BOLETIM VOZ TRABALHADORA – QUARTA-FEIRA, 2 DE SETEMBRO DE 2026
Fonte: voztrabalhadora.substack.com | Data: 02/09/2026 14:42:01
Trabalhadores pressionam em Brasília enquanto senadores tentam alterar a PEC que reduz a jornada para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso e mantém os salários.
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🚨💰 DIA 112 — NOVO REPASSE DE VORCARO AMPLIA PRESSÃO SOBRE FLÁVIO BOLSONARO
Produtora confirma transferência de US$ 1,6 milhão em setembro de 2025. Total atribuído ao banqueiro chega a cerca de US$ 12,3 milhões.
⏱️ FIM DA ESCALA 6×1 ENFRENTA BATALHA NO SENADO
Trabalhadores mantêm vigília em Brasília enquanto parlamentares tentam alterar a PEC das 40 horas e dos dois dias de descanso.
⚖️ MENDONÇA ADMITE ENCONTRO COM VORCARO
Ministro confirma reunião com o banqueiro em março de 2025; PGR questiona investigação envolvendo Alexandre de Moraes e caso amplia crise no STF.
🌾 CONFLITOS NO CAMPO CRESCEM NO BRASIL
Assassinatos caem de 27 para 6, mas conflitos aumentam de 798 para 841; disputa por terra, água e minerais pressiona territórios tradicionais.
⛏️ TERRAS RARAS COLOCAM SOBERANIA BRASILEIRA EM DISPUTA
Senado debate política para minerais críticos enquanto aquisição da Serra Verde por empresa estadunidense reacende discussão sobre industrialização nacional.
🔬 BRASIL INVESTE R$ 210 MILHÕES EM TECNOLOGIA DE VACINAS DE RNA
Primeira vacina brasileira da plataforma chega aos testes clínicos com 90 voluntários e abre nova frente pela soberania sanitária.
🇮🇷 ATAQUE ESTADUNIDENSE ATINGE CASAMENTO NO IRÃ
Quatro pessoas morrem e dezenas ficam feridas; Teerã acusa crime de guerra, responde militarmente e tensão volta a crescer em Ormuz.
🇵🇸 GAZA CHEGA A 73.470 PALESTINOS MORTOS
Mais de 174 mil pessoas foram feridas desde outubro de 2023, enquanto palestinos continuam morrendo mesmo após o cessar-fogo.
🇻🇪 EUA E VENEZUELA NEGOCIAM FUTURO DE 17 CAMPOS DE PETRÓLEO
Secretário de Energia estadunidense chega a Caracas enquanto versões divergentes sobre duração e controle do acordo alimentam disputa pela soberania petrolífera.
🇦🇷 CRISE PRODUTIVA AMPLIA PRESSÃO SOBRE MILEI
Indústria volta a mostrar fragilidade, empresários criticam política econômica e trabalhadores da Fábrica Militar de Villa María se mobilizam contra ameaça de privatização.
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Já são 112 dias desde que vieram a público os áudios em que Flávio Bolsonaro cobrava recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, para financiar Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.
Nesta quarta-feira, um novo elemento ampliou as dúvidas sobre a cronologia dos pagamentos.
A produtora Go Up, responsável pelo projeto, confirmou que Vorcaro realizou um repasse adicional de US$ 1,6 milhão em setembro de 2025, equivalente a aproximadamente R$ 8,5 milhões na cotação utilizada nas informações divulgadas sobre o caso.
O problema é que o pagamento ocorreu meses depois do período que havia sido apresentado publicamente por Flávio como encerramento dos repasses de Vorcaro ao projeto.
Com a nova movimentação identificada em relatório do Coaf, o total atribuído ao banqueiro chega a aproximadamente US$ 12,3 milhões, algo próximo de R$ 64 milhões.
A Go Up afirma que os valores foram integralmente utilizados na produção do filme, circularam pelo sistema financeiro formal e foram informados à Justiça em prestação de contas apresentada em junho de 2026.
A produtora também confirmou uma tentativa de nova transferência em outubro de 2025, mas sustenta que essa operação não chegou a ser concluída.
Questionado sobre o novo repasse, Flávio afirmou que não tratava diretamente da parte financeira e direcionou as perguntas à produtora.
A resposta, entretanto, não elimina a contradição central.
Flávio não era uma figura externa ao processo. Os próprios áudios divulgados em maio mostram o senador participando diretamente das cobranças por dinheiro a Vorcaro.
Até Tarcísio de Freitas, que anteriormente havia afirmado que Flávio já tinha prestado os esclarecimentos necessários, mudou de posição diante das novas informações e declarou que fatos novos exigem novas explicações do candidato.
A pergunta que abre o DIA 112 é simples:
se a produtora afirma que os pagamentos estavam documentados e já haviam sido comunicados à Justiça, por que a cronologia apresentada publicamente por Flávio não incluía o repasse de setembro?
E outra continua sem resposta:
qual foi exatamente a origem, o destino e a contrapartida de dezenas de milhões de reais transferidos por Daniel Vorcaro para um projeto político e audiovisual diretamente ligado à família Bolsonaro?
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A batalha pelo fim da escala 6×1 chegou nesta quarta-feira, 2 de setembro, à Comissão de Constituição e Justiça do Senado com trabalhadores mobilizados em Brasília e uma disputa aberta sobre o conteúdo da proposta.
A PEC 221/2019 reduz de 44 para 40 horas a jornada máxima semanal, garante dois dias de repouso semanal remunerado e determina que a mudança ocorra sem redução dos salários.
O relator, Omar Aziz, do PSD do Amazonas, apresentou parecer favorável ao texto aprovado pela Câmara e rejeitou mudanças que atingiam elementos centrais da proposta.
Entre os senadores que apresentaram emendas estão Izalci Lucas, do PL do Distrito Federal; Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte; Oriovisto Guimarães, do PSDB do Paraná; Vanderlan Cardoso, do PSD de Goiás; Laércio Oliveira, do PP de Sergipe; Hamilton Mourão, do Republicanos do Rio Grande do Sul; Mara Gabrilli, do PSD de São Paulo; Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe; e Hermes Klann, do PL de Santa Catarina.
Nem todas as emendas têm o mesmo conteúdo e não podem ser tratadas automaticamente como votos contra o fim da 6×1.
Mas parte delas busca preservar jornadas mais longas, ampliar a transição, transferir a definição da jornada para negociação coletiva ou criar mecanismos capazes de esvaziar a garantia constitucional das 40 horas.
A ofensiva mais numerosa veio de parlamentares do PL.
Izalci Lucas, do PL-DF, apresentou várias emendas. Entre elas, uma proposta que preservaria na Constituição o atual limite de 44 horas semanais, permitindo jornadas menores mediante negociação coletiva ou outras formas de contratação. Na prática, retiraria da Constituição a garantia geral das 40 horas.
O líder da oposição, Rogério Marinho, do PL-RN, também apresentou alterações e tem defendido maior flexibilização das relações de trabalho. Marinho sustenta ainda que a votação deveria ser deixada para depois das eleições.
Oriovisto Guimarães, do PSDB-PR, apresentou seis emendas e também defendeu publicamente o adiamento da votação. Seu argumento é que a redução da jornada com manutenção dos salários pode elevar custos das empresas, reduzir produção e pressionar preços.
Também apresentaram emendas Vanderlan Cardoso, do PSD-GO, e Laércio Oliveira, do PP-SE, atingindo aspectos da jornada, da transição e da aplicação prática da proposta.
A discussão mostra que a disputa no Senado não é apenas entre “aprovar” ou “rejeitar” a PEC.
Também existe uma batalha pelo conteúdo da redução da jornada.
Uma proposta pode manter formalmente o discurso de redução das horas e, ao mesmo tempo, introduzir exceções, transições longas ou mecanismos de negociação que permitam às empresas continuar utilizando escalas próximas ao atual 6×1.
Do lado de fora dos gabinetes, sindicatos, centrais e movimentos mantêm pressão direta sobre os senadores.
CUT, CTB e outras organizações sindicais iniciaram uma vigília em Brasília com atividades previstas até 3 de setembro.
Dirigentes sindicais se reuniram com o relator Omar Aziz e lideranças partidárias. A CTB criou ainda uma ferramenta para que trabalhadores enviem mensagens diretamente aos senadores cobrando aprovação da proposta.
A mobilização dá continuidade aos atos realizados em 30 de agosto em diferentes cidades do país.
Para as centrais, a prioridade é aprovar o texto sem alterações substanciais.
Isso tem uma razão institucional concreta: caso o Senado modifique o mérito da PEC, a proposta precisa retornar à Câmara dos Deputados.
Se o Senado mantiver integralmente o texto já aprovado pelos deputados, a emenda pode ser promulgada pelo Congresso depois da votação em dois turnos no Senado.
Por isso, cada emenda pode alterar não apenas o conteúdo, mas também o calendário político da proposta.
Os dados apresentados no debate ajudam a dimensionar o caráter de classe da jornada longa.
Informações da RAIS utilizadas nos estudos incorporados ao relatório indicam que 80% dos vínculos formais com jornadas superiores a 40 horas semanais recebem até dois salários mínimos.
Quando o corte sobe para três salários mínimos, o percentual alcança aproximadamente 90%.
