Debate quente: Allyson e Álvaro Dias trocam acusações sobre apreensão de arma e corrupção na saúde
Fonte: novonoticias.com.br | Data: 03/09/2026 01:36:19
O debate eleitoral promovido pelo Grupo Dial Natal (composto pelas rádios 98 FM e Jovem Pan Natal) na noite desta quarta-feira (2) foi marcado pelo clima bélico entre os candidatos Allyson Bezerra (União) e Álvaro Dias (PL). O estopim do embate foi a divulgação de um inquérito da Polícia Federal (PF) que indiciou o ex-prefeito de Natal pelo crime de porte ilegal de arma de fogo, após um revólver municiado ser localizado em sua bagagem de mão no Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, em 2023.
O episódio ocorreu em 26 de setembro de 2023, período em que Álvaro Dias geria a Prefeitura do Natal, segundo a documentação apresentada por Allyson Bezerra. Conforme os autos do inquérito policial, um revólver Taurus calibre .38 carregado com cinco cartuchos foi detectado pelo aparelho de raio-X do aeroporto, quando o então prefeito tentava embarcar em um voo da Gol para Brasília. O armamento não contava com registro ou autorização de porte declarados nos sistemas federais (Sinarm ou Sigma).
Na ocasião da ocorrência, os agentes federais retiveram o revólver para averiguação, mas permitiram que Álvaro seguisse viagem à capital federal devido à proximidade do horário do voo. Posteriormente, em depoimento formal prestado à PF, o candidato admitiu ser o proprietário do armamento, alegando tê-lo adquirido há mais de 20 anos para uso em sua propriedade rural, em Caicó, e esquecido o objeto no interior de sua maleta de mão ao trazê-lo para Natal.
O relatório final da PF, assinado em 1º de novembro de 2023, indiciou o então prefeito com base no artigo 14 do Estatuto do Desarmamento. Como não possuía antecedentes criminais, Álvaro manifestou interesse em firmar um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP). Após discussões jurídicas sobre competência, o Supremo Tribunal Federal (STF) remeteu os autos para a primeira instância na Comarca de São Gonçalo do Amarante em 17 de janeiro de 2025, onde a ação penal tem andamento.
Troca de acusações de detenção e corrupção no debate
Durante o bloco de perguntas diretas do debate das rádios, Allyson Bezerra questionou se o adversário já havia sido detido pela Polícia Federal no aeroporto. Álvaro negou a afirmação, gerando uma reação imediata de Allyson, que leu trechos da ocorrência e insistiu no questionamento sobre a propriedade do revólver. “Essa arma não é sua? Fale a verdade”, cobrou Allyson. O candidato do PL respondeu: “Essa arma é minha. É minha”, mas acusou o oponente de mentir e distorcer o episódio ao utilizar a palavra “detido”.
“Segui o voo e fui para Brasília resolver os problemas da capital do Estado. Eu não fui detido”, declarou Álvaro, chamando Allyson de “candidato de fantasia”. Em seguida, Álvaro Dias contra-atacou, trazendo ao debate as investigações da Operação Mederi da PF, que apura fraudes em contratos e desvio de verbas de medicamentos na Prefeitura de Mossoró durante a gestão de Allyson. “É negócio de porte ilegal de arma, não. Você está sendo investigado é por corrupção, rapaz. É desvio de medicamento”, rebateu o candidato do PL.
Durante debate do Grupo Dial Natal, na rádio 98 FM e Jovem Pan, o candidato ao Governo do RN, Cadu de Lula (PT), classificou o cenário da oposição no estado como um “chá revelação da direita potiguar”. Segundo o candidato, o processo eleitoral tem mostrado as duas faces de seus adversários: de um lado a “direita corrupta”, se referindo à investigações contra o ex-prefeito de Mossoró, Allyson; e, do outro, a “direita armada”, referindo-se ao fato, denunciado durante o debate, de Álvaro Dias ter sido apanhado portando ilegalmente uma arma de fogo.
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