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Data centers no Nordeste somam 30 interesses e desafiam transmissão

Fonte: economicnewsbrasil.com.br | Data: 02/09/2026 14:02:50

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Nordeste reúne interesse em 30 projetos de data centers, enquanto expansão das cargas exige planejamento da infraestrutura elétrica.

O interesse por data centers no Nordeste soma 30 projetos e um montante de 8,3 GW até 2038, segundo dados do PDE 2035 apresentados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). A demanda potencial abre uma questão econômica para a expansão desse mercado: a estatal afirma que a conexão de grandes cargas na região exige reforços e ampliações na rede de transmissão.

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A relação entre infraestrutura digital e energética estará no centro do debate “O Nordeste como hub digital do futuro”, promovido por O Globo e Valor Econômico. O encontro pretende discutir como a transição tecnológica se conecta à transição energética, além do papel das políticas públicas no desenvolvimento regional.

O desafio não está restrito aos data centers. Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte aparecem nos estudos da EPE entre áreas com grandes potenciais de cargas eletrointensivas, que também incluem plantas de produção de hidrogênio por eletrólise. A estatal ressalta que muitos desses projetos ainda apresentam elevado grau de incerteza, condição considerada no planejamento da infraestrutura elétrica.

Data centers no Nordeste já têm investimento em expansão

Parte desse interesse já se traduz em investimentos concretos. Em Fortaleza, o Mega Lobster está em operação desde outubro de 2025 com 3 MW de capacidade de TI instalada. O BNDES aprovou, em janeiro de 2026, financiamento de aproximadamente R$ 233,46 milhões à Tec.to Data Centers para ampliar essa capacidade para 20 MW até 2029. O crédito representa cerca de 40% do investimento estimado no projeto.

A etapa seguinte, conectar grandes empreendimentos ao sistema elétrico, já aparece em outros projetos no Ceará. Em 2025, o Ministério de Minas e Energia informou que o Operador Nacional do Sistema Elétrico emitiu pareceres favoráveis para a conexão de dois data centers à Rede Básica no Complexo do Pecém, com previsão a partir de janeiro de 2027. Um deles depende da futura Subestação Pecém III, cuja construção está condicionada à execução de obras previstas no Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica.

Esse caso evidencia uma diferença relevante para novos investimentos. A disponibilidade de geração, por si só, não assegura a conexão de consumidores de grande porte, que também depende das condições da rede elétrica e da infraestrutura necessária para atender a carga.

Ceará e Piauí têm expansão elétrica em estudo

Para preparar o sistema para cargas de maior porte, a EPE divulgou em junho um estudo que recomenda soluções para possibilitar até 4 GW adicionais de capacidade nas regiões de Pecém, no Ceará, e Parnaíba, no Piauí, a partir de 2032. A capacidade abrange cargas eletrointensivas em geral, incluindo data centers e plantas de hidrogênio.

A solução prevê uma nova subestação e 1.848 quilômetros de linhas de transmissão de 500 kV entre Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí. As novas instalações da Rede Básica demandariam aproximadamente R$ 5,68 bilhões, valor destinado ao atendimento das cargas eletrointensivas contempladas pelo estudo, e não exclusivamente aos data centers.

A forma como esse investimento seria executado também revela o risco econômico envolvido. A EPE recomenda R$ 1,09 bilhão para o ano inicial de análise, em 2032, enquanto outros R$ 4,59 bilhões ficam condicionados à concretização das cargas ao longo do tempo.

Essa diferença entre prospecção, investimento contratado e conexão efetiva será decisiva para o ritmo de expansão dos data centers no Nordeste. Ao condicionar R$ 4,59 bilhões à evolução das cargas, o planejamento evita comprometer antecipadamente recursos com uma demanda ainda incerta.

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