Ou seja: as jornadas mais extensas recaem principalmente sobre os trabalhadores de menor renda.
Uma redução de quatro horas por semana representa até 208 horas a menos de trabalho por ano.
São cerca de 26 jornadas de oito horas.
Na prática, quase um mês de trabalho por ano devolvido ao trabalhador, sem redução salarial.
O que parece uma pequena alteração semanal ganha outra dimensão quando calculado ao longo de uma vida de trabalho.
A reação empresarial também chegou aos locais de trabalho.
O Ministério Público do Trabalho abriu uma Notícia de Fato depois que o empresário Luciano Hang, proprietário da Havan, reuniu funcionários de uma unidade em Caldas Novas, Goiás, e discursou contra o fim da escala 6×1.
A abertura do procedimento é preliminar e não significa que assédio eleitoral tenha sido comprovado.
Mas o episódio ocorre em um contexto mais amplo.
O MPT recebeu 223 denúncias de assédio eleitoral em 2026. Somente em agosto foram 95 denúncias, o equivalente a 42,6% de todos os registros do ano.
Isso mostra como a disputa eleitoral e legislativa pode penetrar diretamente nas relações entre patrões e empregados.
Quando a Constituição de 1988 reduziu a jornada máxima semanal de 48 para 44 horas, também houve previsões de aumento de custos, queda de produtividade e destruição de empregos.
Quase quatro décadas depois, o país volta a discutir uma redução constitucional da jornada.
Para avançar no Senado, a PEC precisa superar a CCJ e depois ser aprovada em dois turnos no Plenário, com pelo menos 49 votos entre os 81 senadores em cada votação.
O que está sendo decidido ultrapassa a organização das escalas.
É uma disputa sobre o tempo.
Para quem trabalha seis dias e descansa apenas um, reduzir a jornada significa mais tempo para cuidar dos filhos, estudar, descansar, participar da vida comunitária, produzir cultura, conviver com a família ou simplesmente recuperar o corpo para a semana seguinte.
Para o capital, essas mesmas horas são tempo de produção e geração de lucro.
É por isso que a jornada de trabalho esteve no centro das grandes lutas operárias desde o século XIX.
A questão permanece essencialmente a mesma:
quem deve se apropriar dos ganhos de produtividade produzidos pela sociedade — apenas os proprietários do capital ou também os trabalhadores, na forma de salário, direitos e tempo livre?
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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, confirmou nesta quarta-feira que recebeu Daniel Vorcaro em março de 2025, quando o empresário ainda controlava o Banco Master.
Segundo Mendonça, o encontro ocorreu por iniciativa do banqueiro e teve como assunto a STP 976, processo relacionado a precatórios de interesse do Master.
O ministro afirma que se limitou a ouvir os argumentos apresentados e que posteriormente tomou decisão contrária ao interesse defendido pelo banco.
A reunião passou a ter relevância adicional porque Mendonça se tornou posteriormente relator de processos relacionados ao Banco Master no STF.
Reportagens publicadas nesta semana informam que o encontro ocorreu fora da agenda oficial do Supremo, no Instituto Iter, instituição fundada por Mendonça, em São Paulo.
A informação sobre a existência do encontro foi confirmada pelo próprio ministro. Já detalhes como local, duração aproximada e intermediação vêm de registros e apurações jornalísticas e precisam ser distinguidos da versão oficialmente apresentada por Mendonça.
O episódio abre uma questão institucional que vai além da conduta individual do ministro.
Vorcaro manteve contatos com personagens centrais do sistema político e jurídico justamente enquanto seu banco ampliava negócios e buscava decisões de interesse econômico.
Agora, partes dessas relações precisam ser examinadas pelas próprias instituições com as quais o banqueiro se relacionou.
Em outra frente do caso, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a nulidade da investigação determinada por André Mendonça para aprofundar a análise de conversas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
A PGR argumenta que um ministro do Supremo não poderia, individualmente, ordenar investigação envolvendo outro integrante da Corte.
Segundo Gonet, uma medida desse tipo deveria passar pelo presidente do STF e pelo plenário.
É importante separar as coisas:
a PGR pediu a anulação da investigação; o STF ainda precisa decidir sobre o pedido.
Não existe, portanto, até aqui, uma decisão definitiva anulando as diligências.
O presidente da Corte, Edson Fachin, reconheceu publicamente a gravidade da situação e afirmou que medidas serão anunciadas depois da análise dos fatos.
A sucessão de episódios expõe uma dificuldade estrutural.
Quando um empresário investigado mantém relações com ministros, procuradores, parlamentares e outros integrantes do poder, surge uma pergunta inevitável:
quem investiga essas relações e quais mecanismos garantem que a investigação não fique limitada pelos próprios vínculos institucionais do investigado?
O caso Master deixou de ser apenas uma investigação financeira.
Tornou-se também uma crise de confiança sobre a capacidade das instituições de investigar relações construídas dentro do próprio sistema de poder.
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O número de assassinatos em conflitos no campo caiu fortemente no primeiro semestre de 2026, mas a violência territorial e a disputa por terra, água e recursos naturais aumentaram.
Dados da Comissão Pastoral da Terra mostram que os assassinatos passaram de 27 no primeiro semestre de 2025 para 6 no mesmo período deste ano.
A redução é expressiva.
Mas o total de conflitos aumentou de 798 para 841 casos.
Foram registrados 711 conflitos por terra, 100 conflitos por água e 30 ocorrências relacionadas ao trabalho escravo rural.
Quando se observa a violência fundiária, a tendência é ainda mais clara.
As ocorrências passaram de 584 para 663.
As invasões de territórios aumentaram de 96 para 109.
Os episódios de desmatamento ilegal passaram de 67 para 107.
Casos de contaminação por agrotóxicos cresceram de 98 para 169.
E os conflitos por água mais que dobraram, passando de 47 para 100.
O Maranhão lidera o número total de conflitos, com 156 registros.
Nos conflitos especificamente relacionados à terra, o estado também aparece na frente, com 153 ocorrências, seguido por Bahia, com 76; Pará, com 68; e Rondônia, com 54.
No Amazonas, o número de conflitos saltou de 37 para 52, crescimento de aproximadamente 40%.
Povos indígenas, quilombolas, posseiros, trabalhadores sem-terra, comunidades tradicionais e agricultores familiares estão entre os grupos mais pressionados.
A CPT chama atenção para um elemento que ganha importância na atual conjuntura: a corrida por minerais críticos e terras raras.
Áreas ocupadas há gerações por comunidades camponesas e povos tradicionais passaram a despertar interesse crescente de mineradoras, fundos de investimento e empresas estrangeiras.
Essa expansão ocorre ao mesmo tempo em que o Brasil discute uma política nacional para minerais estratégicos e grandes grupos internacionais disputam ativos como a Serra Verde, em Goiás.
A disputa, portanto, não é apenas ambiental.
É também uma disputa sobre propriedade, território e destino econômico das riquezas do subsolo.
Quem vive sobre essas terras frequentemente descobre o valor estratégico do território quando o capital chega interessado em explorar o que existe abaixo dele.
A redução dos assassinatos precisa ser reconhecida como um dado positivo.
Mas ela não pode esconder o aumento da pressão sobre os territórios.
O crescimento simultâneo dos conflitos fundiários, da contaminação por agrotóxicos, do desmatamento e das disputas pela água demonstra que a violência no campo pode assumir formas que não aparecem apenas nas estatísticas de homicídios.
Despejos, ameaças, invasões, destruição ambiental, contaminação e perda de acesso à água também são instrumentos de expulsão.
E por trás dessas disputas existe uma questão histórica brasileira:
quem controla a terra e para que ela é utilizada?
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A Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência — ANAPcD acionou o Supremo Tribunal Federal para que a Corte reconheça uma omissão do Congresso na regulamentação da participação de pessoas com deficiência no serviço público.
A ação é a ADO 97, relatada pelo ministro Flávio Dino.
A Constituição determina que a lei reserve percentual de cargos e empregos públicos para pessoas com deficiência.
No âmbito federal, a Lei 8.112 permite reservar até 20% das vagas oferecidas em concursos, enquanto o Decreto 9.508 estabelece um mínimo de 5%.
A ANAPcD argumenta que essas regras tratam do ingresso em concursos, mas não garantem representação efetiva no quadro permanente dos órgãos.
A diferença é importante.
Reservar 5% das vagas de um concurso não significa necessariamente que 5% dos servidores de determinado órgão sejam pessoas com deficiência.
Se o órgão possuir um déficit histórico muito grande, sucessivos concursos podem continuar sem corrigir essa sub-representação.
A entidade pede que o STF reconheça a omissão legislativa e conceda prazo de 18 meses para o Congresso aprovar uma regulamentação nacional.
O objetivo é estabelecer mecanismos capazes de identificar o déficit de cada órgão, acompanhar o preenchimento dos cargos e assegurar presença efetiva de trabalhadores com deficiência na administração pública.
A discussão envolve mais do que acesso a concursos.
Trata do direito das pessoas com deficiência de estarem presentes também na própria estrutura do Estado, ocupando cargos, construindo políticas públicas e participando das decisões que afetam suas vidas.
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A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira uma operação nacional contra redes de armazenamento, compartilhamento, comercialização e produção de material de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes.
