Ingrid Guimarães e Mônica Martelli lançam o longa “Minha Melhor Amiga”
Fonte: mais.opovo.com.br | Data: 03/09/2026 01:36:17

Ingrid Guimarães e Mônica Martelli no set de “Minha Melhor Amiga”, de Susana Garcia
Resumo
Reconhecida como um dos grandes nomes da comédia brasileira e com uma carreira consolidada na TV e no cinema, Ingrid Guimarães estrela o filme “Minha Melhor Amiga” ao lado de Mônica Martelli, sob a direção de Susana Garcia. O longa, inspirado nas vivências e na profunda amizade do trio fora das telas, retrata duas amigas de meia-idade que viajam pela Europa para superar crises amorosas e a saída das filhas de casa, buscando a própria liberdade. Ao abordarem temas como o envelhecimento feminino, a quebra de amarras conjugais e a busca pelo desejo individual após os 50 anos, as artistas conectam-se com um público que busca se ver representado no audiovisual contemporâneo.
À essa altura da filmografia televisiva brasileira, Ingrid Guimarães já é um referencial que estabelece uma forte assimilação com o público. Estreando no teatro nos anos 1980, foi na TV que ela se estabeleceu como atriz principalmente de comédia. De participações em programas como “Chico Total”, “Escolinha do Professor Raimundo” e “Zorra Total”, nos anos 2000 estrelou o emblemático “Sob Nova Direção” com Heloísa Périssé.
Hoje com 54 anos, a estrela da trilogia “De Pernas pro Ar” permanece dedicada a esse legado de histórias sobre mulheres com decisões e carreiras próprias, independentemente das suas idades. Neste ano, retoma a parceria com a atriz Mônica Martelli e a diretora Susana Garcia — irmãs na vida real — com o filme “Minha Melhor Amiga”, que estreia nas salas de cinema nesta quinta-feira, 3.
Contando a história de duas amigas que decidem partir para uma viagem pela Europa para se desprenderem da vida estagnada com a saída das filhas de casa e desilusões amorosas, o filme busca dialogar diretamente com mulheres de meia-idade. Para isso, o trio partiu do que havia de mais honesto entre elas: a amizade.
“Como temos muita intimidade, eu sei extrair o melhor delas”, conta Susana ao O POVO ao explicar como dirigiu uma história tão inspirada por histórias reais das amigas na vida real, mesmo que a obra seja totalmente ficção.

Foto: DESIREE DO VALLE
Ingrid Guimarães e Mônica Martelli no set de “Minha Melhor Amiga”, de Susana Garcia
O POVO – Hoje em dia olhamos para vocês agora e vemos uma família. Essa proximidade atrapalha em algum ponto a realização do filme?
Ingrid Guimarães – Não, eu acho que isso só ajuda, porque a intimidade que temos uma com a outra tornou os processos mais rápidos e fáceis. Não só eu e a Mônica, que somos amigas há muitos anos, mas também eu e a Susana, com quem já fiz dois filmes.
Mônica Martelli – Essa intimidade que a Ingrid mencionou, essa ciclicidade que temos, é o nosso ouro. Esse é o grande diferencial do filme, porque é difícil encontrar duplas de atores que são amigas há 30 anos, que se amam, têm tanta intimidade e que conseguiram, com o olhar da Susana, levar essa verdade para as telas.
Susana Garcia – O meu grande desafio como diretora era justamente trazer para o cinema, para as telas e para as cenas, essa intimidade, diversão, alegria e espontaneidade que elas têm na vida real. Como temos muita intimidade, já trabalhei com a Ingrid em dois longas-metragens e com a Mônica em um longa e uma série, eu sei extrair o melhor delas. Nós fazíamos e repetíamos as tomadas até a cena acontecer de forma natural.
OP – Eu sei que a minha mãe vai adorar ver esse filme porque retrata essa mulher de meia-idade que quer viver de forma mais livre, após ter sido tão ponderada. Em que ponto essa vivência guiou o roteiro, ou em que medida a vivência de vocês mudou algo no processo?
Susana – Este filme nasceu de uma demanda do público a partir dos vídeos que gravávamos juntas. Quando decidimos parar todos os nossos projetos individuais para nos juntarmos e fazermos este longa, começamos do zero. Nós nos perguntamos o que realmente queríamos falar.
Decidimos que falaríamos a partir das nossas vivências, das experiências de nossas amigas e da realidade das mulheres. Trouxemos aquilo em que acreditamos, o que gostaríamos de inspirar e o que gera identificação, pois muitas daquelas situações nós ou pessoas próximas já vivenciamos.
Mônica – O projeto é muito inspirador porque traz na bagagem as nossas vivências reais, medos, crises, processos de separação, ressignificação do casamento e o medo de amar. Colocamos tudo isso na tela, e é por isso que o público se identifica tanto.

Foto: DESIREE DO VALLE
Ingrid Guimarães e Mônica Martelli no set de “Minha Melhor Amiga”, de Susana Garcia
Ingrid – Além disso, consideramos que é um excelente momento para a mulher de 50 anos. Diferente da época de nossas mães, quando essa faixa etária era silenciada, hoje a mulher de 50 anos está no centro das conversas, das capas de revistas, de grandes séries internacionais e de premiações de destaque. Sentimos que é um momento em que a mulher de 50 também está sob um olhar mais generoso.
O POVO – Ingrid, a sua personagem dialoga diretamente com esse público, e ela toma algumas decisões que podem ser controversas. Como você avalia a audácia da sua personagem para trazer discussões?
Ingrid – Foi uma decisão corajosa de nossa parte. Sabíamos que algumas pessoas se incomodariam e que alguns homens poderiam achar que estávamos levantando uma bandeira. Contudo, tudo foi construído e pensado para explicar em que estado aquele casamento já estava. Fizemos questão de não retratar um marido tóxico ou chato, ele era um homem bacana.
Susana – Quando vi aquelas mulheres aplaudindo e vibrando no cinema, percebi que estavam celebrando o fato de aquela mulher dar um passo em direção ao seu próprio desejo, libertação e ressignificação de vida.
Mônica – Para ilustrar como vivemos sob uma estrutura machista e patriarcal, o marido é apresentado desde o início como alguém acomodado em casa, sem atenção para a esposa. Ela tenta marcar um encontro em um hotel, busca reaproximação, mas na viagem eles já estão completamente desconectados. É por isso que o público feminino torce tanto para que ela consiga romper com essa situação e buscar a própria felicidade.