EUA não estão ‘roubando’ petróleo venezuelano, diz secretário de energia americano
Fonte: estadao.com.br | Data: 03/09/2026 01:02:11
Como a falência da Venezuela ajudou a mudar a América Latina
Êxodo de milhões de venezuelanos mudou a demografia e colocou imigração, segurança e rejeição aos estrangeiros no centro da política latino-americana. Crédito: Coluna: Rodrigo da Silva; Apresentação: Amanda Fleure;
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, negou que os Estados Unidos estejam “roubando petróleo venezuelano”. A declaração foi feita nesta quarta-feira, 2, após críticas ao acordo entre os dois países, que inclui a exploração de 20% das reservas da Venezuela.
“Claro que isso não é verdade”, disse o secretário de energia americano. “Os recursos, o petróleo da Venezuela, pertencem de fato ao povo venezuelano”, afirmou quando questionado sobre o assunto por um pequeno grupo de jornalistas na pista do Aeroporto de Maiquetía, no país latino.

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, durante a assinatura do acordo para exploração do petróleo do país latino nesta quarta, 2.
Foto: Juan Barreto/AFP
“Empresas privadas fornecem o dinheiro para produzir o petróleo, mas os lucros, royalties e impostos vão para o governo e para o povo venezuelano”, afirmou ele ao final da estadia no país para assinar acordos nos setores de petróleo e energia elétrica.
“Tudo o que estamos fazendo é pegar um recurso subterrâneo ocioso que não está trazendo nenhum benefício para o povo venezuelano e fornecer o dinheiro e a tecnologia para desenvolvê-lo, de forma que beneficie a Venezuela e o mundo”, acrescentou, afirmando que existem “esquemas de compartilhamento de receita para a produção”.
Wright falou ainda da necessidade de uma reforma do setor elétrico nacional, que deve acontecer ao longo de cinco anos, citando os frequentes apagões que duram várias horas no país e o fato de que o setor petrolífero precisa de energia para funcionar. As primeiras mudanças, segundo ele, devem ser vistas dentro de seis a doze meses.
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“Precisamos de ambos”, disse ele, “eletricidade para os venezuelanos e para os produtores de petróleo”. “A boa notícia é que já existe uma enorme capacidade de geração de energia na Venezuela que não está sendo utilizada”, em barragens e outras infraestruturas, detalhou.
“Acredito que, em breve, gigawatts de capacidade serão adicionados ao sistema elétrico venezuelano simplesmente reativando parte da infraestrutura existente”, afirmou. “A prioridade número um é o povo venezuelano” e a melhoria da condição de vida da população. É mais fácil “aumentar a capacidade de geração de energia nos próprios campos de petróleo, mas ambas as coisas precisam acontecer em paralelo”.
Na frente política, em resposta às declarações de Trump mais cedo no mesmo dia, de que a Venezuela ainda “não estava pronta” para eleições, Wright disse que se trata de um processo.
“Precisamos fortalecer algumas das instituições civis na Venezuela, mas o plano para as eleições não mudou em nada”, continuou. “Precisamos estabilizar o país, fazer a economia girar”, acrescentou o secretário. “Não podemos ficar de braços cruzados enquanto as eleições acontecem”, finalizou. /AFP