A Operação Proteção Integral V mobilizou ações nas 27 unidades da Federação.
Foram cumpridos 153 mandados de busca e apreensão e 13 mandados de prisão preventiva.
Durante as diligências, ocorreram ainda 31 prisões em flagrante.
Três adolescentes foram apreendidos e duas vítimas de abuso foram identificadas e resgatadas.
A operação mobilizou 755 policiais, sendo 480 policiais federais e 275 policiais civis.
As ações tiveram participação das polícias civis de 20 estados e ocorreram simultaneamente em todas as regiões do país.
A investigação procura atingir diferentes pontos das redes envolvidas nesse tipo de crime: produção de conteúdo, armazenamento, distribuição e comercialização.
É importante manter a distinção jurídica: o cumprimento de mandado de busca não significa que todas as pessoas investigadas tenham praticado os mesmos crimes ou já tenham sido consideradas culpadas.
As responsabilidades individuais ainda dependem da análise do material apreendido e do andamento das investigações.
A dimensão nacional da operação, entretanto, mostra a extensão de um problema que atravessa fronteiras estaduais e utiliza principalmente redes digitais para circulação e troca de material criminoso.
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A disputa mundial por terras raras, lítio, níquel, grafite e outros minerais considerados estratégicos chegou definitivamente ao centro da política econômica brasileira.
O Senado analisa o PL 2.780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e estabelece instrumentos para tentar transformar a existência dessas reservas em capacidade industrial, tecnológica e produtiva dentro do Brasil.
A proposta também cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, ligado à Presidência da República.
A discussão acontece justamente quando cresce o interesse de empresas estrangeiras pelas reservas brasileiras.
Um dos movimentos mais importantes ocorreu em Goiás.
A estadunidense USA Rare Earth anunciou a aquisição da Serra Verde, operação de terras raras localizada em Minaçu, por aproximadamente US$ 2,8 bilhões.
A Serra Verde é particularmente estratégica porque produz terras raras pesadas utilizadas em ímãs permanentes de alto desempenho, fundamentais para veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, sistemas industriais e tecnologias militares.
O negócio colocou uma pergunta concreta diante do país:
o Brasil possuirá apenas a jazida ou também controlará as cadeias industriais construídas a partir dela?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender que os minerais estratégicos não sejam simplesmente retirados do território e exportados.
A posição do governo é utilizar as reservas como instrumento para atrair investimentos, desenvolver tecnologia, ampliar a capacidade de processamento no país e criar cadeias industriais brasileiras.
A política em discussão no Senado incorpora instrumentos relacionados à pesquisa, mineração, beneficiamento, transformação, rastreabilidade, certificação e inovação.
Também está prevista a criação de uma estrutura nacional para coordenar a política de industrialização desses recursos.
A discussão ocorre em um momento de crescente competição entre China e Estados Unidos pelo controle das cadeias mundiais de minerais críticos.
A China domina grande parte da capacidade global de processamento de terras raras. Os Estados Unidos, por sua vez, tentam reconstruir cadeias próprias e reduzir a dependência chinesa.
É nesse cenário que empresas estadunidenses aumentam sua presença no Brasil.
Por isso, a discussão sobre soberania não pode ser reduzida a escolher para qual potência vender o minério.
A questão brasileira precisa ser outra:
quanto da cadeia produtiva permanecerá dentro do país?
Existe ainda outro lado dessa corrida.
Parte das reservas minerais brasileiras está localizada em regiões ocupadas por agricultores familiares, comunidades tradicionais, quilombolas e povos indígenas.
Os dados divulgados nesta semana pela Comissão Pastoral da Terra mostram que a expansão da mineração e a valorização dos minerais críticos já começam a aparecer entre os fatores de pressão sobre territórios.
Isso significa que uma política mineral não pode discutir apenas investimento, exportação e arrecadação.
Precisa responder também:
Quem será removido?
Quem terá direito de consulta?
Quem ficará com os royalties?
Como serão protegidos os recursos hídricos?
Quem será responsável pelos passivos ambientais?
Que empregos serão criados?
Quanto da pesquisa e da tecnologia será desenvolvido no Brasil?
Uma audiência destinada justamente a aprofundar os impactos ambientais, sociais, territoriais, trabalhistas e de soberania da política mineral chegou a ser prevista no Senado, mas acabou cancelada.
A ausência desse debate é relevante porque a corrida mundial pelos minerais tende a aumentar a pressão pela aceleração de licenciamentos e novos projetos.
A experiência histórica brasileira mostra que ser grande exportador de recursos naturais não garante desenvolvimento.
O país exporta minério de ferro há décadas e continua importando máquinas, componentes e tecnologias de alto valor agregado.
Com as terras raras, existe a possibilidade de construir outro caminho.
Mas isso exige que a política pública não se limite a facilitar novos projetos de mineração.
Será necessário combinar pesquisa pública, universidades, financiamento, BNDES, indústria nacional, processamento, transferência tecnológica, formação de trabalhadores qualificados e participação estatal.
A aquisição da Serra Verde pela USA Rare Earth torna essa discussão ainda mais urgente.
O problema não é apenas saber quem possui a mina.
É saber quem controlará aquilo que vem depois dela.
Porque, na economia do século XXI, a verdadeira riqueza não está apenas debaixo da terra. Está no conhecimento necessário para transformar o minério em tecnologia.
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O Brasil está investindo R$ 210 milhões para desenvolver capacidade nacional em uma das tecnologias que transformaram a produção mundial de vacinas durante a pandemia de Covid-19: o RNA mensageiro, ou mRNA.
O investimento federal financia plataformas nacionais destinadas não apenas à produção de um imunizante específico, mas à criação de capacidade científica, tecnológica e industrial que possa ser utilizada contra diferentes doenças e futuras emergências sanitárias.
O primeiro produto já chegou à etapa clínica.
Uma vacina brasileira contra a Covid-19 desenvolvida por Bio-Manguinhos/Fiocruz recebeu autorização para avançar nos testes em seres humanos.
A primeira fase envolverá 90 voluntários adultos saudáveis, entre 18 e 59 anos, no Rio de Janeiro.
Os pesquisadores avaliarão inicialmente segurança, tolerabilidade e resposta imunológica.
Cada participante será acompanhado durante aproximadamente seis meses.
Ainda é uma etapa inicial.
Isso significa que não é possível afirmar neste momento que a vacina será aprovada ou quando poderia chegar ao SUS.
Mas o aspecto mais estratégico do projeto está além desse imunizante.
As vacinas tradicionais normalmente dependem do cultivo de vírus, proteínas ou outros componentes biológicos em processos que podem exigir instalações específicas e períodos relativamente longos de desenvolvimento.
A tecnologia de RNA mensageiro funciona de outra maneira.
O objetivo é fornecer às células uma instrução molecular temporária para produzir uma proteína capaz de estimular o sistema imunológico.
Uma das vantagens é a possibilidade de adaptar a plataforma mais rapidamente quando surge um novo agente infeccioso.
Foi essa característica que transformou as vacinas de mRNA em uma das principais tecnologias utilizadas durante a pandemia.
Mas a pandemia revelou também a desigualdade mundial no acesso à tecnologia.
Os países que controlavam patentes, empresas, fábricas e insumos conseguiram garantir vacinas primeiro.
Países dependentes precisaram disputar contratos, importar doses e esperar pelas cadeias internacionais de fornecimento.
O Brasil sentiu diretamente essa vulnerabilidade.
A importância do investimento está justamente na tentativa de diminuir essa dependência.
A Fiocruz já possui experiência de produção em larga escala de vacinas e medicamentos para o SUS.
Dominar uma plataforma própria de mRNA permitiria que pesquisadores brasileiros desenvolvessem novos produtos utilizando uma base tecnológica nacional, em vez de começar cada emergência negociando acesso a tecnologias estrangeiras.
Isso pode ser decisivo diante de futuras pandemias.
Também abre possibilidades de pesquisa para outras doenças infecciosas e aplicações médicas.
O investimento em mRNA, portanto, deve ser analisado como política industrial e científica, e não apenas como política de vacinação.
Ele envolve laboratórios, pesquisadores, equipamentos, propriedade intelectual, produção de insumos, capacidade fabril e formação de pessoal altamente qualificado.
É uma cadeia econômica inteira.
E existe uma diferença fundamental entre comprar uma vacina e saber produzir a tecnologia que permite criar vacinas.
O primeiro resolve uma necessidade imediata.
O segundo constrói capacidade nacional.
Depois da experiência da Covid-19, essa diferença deixou de ser apenas científica.
Tornou-se uma questão de soberania sanitária.
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A produção industrial brasileira cresceu 0,2% em julho na comparação com junho, interrompendo dois meses consecutivos de queda.
O resultado mostra alguma recuperação no início do terceiro trimestre, mas ainda não configura uma retomada industrial consistente.
Na comparação com julho de 2025, a produção caiu 0,5%.
No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, a indústria apresenta crescimento de 1,1%.
Em 12 meses, o avanço é ainda menor: 0,6%.
A média móvel trimestral recuou 0,8%, outro sinal de que o setor continua oscilando.
Os números precisam ser observados em conjunto.
Destacar apenas a alta mensal de 0,2% produziria uma imagem excessivamente otimista.
