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Caso Master: como a PF rastreou e recuperou prints enviados por visualização única

Fonte: inmagazine.ig.com.br | Data: 02/09/2026 13:45:07

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Peritos da PF no caso Master usaram programas internacionais para romper a criptografia de celular e achar arquivos ocultos gerados de forma automática

A Polícia Federal (PF) recuperou as mensagens do celular apreendido do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master, enviadas para o ministro Alexandre de Moraes. A PF explorou os caminhos criados pelo próprio sistema do celular. O relatório da Operação Compliance Zero revela que os peritos quebram o bloqueio de aparelhos desligados com os sistemas israelense Cellebrite e o americano GrayKey. A tecnologia copia integralmente a memória para reconstituir arquivos que o usuário acreditava ter destruído.

A investigação aponta que Vorcaro adotava um modelo de dupla blindagem. Ele digitava os textos no aplicativo de Notas do celular, em seguida, fazia uma captura de tela e enviava a imagem na função de visualização única, configurada para sumir após 24 horas. Porém,  cada captura realizada gerava arquivos temporários automáticos em formato PDF dentro do diretório do iPhone.

O rastro da foto temporária

Como Vorcaro escrevia seus pedidos de blindagem no aplicativo de Notas e tirava um print da tela para enviar, ele criava uma foto fixa na galeria interna. Mesmo que o empresário deletasse a imagem na sequência, o software de extração recupera os fragmentos físicos ocultos nos setores de armazenamento antes que eles sejam completamente apagados pelo sistema.


Como funciona perícia em celulares apreendidos pela PF?; assista #CNNPrimeTime pic.twitter.com/dfxtWzUGgE

— CNN Brasil (@CNNBrasil) March 7, 2026

PF usou tecnologia de Israel e EUA para recuperar mensagens apagadas no caso Master  (Vídeo: reprodução/X/@CNNBrasil)


Além disso, os investigadores isolam a autoria cruzando a linha do tempo dos registros internos do celular. A perícia mapeia o segundo exato em que o print foi gerado e o instante em que o pacote de dados foi transmitido para a conta salva como “Alexandre de Moraes, Brasília”. Para organizar esse volume de mídias e transcrever os textos das fotos automaticamente, a PF aciona o IPED, um programa próprio que organiza o banco de dados e transcreve os textos das imagens.

Tecnologias de Israel e dos EUA quebram criptografia

A Polícia Federal (PF) quebra as barreiras de segurança e criptografia dos celulares utilizando softwares de ponta restritos de Israel e dos Estados Unidos. As ferramentas copiam o disco físico de armazenamento e rompem senhas complexas em aparelhos Android ou iOS, mesmo se os aparelhos estiverem desligados no momento da apreensão.
A primeira é a plataforma israelense Cellebrite, que realiza uma cópia “bit por bit” de toda a memória interna do smartphone. O sistema burla as defesas do sistema operacional para alcançar e restaurar os fragmentos das mídias apagadas de aplicativos de mensagens.

Complementando a operação, a polícia utiliza o software americano GrayKey, desenvolvido para decifrar as chaves de segurança da Apple. O sistema localiza vulnerabilidades no hardware para desbloquear o acesso e baixar o sistema de arquivos completo, recuperando imagens deletadas da galeria. Após a extração dos dados por essas ferramentas estrangeiras, a perícia aciona o IPED, um programa nacional que organiza os gigabytes recuperados e transcreve os textos das fotos, anexando-os em um relatório.