Catan propõe revisão de incentivos fiscais, aposta na mineração e defende aviação regional em MS
Fonte: rcn67.com.br | Data: 02/09/2026 11:39:14
O deputado estadual João Henrique Catan, candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul pelo Novo, defendeu uma ampla revisão dos incentivos fiscais concedidos pelo Estado, a redução do tamanho da máquina pública e novos investimentos em infraestrutura, mineração e aviação regional.
Em entrevista ao RCN Notícias da Cultura FM e TVC- HD, Catan também criticou a gestão do governador Eduardo Riedel (PP), afirmou que permanece na oposição desde o início do mandato e apresentou propostas para áreas como saúde, educação, habitação, economia e turismo.
O candidato disse que deixou o PL sem ter apoiado a reeleição de Riedel. Segundo ele, enquanto parte dos deputados eleitos pelo partido passou a integrar a base do governo, optou por permanecer na oposição.
Ao falar sobre as mudanças que pretende promover, Catan afirmou que o Estado precisa reavaliar políticas nas áreas de saúde, educação, infraestrutura e habitação. Ele citou como comparação o governo de André Puccinelli e afirmou que, naquele período, foram entregues 74 mil unidades habitacionais.
Renúncia fiscal e impostos
Um dos principais pontos da entrevista foi a política de incentivos fiscais. Catan questionou o volume da renúncia fiscal estadual, estimada por ele em R$ 11 bilhões, diante de um orçamento de aproximadamente R$ 27 bilhões.
O candidato defendeu mais transparência sobre as empresas beneficiadas, as contrapartidas exigidas e o cumprimento das obrigações. Segundo ele, não pretende acabar com os incentivos, mas remodelar o sistema.
Catan afirmou ainda ter recorrido à Justiça para obter informações sobre os valores concedidos por meio da renúncia fiscal e criticou o modelo atual de distribuição dos benefícios.
A proposta é direcionar parte dos incentivos para a base das cadeias produtivas, especialmente pequenos produtores. Ele citou o fortalecimento da pecuária de pequeno porte e a criação de cinturões verdes para ampliar a produção de frutas, legumes e verduras em regiões como Três Lagoas e Campo Grande.
Na área tributária, o candidato também prometeu rever cobranças do Fundersul, incluindo a incidência sobre o gado de até 12 meses. Catan criticou ainda o aumento de tributos sobre combustíveis, energia elétrica e cadeias produtivas como eucalipto e cana.
Máquina pública e economia
Catan defendeu a redução de cargos e a modernização da administração estadual para diminuir despesas. Segundo ele, a folha de pagamento do Estado está elevada e exige uma revisão da estrutura pública.
O candidato também questionou indicadores econômicos positivos divulgados pelo governo estadual e associou parte da geração de empregos ao modelo de renúncia fiscal. Para ele, o Estado precisa fortalecer empresários e produtores locais para garantir desenvolvimento econômico duradouro.
Durante a entrevista, voltou a criticar o programa Regularize Já, afirmando que a iniciativa teria provocado cobranças retroativas a comerciantes com base em movimentações via Pix.
Mineração e infraestrutura
Para diversificar a economia de Mato Grosso do Sul, Catan defendeu investimentos na mineração. Segundo ele, embora a expansão dos setores de celulose, papel e bioenergia seja importante, o Estado precisa explorar melhor seu potencial mineral e energético.
Como propostas, citou a criação de uma agência estadual de mineração, uma usina de concreto e asfalto e uma empresa pública de maquinário. A intenção seria pesquisar riquezas naturais nas nove regiões previstas em seu plano de governo e ampliar a pavimentação com recursos do Fundersul.
Catan também mencionou o potencial de exploração de gás natural na região de Camapuã.
Saúde e Cassems
Na saúde, o candidato defendeu mudanças no modelo de gestão da Cassems. Ele criticou o descredenciamento de médicos, restrições para realização de exames, cortes de custos e dificuldades relacionadas à oferta de terapia ABA.
Também questionou a cobrança de R$ 450 para inclusão de cônjuges no plano e afirmou que pretende rever o funcionamento da instituição.
Para a rede hospitalar, Catan defendeu a criação de uma tabela unificada do SUS e criticou diferenças nos repasses destinados à Santa Casa de Campo Grande e ao Hospital Regional Rosa Pedrossian.
Segundo ele, a Santa Casa atende 55% da demanda de alta complexidade do Estado, possui 750 leitos e recebe valores inferiores aos destinados ao Hospital Regional. As declarações foram feitas pelo candidato durante a entrevista, sem manifestação dos órgãos e instituições citados na transcrição.
Aviação regional e turismo
No turismo, Catan voltou a defender a ampliação da aviação regional como forma de integrar cidades e destinos turísticos de Mato Grosso do Sul.
A proposta prevê redução progressiva do ICMS sobre o querosene de aviação para empresas que criem rotas ligando Campo Grande a municípios como Três Lagoas, Corumbá, Bonito, Bodoquena e Dourados.
Segundo o candidato, a redução poderia começar em 20% e chegar à isenção, conforme a ampliação das rotas. Para ele, o alto custo do combustível é um dos principais entraves para a expansão da aviação regional.
Catan afirmou que aeroportos estruturados no Estado precisam ser mais utilizados pela população e pelo setor turístico, com a criação de conexões entre a Capital e cidades do interior.
Disputa política e apoio presidencial
Catan também comentou a disputa eleitoral em Mato Grosso do Sul. Ele se declarou bolsonarista e criticou a aproximação do PL com o grupo político do governador Eduardo Riedel.
Segundo o candidato, sua candidatura representa o campo da direita e do bolsonarismo no Estado. Sobre a eleição presidencial, afirmou que, por lealdade ao partido que lhe ofereceu a oportunidade de disputar o governo, apoiará no primeiro turno o candidato apresentado pelo Novo.
Nas considerações finais, Catan afirmou que sua campanha também defenderá a valorização dos servidores públicos, a equiparação salarial de professores e a revisão da incidência de 14% na previdência.
O candidato pediu que os eleitores acompanhem suas propostas e afirmou que pretende construir um projeto de Mato Grosso do Sul com maior liberdade econômica, redução de impostos e mudanças na gestão pública.