Olhar apenas a queda anual de 0,5% produziria o erro inverso.
O quadro é de crescimento fraco e irregular, com dificuldade para transformar expansão pontual em um ciclo sustentado de investimento e produção.
A discussão não se limita à participação da indústria no PIB.
Uma economia industrializada tende a possuir cadeias produtivas mais longas, empregos mais especializados, maior demanda por engenharia e ciência e capacidade superior de produzir tecnologia.
Quando uma fábrica produz máquinas, componentes eletrônicos, medicamentos, equipamentos de energia ou veículos, movimenta uma rede que inclui fornecedores, transportes, serviços técnicos, pesquisa e trabalhadores qualificados.
É por isso que o debate sobre indústria aparece também nas matérias sobre terras raras, semicondutores, data centers e vacinas de RNA.
O desafio brasileiro não é simplesmente aumentar o volume de produção.
É modificar aquilo que o país produz.
Exportar minério e importar tecnologia mantém uma estrutura.
Transformar matéria-prima em produtos industriais complexos dentro do país constrói outra.
O resultado de julho mostra que a reconstrução industrial brasileira continua longe de estar consolidada.
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O Sistema Único de Saúde iniciou uma preparação nacional para enfrentar os possíveis efeitos de um El Niño de forte intensidade nos próximos meses.
O Ministério da Saúde está trabalhando com os 26 estados e o Distrito Federal na elaboração de planos específicos para cada território.
A estratégia parte de um princípio básico: o mesmo fenômeno climático produz consequências muito diferentes dependendo da região.
No Sul, chuvas extremas podem provocar enchentes, deslizamentos, destruição de moradias e interrupção de serviços.
Em outras regiões, estiagens prolongadas podem comprometer reservatórios, abastecimento de água e produção de alimentos.
Ondas de calor aumentam riscos para idosos, crianças, trabalhadores expostos ao sol e pessoas com doenças cardiovasculares.
Alterações na temperatura e no regime de chuvas também podem favorecer a proliferação de vetores de doenças como dengue, zika e chikungunya.
Enchentes podem contaminar fontes de água e aumentar riscos de leptospirose, doenças gastrointestinais e outros agravos.
Por isso, a preparação envolve mais do que hospitais.
Os planos precisam considerar vigilância epidemiológica, estoques de medicamentos, vacinação, funcionamento de unidades, transporte de pacientes, água potável, energia elétrica e capacidade de resposta das equipes locais.
Eventos extremos não atingem todas as pessoas da mesma maneira.
Quem vive em moradias precárias, áreas sujeitas a alagamentos ou encostas corre risco maior.
Quem trabalha na rua ou em ambientes sem climatização sofre mais durante ondas de calor.
Quem depende exclusivamente do transporte público encontra mais dificuldade para chegar ao trabalho e aos serviços de saúde durante enchentes.
E famílias pobres têm menor capacidade financeira para reconstruir uma casa, substituir móveis, comprar água ou abandonar temporariamente uma região de risco.
Por isso, preparação climática é também política social.
Depois das catástrofes que atingiram diferentes regiões brasileiras nos últimos anos, preparar o SUS antes do desastre é muito mais eficiente — e muito menos custoso em vidas — do que mobilizá-lo apenas depois que as cidades já estão debaixo d’água ou enfrentando calor extremo.
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O futuro da termelétrica Candiota III, no Rio Grande do Sul, voltou ao centro da discussão ambiental e energética.
O Ibama considerou insuficientes as informações apresentadas sobre os impactos climáticos da continuidade da operação da usina a carvão.
O empreendimento está localizado em Candiota, na região da Campanha gaúcha, uma área historicamente vinculada à mineração e geração de energia a partir do carvão mineral.
O estudo apresentado quantifica emissões de gases de efeito estufa, mas, segundo a análise ambiental, não avalia de forma suficiente o impacto climático associado à continuidade da operação.
A discussão ocorre dentro do processo relacionado à renovação da licença ambiental.
Há um prazo judicial relacionado ao licenciamento que chega a 5 de novembro.
O caso coloca frente a frente duas questões reais.
De um lado, o carvão é uma das fontes de energia com maior emissão de gases de efeito estufa, e o Brasil assumiu compromissos de redução de emissões.
De outro, a cadeia carbonífera possui peso econômico regional e sustenta empregos diretos e indiretos em municípios da Campanha.
Essa contradição não pode ser resolvida simplesmente escolhendo entre “manter o carvão” ou “fechar a usina”.
Uma transição energética socialmente justa exige planejamento.
Se uma atividade altamente emissora precisa ser reduzida ou substituída, trabalhadores e municípios que dependem economicamente dela não podem receber como política pública apenas o fechamento de postos de trabalho.
É necessário definir previamente novas atividades produtivas, formação profissional, investimentos públicos, recuperação ambiental, renda e alternativas industriais para a região.
Caso contrário, o custo da transição climática recairá justamente sobre trabalhadores que não decidiram a matriz energética brasileira.
A discussão sobre Candiota III, portanto, não é apenas ambiental.
É também uma discussão sobre quem paga pela transição energética.
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O Senado aprovou o regime especial de incentivos fiscais destinado à instalação e expansão de data centers no Brasil.
O chamado Redata prevê suspensão de tributos federais em determinadas operações envolvendo equipamentos e infraestrutura necessários aos centros de processamento de dados.
Entre os tributos alcançados estão Imposto de Importação, IPI e PIS/Cofins, conforme as condições previstas no programa.
A estimativa oficial é de uma renúncia tributária de aproximadamente R$ 5,2 bilhões em 2026.
Para 2027 e 2028, a previsão é de cerca de R$ 1 bilhão por ano.
O texto segue para sanção presidencial.
O argumento do governo é que a política pode atrair investimentos em infraestrutura digital, ampliar a capacidade nacional de armazenamento e processamento de dados e inserir o Brasil em uma cadeia que cresce rapidamente com inteligência artificial e serviços de nuvem.
Mas os incentivos também exigem contrapartidas.
Data centers são instalações intensivas em energia elétrica, equipamentos importados, infraestrutura de telecomunicações e, dependendo da tecnologia de refrigeração, água.
Além disso, grandes investimentos físicos não significam automaticamente geração proporcional de empregos permanentes depois da construção.
Por isso, os bilhões de reais em renúncia fiscal precisam ser avaliados pelo retorno efetivo ao país:
quanto de tecnologia será desenvolvido aqui? Quantos empregos serão criados? Quais equipamentos serão produzidos no Brasil? Qual será o consumo de energia e água? E quanto do valor gerado permanecerá na economia nacional?
Atrair data centers pode fazer parte de uma política de soberania digital.
Mas subsidiar infraestrutura pertencente a grandes corporações internacionais, sem desenvolvimento tecnológico nacional e contrapartidas proporcionais, pode apenas criar uma nova forma de dependência.
A diferença estará no desenho da política e na capacidade do Estado de exigir retorno público para o incentivo concedido.
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As principais notícias econômicas deste bloco convergem para uma mesma questão.
O Brasil possui minerais estratégicos, uma enorme matriz energética, universidades, centros de pesquisa, mercado interno e instituições públicas capazes de produzir ciência.
Mas possuir recursos não significa controlar as cadeias que transformam esses recursos em riqueza.
As terras raras deixam isso evidente.
O minério pode estar em Goiás, mas a tecnologia que separa os elementos, produz os ímãs e fabrica os motores pode estar do outro lado do mundo.
Na saúde acontece algo semelhante.
O Brasil pode comprar milhões de doses de uma vacina e ainda permanecer dependente de quem domina a plataforma tecnológica utilizada para desenvolvê-la.
Na economia digital, podemos hospedar gigantescos data centers e continuar importando os processadores, aceleradores de inteligência artificial, equipamentos e softwares que concentram a maior parcela do valor.
É justamente por isso que o investimento de R$ 210 milhões em tecnologia nacional de RNA possui significado que ultrapassa a saúde.
E é por isso também que a discussão sobre os minerais críticos não pode terminar na quantidade de toneladas extraídas ou nos bilhões anunciados em investimentos.
Uma estratégia nacional de desenvolvimento precisa conectar recursos naturais, ciência, indústria, empresas públicas, universidades, trabalhadores e domínio tecnológico.
Sem essa ligação, o país pode continuar rico em recursos e pobre em controle sobre a riqueza que eles produzem.
A disputa pela soberania econômica brasileira passa, cada vez mais, por essa escolha.
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Estados Unidos e Irã protagonizaram entre terça-feira e esta quarta, 2 de setembro, uma das maiores trocas de ataques das últimas semanas, ampliando novamente o risco de uma guerra regional e pressionando uma das rotas energéticas mais importantes do planeta.
Um dos ataques estadunidenses atingiu uma residência na região de Kuhestak, no distrito de Sirik, província iraniana de Hormozgan, onde acontecia uma celebração de casamento.
Autoridades iranianas informaram quatro mortos e 67 feridos no local.
O número de mortos no casamento foi confirmado também por cobertura internacional independente do governo iraniano. O balanço de 67 feridos permanece baseado nas informações divulgadas pelas autoridades locais.
No conjunto da ofensiva, autoridades iranianas afirmaram que pelo menos 18 pessoas morreram.
