre os empreendimentos considerados nos estudos. A EPE também desenvolve avaliações para atendimento de novas cargas em São Paulo e no Rio Grande do Norte.

A expansão dos data centers também foi incorporada à primeira revisão quadrimestral da previsão de carga do Sistema Interligado Nacional para o período de 2026 a 2030. Elaborada pela EPE, pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a projeção estima que a carga alcance 98.824 MW médios em 2030, com crescimento médio anual de 4%.

O planejamento da transmissão também considera esse movimento. No Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica de 2026, o MME incluiu entre os objetivos da expansão da interligação entre Nordeste e Sudeste preparar o sistema para o crescimento de cargas eletrointensivas, entre elas os data centers.