O Crescente Vermelho Iraniano enviou uma comunicação ao Tribunal Penal Internacional pedindo investigação sobre o ataque ao casamento.
O governo iraniano classificou a ação como crime de guerra.
A morte de civis transforma a nova rodada de ataques em mais do que um episódio da disputa militar entre Washington e Teerã. Coloca novamente no centro da guerra a responsabilidade das forças atacantes pela proteção da população civil.
Depois dos ataques estadunidenses, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã — IRGC anunciou uma nova rodada de operações contra instalações utilizadas ou relacionadas às forças dos Estados Unidos na região.
Segundo o comando iraniano, foram atacados alvos na Jordânia, Iraque, Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
Teerã também divulgou informações sobre danos a instalações, equipamentos e drones estadunidenses.
Esses detalhes precisam ser tratados como alegações militares iranianas enquanto não houver confirmação independente.
O mesmo critério vale para os balanços apresentados pelo Pentágono e pelo comando militar estadunidense.
Em uma guerra, os comunicados dos dois lados cumprem também uma função política e psicológica. O número de alvos destruídos, interceptações, perdas militares e eficiência das defesas precisa ser verificado fora das versões produzidas pelos próprios beligerantes.
Essa cautela ganha ainda mais importância diante das controvérsias acumuladas ao longo da guerra sobre avaliações militares divulgadas por Washington.
A escalada atingiu também o Estreito de Ormuz.
O IRGC afirmou que dois petroleiros atingiram minas e pegaram fogo na região.
Até o fechamento desta edição, não havia documentação independente suficiente para estabelecer a origem dessas minas ou atribuir responsabilidade pelo episódio.
Por isso, não é possível afirmar que tenham sido minas iranianas, estadunidenses ou de qualquer outra origem.
O que está documentado é que o tráfego pelo estreito permanece severamente afetado pela guerra.
Isso tem impacto mundial.
Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico e é passagem para aproximadamente um quinto do petróleo transportado por via marítima no planeta, além de volumes importantes de gás natural liquefeito.
Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque, Catar e Irã dependem em diferentes graus das rotas da região para suas exportações de energia.
Qualquer interrupção prolongada afeta preços, seguros marítimos, fretes e custos de produção muito além do Oriente Médio.
O petróleo Brent voltou a operar na região dos US$ 90 por barril, chegando a superar esse patamar durante a nova escalada.
Para trabalhadores em países importadores de petróleo, a guerra pode aparecer rapidamente na inflação, no preço dos combustíveis, nos transportes e nos alimentos.
A guerra começou também a produzir novos alinhamentos políticos na América Latina.
O governo peruano de Keiko Fujimori anunciou o rompimento das relações diplomáticas com Teerã.
Lima responsabilizou o Irã pela escalada regional e pela situação no Estreito de Ormuz.
As relações consulares, entretanto, foram mantidas.
A decisão demonstra como um conflito concentrado militarmente no Oriente Médio começa a reorganizar posições diplomáticas em outras regiões.
Ao mesmo tempo, Omã, Catar e Paquistão aparecem entre os governos envolvidos em esforços para impedir uma escalada ainda maior.
A contradição é evidente.
Enquanto canais diplomáticos tentam reconstruir negociações, Estados Unidos e Irã ampliam operações militares.
E quanto mais a guerra alcança civis, instalações energéticas e rotas marítimas internacionais, maior é o risco de um confronto bilateral transformar-se definitivamente em uma guerra regional.
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O número de palestinos mortos na Faixa de Gaza desde outubro de 2023 chegou a 73.470 nesta quarta-feira, 2 de setembro.
Outras 174.540 pessoas ficaram feridas.
Somente nas últimas 24 horas, hospitais de Gaza receberam oito mortos e 31 feridos.
Os números são contabilizados pelas autoridades sanitárias palestinas e continuam crescendo mesmo depois do cessar-fogo iniciado em 11 de outubro de 2025.
Desde então, foram registrados 1.334 palestinos mortos e 4.429 feridos.
Outros 815 corpos foram recuperados de áreas destruídas.
O balanço ainda não é necessariamente definitivo.
Há pessoas sob escombros e em locais onde equipes médicas e de defesa civil continuam enfrentando dificuldades para chegar.
Entre as vítimas registradas nesta quarta-feira está um jovem morto em um ataque de drone israelense na região de al-Hawja, em Jabalia, no norte da Faixa.
Também morreu Amina al-Hissi, de 51 anos, deslocada de Jabalia, em consequência de ferimentos provocados por disparos israelenses em Deir al-Balah, no centro de Gaza.
Mais tarde foi registrada a morte de Mohammed Mahmoud Murshid al-Qadi, de 39 anos, depois de um ataque israelense contra uma tenda utilizada por pessoas deslocadas em al-Mawasi, Khan Younis, no sul.
Esses casos ajudam a dimensionar aquilo que o número agregado de mortos pode esconder.
Gaza permanece marcada por uma população deslocada, infraestrutura destruída e famílias vivendo em abrigos improvisados depois de perderem suas casas.
O cessar-fogo reduziu a intensidade de determinadas operações, mas não encerrou as mortes.
O número de feridos também precisa ser colocado em perspectiva.
São 174.540 pessoas em um território cuja estrutura hospitalar foi devastada durante a guerra.
Ferimento não significa necessariamente atendimento, recuperação e retorno à vida anterior.
Entre os sobreviventes existem pessoas com amputações, queimaduras, lesões neurológicas, deficiências permanentes e necessidade de reabilitação por anos.
Isso ocorre em um sistema de saúde que perdeu hospitais, ambulâncias, profissionais, equipamentos e estoques de medicamentos.
Portanto, o impacto humano da guerra não pode ser medido apenas pelo número de mortos.
Ele continuará por décadas.
Quando o balanço passa de 73 mil mortos, existe o risco de que cada atualização se transforme em apenas mais um número.
Mas cada unidade acrescentada à estatística representa uma vida.
Os mortos e feridos são trabalhadores, estudantes, médicos, jornalistas, agricultores, professores, idosos e crianças.
São famílias inteiras cujas casas, bairros e formas de sobrevivência foram destruídas.
É por isso que registrar os números continua necessário.
Não para transformar Gaza em uma contagem cotidiana de cadáveres, mas justamente para impedir que a dimensão humana da destruição desapareça atrás da normalização da guerra.
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O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, chegou a Caracas nesta quarta-feira e foi recebido no Palácio de Miraflores pela presidente em exercício Delcy Rodríguez.
A visita ocorre imediatamente depois do anúncio de um grande acordo petrolífero entre Venezuela e Estados Unidos e mostra que as negociações já avançaram do terreno diplomático para a discussão concreta sobre produção, investimentos e infraestrutura.
Wright já havia visitado a Venezuela em fevereiro.
Agora retorna em um momento muito mais decisivo.
Delcy também se reuniu nesta quarta-feira com executivos da estadunidense Chevron e da italiana ENI, duas empresas com interesses históricos na produção venezuelana.
As conversas envolveram produção de petróleo, infraestrutura, investimentos e geração de empregos.
No centro de tudo estão 17 campos petrolíferos venezuelanos.
Mas Caracas e Washington continuam apresentando descrições diferentes sobre aquilo que foi acordado.
O governo venezuelano apresenta o projeto como um acordo de 25 anos envolvendo os 17 campos.
Segundo os números divulgados por Caracas, os investimentos podem ultrapassar US$ 100 bilhões.
A expectativa apresentada pelo governo é elevar a produção vinculada aos projetos para mais de 1,5 milhão de barris por dia.
Utilizando como referência um barril a US$ 65, Caracas estima que o Estado venezuelano poderia receber aproximadamente US$ 209,3 bilhões em receitas ao longo do período.
O governo de Delcy Rodríguez sustenta ainda que a Venezuela continuará sendo proprietária do subsolo e de seus recursos naturais.
Essa distinção é importante porque a Constituição venezuelana estabelece controle estatal sobre as riquezas do subsolo.
A versão apresentada nos Estados Unidos, entretanto, não coincide integralmente com a descrição venezuelana.
Autoridades e documentos divulgados em Washington falaram em direitos e concessões de duração e alcance distintos dos 25 anos anunciados por Caracas.
Há inclusive referências estadunidenses a horizontes de exploração muito mais longos.
Essa diferença não é um detalhe semântico.
Dependendo da estrutura jurídica adotada, existe enorme diferença entre:
uma empresa estrangeira prestar serviços;
participar de uma empresa mista;
receber direito de exploração;
ou
controlar economicamente a produção durante décadas.
Sem acesso integral aos contratos, anexos e mecanismos financeiros, não existe base documental suficiente para afirmar que a versão de Caracas ou a de Washington descreve sozinha o conteúdo real do acordo.
A divergência entre as duas versões é, portanto, parte da própria notícia.
As críticas ao acordo também não vêm apenas da direita venezuelana.
Setores do próprio campo bolivariano e chavista levantaram questionamentos sobre o grau de participação estrangeira e os riscos de aprofundamento de um modelo econômico dependente da exportação de petróleo.
O ex-vice-presidente Elías Jaua, uma das figuras históricas do chavismo, está entre as vozes que vêm discutindo criticamente os rumos econômicos e políticos assumidos pela Venezuela.
Também existem críticas de organizações da esquerda venezuelana sobre abertura ao capital estrangeiro, condições trabalhistas, proteção ambiental e soberania sobre os recursos naturais.
Isso torna o debate muito mais complexo do que a divisão tradicional entre governo bolivariano e oposição apoiada por Washington.
Existe, por outro lado, uma realidade econômica concreta.
A Venezuela passou anos submetida a sanções, bloqueio financeiro, dificuldades para comercializar petróleo, restrições ao acesso a ativos no exterior e obstáculos à obtenção de financiamento internacional.
A indústria petrolífera também sofreu com falta de investimento, manutenção e acesso a equipamentos.
Para Caracas, ampliar rapidamente a produção significa recuperar receitas necessárias para importar bens, financiar políticas públicas, reconstruir infraestrutura e estabilizar a economia.
É nesse contexto que o governo apresenta o acordo.
A questão é saber qual preço será pago por essa abertura.
Se o capital estrangeiro fornecer financiamento e tecnologia mantendo controle venezuelano sobre o petróleo e permitindo ao Estado capturar parcela substancial da renda, o acordo pode funcionar como instrumento de recuperação.
Se, ao contrário, direitos de exploração, produção e comercialização forem cedidos por décadas em condições excessivamente favoráveis às empresas estrangeiras, o país poderá trocar o isolamento produzido pelo bloqueio por uma nova dependência.
A resposta não está nos discursos.
Está nos contratos.
A dimensão da disputa explica o interesse internacional.
A Venezuela possui aproximadamente 303 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo, uma das maiores — e, pelas estatísticas utilizadas por organismos internacionais, a maior — reservas conhecidas do mundo.
Isso significa que qualquer mudança no regime de exploração venezuelano possui consequências econômicas e geopolíticas de longo prazo.
O petróleo venezuelano interessa especialmente às refinarias da Costa do Golfo dos Estados Unidos, muitas delas configuradas historicamente para processar petróleo pesado semelhante ao produzido no país sul-americano.
Por isso, a aproximação atual não pode ser analisada apenas como uma normalização diplomática.
Existe uma disputa concreta por energia, mercados, infraestrutura e controle de uma riqueza estratégica.
Para a Venezuela, o desafio é romper o cerco econômico sem entregar justamente aquilo que tornou o país alvo de tantas pressões externas: seu petróleo.
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A economia argentina voltou a apresentar sinais de enfraquecimento em julho, com deterioração concentrada justamente em setores ligados à produção e à geração de empregos.
O resultado aumenta a distância entre a narrativa financeira apresentada pelo governo Javier Milei e a situação enfrentada por parcelas da economia real.
A inflação e o equilíbrio fiscal continuam no centro da propaganda governamental.
Mas, no Dia da Indústria, dirigentes da própria União Industrial Argentina — UIA elevaram publicamente o tom contra a política econômica.
A crítica é politicamente relevante porque não vem apenas dos sindicatos, movimentos sociais ou partidos de oposição.
Vem também de setores do empresariado industrial.
Dirigentes da UIA afirmaram que uma economia não pode ser avaliada exclusivamente pelo comportamento da inflação e das contas públicas.
A preocupação está na atividade produtiva, investimento, capacidade industrial e emprego.
Uma das críticas mais duras dirigiu-se à política conduzida pelo ministro da Economia, Luis Caputo, acusada por representantes industriais de favorecer uma lógica financeira e de endividamento enquanto empresas produtoras enfrentam dificuldades.
Em Villa María, na província de Córdoba, trabalhadores da Fábrica Militar voltaram a se mobilizar diante do temor de privatização, desnacionalização e esvaziamento da unidade.
A fábrica integra a estrutura da Fabricaciones Militares, empresa estatal ligada a setores considerados estratégicos.
Trabalhadores organizados na ATE — Asociación Trabajadores del Estado denunciam falta de investimentos e alertam para o risco sobre os postos de trabalho.
A discussão não envolve apenas uma fábrica.
A indústria de defesa possui relação direta com capacidade tecnológica, metalurgia, química, engenharia e autonomia estatal.
Transferir esse tipo de estrutura para controle privado ou estrangeiro pode significar também perder capacidades industriais construídas durante décadas.
A Argentina tornou-se um laboratório radical de uma velha receita econômica.
O governo corta gastos, reduz estruturas estatais, busca superávit fiscal, liberaliza mercados e aposta na entrada de capital privado como mecanismo de reorganização econômica.
O problema aparece quando a estabilização financeira não produz simultaneamente expansão produtiva.
Uma economia pode apresentar melhora em determinados indicadores macroeconômicos e, ao mesmo tempo, perder fábricas, empregos e capacidade tecnológica.
Para a classe trabalhadora, a pergunta é concreta:
a estabilização produzirá mais trabalho, salário e produção ou apenas uma economia financeiramente organizada sobre uma estrutura produtiva menor?
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Centenas de pessoas se concentraram diante do local onde Cristina Fernández de Kirchner cumpre prisão domiciliar para marcar quatro anos da tentativa de assassinato sofrida pela ex-presidenta.
Em 1º de setembro de 2022, um homem apontou uma arma para o rosto de Cristina e puxou o gatilho enquanto ela cumprimentava apoiadores em Buenos Aires. O disparo não ocorreu.
Manifestantes voltaram a exigir esclarecimento completo sobre a organização e o financiamento do atentado.
Máximo Kirchner afirmou que a investigação não conseguiu chegar aos responsáveis intelectuais e financeiros pelo ataque.
Essa é uma acusação política do dirigente peronista e não uma conclusão judicial estabelecida.
A mobilização ocorre agora em um cenário diferente: Cristina cumpre prisão domiciliar e está impedida de disputar eleições.
A tentativa de assassinato, a investigação sobre seus responsáveis e a posterior retirada de Cristina da disputa eleitoral continuam no centro da crise política argentina.
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A China movimentou nesta semana três frentes que ajudam a revelar a dimensão de sua estratégia internacional: Ásia Central, América Latina e Oriente Médio/África.
Em cada região, os instrumentos são diferentes.
Mas existe um fio comum:
comércio, infraestrutura, tecnologia, financiamento e articulação diplomática.
O presidente chinês Xi Jinping reuniu-se no Cairo com o presidente egípcio Abdel Fattah el-Sisi em uma visita que marca os 70 anos das relações diplomáticas entre China e Egito.
O Egito foi o primeiro país árabe e africano a estabelecer relações diplomáticas com a República Popular da China, em 1956.
Durante a visita, os dois governos assinaram mais de 20 documentos de cooperação.
Os acordos abrangem áreas como:
Cinturão e Rota;
inteligência artificial;
comércio;
cadeias industriais e de suprimentos;
economia digital;
ciência e tecnologia;
educação;
transportes;
energia;
agricultura;
comunicações;
e tecnologias verdes.
A amplitude das áreas demonstra que a relação deixou há muito tempo de se limitar à compra e venda de mercadorias.
Pequim busca conectar investimento em infraestrutura à formação de cadeias produtivas e cooperação tecnológica.
A posição geográfica do Egito explica parte do interesse chinês.
O Canal de Suez conecta o Mediterrâneo ao Mar Vermelho e constitui uma das rotas comerciais mais importantes do mundo.
Empresas chinesas já possuem presença na Zona Econômica do Canal de Suez, utilizando o Egito também como plataforma industrial e logística para acessar mercados africanos, árabes e europeus.
A cooperação discutida agora inclui novas áreas industriais, energia verde, veículos elétricos, agricultura moderna, tecnologia digital e infraestrutura.
Para a China, o Egito é simultaneamente mercado, parceiro político e corredor logístico.
Para o Cairo, o capital chinês oferece uma fonte alternativa de investimento num momento em que muitos países periféricos buscam reduzir a dependência exclusiva de instituições financeiras e potências ocidentais.
Xi também apresentou uma proposta política.
O presidente chinês defendeu a construção de uma nova arquitetura de segurança para o Oriente Médio, com maior protagonismo dos países da própria região.
Pequim voltou a defender o papel das Nações Unidas, o respeito ao direito internacional e a rejeição à interferência externa.
Xi colocou a questão palestina no centro da estabilidade regional.
A posição chinesa precisa ser compreendida também dentro da disputa global com Washington.
Os Estados Unidos mantêm dezenas de milhares de militares, bases e acordos de defesa no Oriente Médio.
A China, até agora, construiu sua presença principalmente através de comércio, investimentos, energia, infraestrutura e diplomacia.
Isso não significa ausência de interesses estratégicos.
Significa que Pequim utiliza instrumentos diferentes para ampliá-los.
A mesma disputa apareceu nesta semana em Cuba.
A representação chinesa em Havana reagiu às declarações de políticos estadunidenses que defendem reduzir ou expulsar a presença econômica chinesa da América Latina.
Pequim acusou esses setores de tentar ressuscitar a lógica da Doutrina Monroe, segundo a qual Washington trata o continente como sua área exclusiva de influência.
O governo chinês afirmou que os países latino-americanos possuem direito de escolher livremente seus parceiros comerciais e econômicos.
A manifestação ocorreu depois de declarações do congressista republicano Carlos Giménez, que defendeu afastar a China do chamado Hemisfério Ocidental.
Para Cuba, submetida há décadas ao bloqueio econômico dos Estados Unidos, a possibilidade de estabelecer relações com China, Rússia e outros parceiros possui importância econômica imediata.
Mas a disputa vai além de Havana.
Brasil, Venezuela, Argentina, Chile, Peru e outros países latino-americanos tornaram-se importantes fornecedores, mercados e destinos de investimentos chineses.
A movimentação também ocorre na Organização de Cooperação de Xangai.
A última cúpula terminou com 28 documentos aprovados, envolvendo segurança, economia, integração, cooperação tecnológica e relações entre os países membros.
O Paquistão assumiu a presidência rotativa da organização para 2026–2027.
A China anunciou ainda propostas envolvendo inteligência artificial, segurança, energia, comércio, conectividade, economia digital e mineração verde.
A SCO reúne países que, juntos, representam aproximadamente metade da população mundial e cerca de um quarto da economia global.
Não é um bloco homogêneo.
Seus integrantes possuem interesses nacionais, contradições e disputas próprias.
Mas a expansão dessas organizações mostra uma mudança estrutural:
os Estados Unidos e a Europa Ocidental já não concentram sozinhos os principais espaços de financiamento, comércio, tecnologia e articulação diplomática disponíveis aos países periféricos.
Para os países do Sul Global, a ascensão chinesa cria oportunidades e também novas questões.
Ter mais de uma fonte de investimento e financiamento amplia a capacidade de negociação.
Mas relações Sul-Sul não são automaticamente relações sem desigualdade.
Empresas chinesas também buscam mercados, matérias-primas, contratos, lucro e influência.
Por isso, a questão para países como Brasil, Egito ou Cuba não deveria ser simplesmente escolher entre Washington ou Pequim.
A questão é utilizar a transformação da ordem mundial para ampliar a própria capacidade de decisão.
Multipolaridade só produz soberania quando um país consegue transformar a competição entre grandes potências em desenvolvimento nacional, domínio tecnológico, infraestrutura, emprego e autonomia política.
Caso contrário, muda-se apenas o centro externo do qual se depende.
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A Colômbia iniciou uma mudança profunda em sua política de segurança.
Depois de um carro-bomba explodir diante de uma instalação policial em Los Patios, Norte de Santander, o presidente Abelardo De La Espriella reuniu seu conselho de segurança em Cúcuta e anunciou uma ofensiva contra grupos armados.
O novo governo afirma explicitamente que a política conhecida como Paz Total chegou ao fim.
A estratégia anterior apostava na abertura simultânea de processos de negociação com diferentes organizações armadas, combinando diálogo, cessar-fogo e mecanismos de submissão à Justiça.
A nova orientação coloca novamente no centro operações militares, capturas e derrota das organizações classificadas pelo governo como terroristas ou criminosas.
Mudanças também atingem a direção das estruturas militares e de segurança, com reforço de operações e medidas contra o uso de drones por grupos armados.
A Colômbia conhece profundamente os limites de uma política baseada exclusivamente na guerra.
Décadas de conflito deixaram centenas de milhares de mortos, milhões de deslocados e extensas regiões rurais submetidas à violência de guerrilhas, paramilitares, narcotráfico e forças do Estado.
Ao mesmo tempo, processos de negociação também enfrentaram dificuldades para transformar as condições sociais que alimentam o conflito, especialmente concentração da terra, pobreza rural, narcotráfico e ausência estatal em extensas áreas do território.
A mudança de governo encerra uma experiência política e reabre uma velha questão colombiana:
é possível derrotar militarmente organizações armadas sem modificar as estruturas econômicas e territoriais que permitiram ao conflito sobreviver por tantas décadas?
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As seis federações do Trópico de Cochabamba e organizações aliadas preparam mobilização para 4 de setembro contra o decreto que reajustou o preço do diesel. Os movimentos exigem a revogação da medida e mantêm estado de mobilização.
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Mais de 1,4 milhão de estudantes iniciaram o ano letivo 2026–2027 em Cuba. O sistema educacional enfrenta os efeitos combinados do bloqueio econômico estadunidense, restrições energéticas e problemas internos de infraestrutura e geração elétrica.
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A crise haitiana já provocou o deslocamento de aproximadamente 1,5 milhão de pessoas. A fragilidade do Estado abriu espaço crescente para organizações internacionais, empresas privadas e atores externos em áreas que vão da assistência humanitária à infraestrutura e exploração econômica.
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A União Africana discute com instituições financeiras mecanismos para mobilizar recursos de fundos de pensão e investidores institucionais africanos para financiar infraestrutura, indústria e integração continental. O debate ocorre diante de gargalos logísticos, barreiras comerciais e dependência histórica de financiamento externo.
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Após a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, Vladimir Putin voltou a rejeitar uma solução baseada apenas no congelamento das atuais linhas de combate na Ucrânia e afirmou que Moscou exige um acordo considerado duradouro. As condições apresentadas pela Rússia continuam sendo rejeitadas por Kiev.
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As eleições de 2026 registram um novo avanço da participação indígena na disputa institucional brasileira.
Segundo levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil — APIB, foram registradas 191 candidaturas de pessoas indígenas nas eleições gerais deste ano.
É o maior número desde que a Justiça Eleitoral passou a registrar de forma sistemática informações sobre raça e pertencimento étnico dos candidatos.
Do total, são 99 candidaturas a deputado estadual, 75 a deputado federal, quatro ao Senado e três a governos estaduais, além de candidaturas distritais e suplências.
As mulheres representam 84 candidaturas, ou cerca de 44% do total.
Ao menos 64 povos indígenas diferentes aparecem representados.
O crescimento é contínuo.
Em 2014, foram registradas 85 candidaturas indígenas.
Em 2018, o número subiu para 133.
Em 2022, chegou a 186.
Agora, em 2026, alcança 191.
O aumento das candidaturas é importante, mas não significa automaticamente maior presença indígena nos parlamentos.
Campanhas eleitorais dependem de recursos financeiros, estrutura partidária, tempo de propaganda, redes de apoio e visibilidade.
É justamente nesses pontos que candidaturas de movimentos populares, comunidades tradicionais e trabalhadores costumam disputar em condições muito mais desiguais contra políticos ligados a grandes grupos econômicos.
A APIB diferencia ainda o conjunto geral das candidaturas indígenas da chamada Bancada Indígena, formada por nomes construídos e apoiados diretamente pelas organizações do movimento.
São 56 candidaturas vinculadas às organizações de base.
Essa distinção é relevante porque uma candidatura registrada como indígena não representa automaticamente as posições políticas do movimento indígena organizado.
A ampliação da presença eleitoral ocorre enquanto questões decisivas continuam em disputa no Congresso e nos estados.
Entre elas estão:
demarcação de terras;
mineração em territórios indígenas;
proteção ambiental;
violência contra comunidades;
saúde indígena;
educação diferenciada;
e participação dos povos nas decisões sobre projetos que atingem seus territórios.
A presença de indígenas nos parlamentos não substitui a mobilização social.
Mas pode ampliar a capacidade de disputar leis, orçamento e políticas públicas a partir de quem vive diretamente essas questões.
A campanha lançada pela APIB resume essa estratégia numa frase:
“A Resposta Somos Nós.”
A disputa não é apenas para colocar indígenas dentro do Congresso.
É para disputar quem tem o direito de decidir sobre os territórios, a natureza e o futuro dos povos que vivem neles.
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Entre os dias 11 e 13 de setembro, a Serraria Souza Pinto, no centro de Belo Horizonte, receberá a VI Feira Estadual da Reforma Agrária de Minas Gerais.
O evento reunirá alimentos, produtos agroecológicos, cooperativas, cultura popular e atividades políticas organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.
Participam 12 cooperativas de Minas Gerais e outras cinco cooperativas convidadas de São Paulo, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Bahia.
Ao todo, serão pelo menos 17 organizações produtivas apresentando aquilo que normalmente fica escondido quando a reforma agrária aparece apenas associada a conflitos fundiários:
produção de alimentos.
Arroz, feijão, café, hortaliças, frutas, derivados de leite, doces, geleias, farinhas, produtos agroecológicos e alimentos processados por cooperativas estarão entre os produtos levados à capital mineira.
A feira terá ainda apresentações musicais, atividades culturais, debates e espaços de formação.
O lema escolhido para esta edição é:
“Cultivar a Terra, Defender o Brasil.”
A feira acontece poucos dias depois da divulgação de novos dados sobre conflitos no campo.
Enquanto empresas, fundos e mineradoras disputam terra e recursos naturais, famílias assentadas e agricultores familiares continuam responsáveis por uma parcela essencial da produção de alimentos que chega às mesas brasileiras.
A reforma agrária, portanto, não é apenas uma discussão sobre propriedade.
É uma discussão sobre o que a terra produz, para quem produz e quem controla a produção.
Uma grande propriedade voltada exclusivamente para exportação de commodities e uma área organizada para produção diversificada de alimentos cumprem funções econômicas completamente diferentes.
Levar essa produção para o centro de Belo Horizonte é também uma forma de aproximar campo e cidade.
Quem compra um alimento numa feira da reforma agrária pode conhecer diretamente quem plantou, colheu, processou e organizou aquela produção.
Num país marcado pela concentração fundiária, a feira mostra na prática que democratizar a terra também pode significar democratizar a produção de comida.
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A Câmara dos Deputados aprovou o projeto que institui o novo Plano Nacional de Cultura — PNC, responsável por orientar a política cultural brasileira durante a próxima década.
O PL 5.894/2025 estabelece princípios, objetivos, diretrizes e mecanismos de acompanhamento para as políticas públicas do setor.
Depois da aprovação na Câmara, o texto segue para o Senado.
O plano terá validade de dez anos.
Isso significa que deverá atravessar mais de um mandato presidencial e servir como referência para políticas de financiamento, preservação do patrimônio, formação artística, economia da cultura, acesso, diversidade e participação social.
Esse é justamente um dos objetivos de um plano nacional.
Transformar determinadas políticas em compromissos de Estado, e não apenas em programas temporários de um governo.
A experiência brasileira mostrou como o setor cultural pode sofrer mudanças bruscas dependendo da orientação política do Executivo.
Estruturas foram desmontadas, programas paralisados e mecanismos de financiamento colocados sob ataque durante o governo Bolsonaro.
A reconstrução iniciada depois de 2023 recuperou ministério, programas e financiamento.
Mas transformar essa recuperação em política de longo prazo exige institucionalidade.
O novo plano foi construído com participação de conferências de cultura, oficinas territoriais e mecanismos de consulta pública.
Quando se fala em política cultural, frequentemente o debate fica restrito à produção artística.
Mas o setor movimenta uma cadeia muito maior.
Técnicos de som.
Iluminadores.
Produtores.
Figurinistas.
Cenógrafos.
Músicos.
Atores.
Escritores.
Editoras.
Livreiros.
Artesãos.
Cinegrafistas.
Montadores.
Profissionais de museus.
Trabalhadores de festas populares.
A cultura produz emprego, renda e circulação econômica.
Também preserva memória e identidade.
É por isso que uma política cultural nacional não pode ser tratada como gasto acessório.
A disputa cultural também é uma disputa sobre quem tem direito de produzir, preservar e narrar a história do país.
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Morreu aos 83 anos o ator, diretor e produtor Gracindo Júnior, integrante de uma das famílias mais conhecidas da dramaturgia brasileira.
Filho do ator Gracindo Júnior, construiu carreira própria no teatro, cinema e televisão ao longo de décadas.
Sua trajetória atravessou diferentes períodos da produção cultural brasileira e incluiu atuação, direção e produção.
Gracindo pertenceu a uma geração formada num período em que teatro, televisão e cinema brasileiros ampliaram fortemente sua presença nacional.
Sua morte encerra mais um capítulo de uma geração que ajudou a construir parte importante da memória audiovisual e teatral do país.
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Em 2 de setembro de 1945, diante de uma multidão reunida na Praça Ba Dinh, em Hanói, Ho Chi Minh proclamou a independência da República Democrática do Vietnã.
O país havia passado décadas sob domínio colonial francês e acabava de atravessar a ocupação japonesa durante a Segunda Guerra Mundial.
A proclamação não encerrou a luta.
A França tentou restaurar seu domínio colonial, iniciando uma guerra que terminaria com a derrota francesa em Dien Bien Phu, em 1954.
Depois viria a intervenção militar dos Estados Unidos.
O Vietnã resistiria até a derrota estadunidense e a reunificação do país em 1975.
A independência proclamada há 81 anos abriu uma das grandes lutas anticoloniais do século XX.
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Exatamente 24 anos depois da proclamação da independência vietnamita, morria Ho Chi Minh, em 2 de setembro de 1969.
Militante comunista, organizador do Viet Minh e fundador da República Democrática do Vietnã, Ho Chi Minh tornou-se símbolo mundial das lutas de libertação nacional.
Morreu antes de assistir à derrota final das forças estadunidenses e à reunificação do Vietnã.
Seu nome permanece ligado à combinação entre revolução social, independência nacional e luta contra o colonialismo.
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Em 2 de setembro de 1960, uma gigantesca assembleia popular reunida na Plaza de la Revolución aprovou a Primeira Declaração de Havana.
O documento foi uma resposta às pressões dos Estados Unidos e às ações da Organização dos Estados Americanos contra a Revolução Cubana.
A declaração defendia:
soberania nacional;
autodeterminação;
reforma agrária;
direito dos camponeses à terra;
educação;
saúde;
igualdade racial;
e direitos dos trabalhadores.
Cuba afirmava que os povos latino-americanos tinham direito de decidir seus próprios caminhos sem tutela estrangeira.
Mais de seis décadas depois, a disputa pela soberania da América Latina continua atual.
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Em 2 de setembro de 1961, o Congresso aprovou a Emenda Constitucional nº 4, instituindo o parlamentarismo no Brasil.
A medida foi adotada no auge da crise provocada pela tentativa dos ministros militares de impedir a posse constitucional do vice-presidente João Goulart, após a renúncia de Jânio Quadros.
A resistência comandada pelo governador gaúcho Leonel Brizola, através da Cadeia da Legalidade, mobilizou trabalhadores, sindicatos, estudantes, setores militares e grande parte da população em defesa da Constituição.
A Câmara aprovou a saída parlamentarista por 288 votos a 55.
O acordo garantiu a posse de Jango, mas retirou grande parte dos poderes da Presidência e os transferiu para um Conselho de Ministros.
Foi uma vitória parcial da Legalidade e, ao mesmo tempo, um compromisso imposto pela correlação de forças.
João Goulart assumiria a Presidência em 7 de setembro de 1961.
Em janeiro de 1963, um plebiscito devolveria ao país o presidencialismo.
A Legalidade havia impedido que os militares simplesmente anulassem a Constituição.
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Em 2 de setembro de 1945, representantes japoneses assinaram a rendição formal a bordo do navio estadunidense USS Missouri, na Baía de Tóquio.
O ato encerrou oficialmente a Segunda Guerra Mundial.
A derrota do nazifascismo europeu e do militarismo japonês modificou profundamente a correlação internacional de forças.
Os antigos impérios coloniais europeus saíram enfraquecidos da guerra.
Nas décadas seguintes, movimentos de libertação avançariam pela Ásia, África e Oriente Médio.
A coincidência histórica do dia é marcante:
enquanto o Japão formalizava sua capitulação, Ho Chi Minh proclamava a independência do Vietnã.
O fim da guerra mundial abria uma nova etapa de luta contra o colonialismo.
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Nascia no Recife, em 2 de setembro de 1943, Luiz José da Cunha, posteriormente conhecido como Comandante Crioulo.
Militante estudantil e integrante do Partido Comunista Brasileiro, aproximou-se posteriormente da Ação Libertadora Nacional — ALN, organização de resistência armada à ditadura militar.
Crioulo estudou história do movimento operário, filosofia e economia política e tornou-se um dos dirigentes da organização.
Foi assassinado pela repressão em 13 de julho de 1973, em São Paulo.
Durante décadas, as circunstâncias de sua morte foram encobertas pelo regime.
Em 2 de setembro de 2006, exatamente no dia em que completaria 63 anos, seus restos mortais foram sepultados no Recife.
Sua trajetória integra a memória dos brasileiros que enfrentaram a ditadura e pagaram com a própria vida pela resistência.
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Em 2 de setembro de 1957, o governador do Arkansas, Orval Faubus, anunciou o uso da Guarda Nacional para impedir estudantes negros de entrar na Central High School, em Little Rock.
Os nove estudantes ficariam conhecidos como Little Rock Nine.
A tentativa de barrar sua entrada ocorreu três anos depois de a Suprema Corte dos Estados Unidos declarar inconstitucional a segregação racial nas escolas públicas.
A resistência dos estudantes transformou Little Rock em símbolo mundial da luta contra o racismo institucional e a segregação.
A conquista formal de um direito não havia eliminado a resistência política daqueles interessados em manter a velha ordem racial.
Foi necessária organização, coragem e mobilização para transformar uma decisão judicial em realidade.
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O Atlético-MG venceu o Cruzeiro por 2 a 1 na Arena MRV e garantiu vaga na próxima fase da Copa do Brasil.
⚽ Cruzeiro: Kaio Jorge, de pênalti, aos 30 minutos do primeiro tempo.
⚽ Atlético-MG: Victor Hugo, aos 32, e Fred, aos 42 minutos do segundo tempo.
Placar agregado: Atlético-MG 3 × 2 Cruzeiro
🟥 Lucas Villalba, do Cruzeiro, foi expulso.
👥 Público: 42.992 torcedores
💰 Renda: mais de R$ 4,45 milhões
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Londrina 0 × 0 Juventude
O Juventude somou um ponto fora de casa, chegou a 46 pontos e manteve a liderança da Série B.
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🕢 19h30 — Flamengo × Mirassol
🏟️ Maracanã
📺 Premiere
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🕤 21h30 — Vitória × Vasco
🏟️ Barradão
📺 Globo, SporTV, Premiere e Prime Video
➡️ Jogo de ida: Vasco 1 × 0 Vitória
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🕤 21h30 — Santos × Palmeiras
🏟️ Vila Belmiro
📺 Globo, SporTV, Premiere e Prime Video
➡️ Jogo de ida: Palmeiras 3 × 0 Santos
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