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UE começa hoje a restringir entrada de carnes brasileiras; veja impacto

Fonte: veja.abril.com.br | Data: 03/09/2026 07:50:29

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Pobre Juan: unidade da grife nascia em São Paulo foi indicada na categoria carne em Veja Belém Comer & Beber
A restrição não se limita à carne bovina. A medida também atinge produtos de aves, ovos, peixes, mel e tripas (Instagram/Reprodução)

A União Europeia começa a restringir nesta quinta-feira, 3, a entrada de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil no mercado do bloco. A medida impede a exportação de bovinos, aves, produtos da aquicultura, ovos, mel e tripas brasileiros para os países europeus, após o Brasil ser retirado da lista de países que atendem às exigências da UE para o uso de antimicrobianos na produção animal.

A decisão foi oficializada pela Comissão Europeia em junho e afeta um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores. Segundo o bloco, o Brasil não apresentou informações suficientes para comprovar que suas regras e práticas relacionadas ao uso de antimicrobianos estão de acordo com os padrões europeus.

Os antimicrobianos são utilizados para combater a proliferação de microrganismos, como bactérias, fungos e vírus. O uso dessas substâncias na criação animal é alvo de regras específicas na União Europeia, que afirma exigir que os países exportadores sigam padrões equivalentes aos adotados no bloco.

O governo brasileiro havia enviado informações sobre o tema à Comissão Europeia em 21 de maio, antes do prazo final, e solicitado um período de adaptação às normas europeias até 2029.

Quais produtos brasileiros são afetados?

A restrição não se limita à carne bovina. A medida também atinge produtos de aves, ovos, peixes, mel e tripas, além de animais vivos destinados à produção de alimentos.

Enquanto o Brasil fica fora da lista de países autorizados, outros integrantes do Mercosul, como Argentina e Uruguai, continuam habilitados a exportar esses produtos para a União Europeia.

Em comunicado divulgado anteriormente, a Comissão Europeia confirmou que o Brasil não poderia exportar os produtos afetados a partir de 3 de setembro de 2026.

A porta-voz europeia para a saúde, Eva Hrncirova, afirmou que o Brasil precisa comprovar o cumprimento das exigências europeias durante toda a vida útil dos animais. Segundo ela, depois de comprovada a conformidade, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações.

Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) vê com preocupação a interrupção das exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia.

A entidade diz que realizou a construção do protocolo privado de controle sobre o uso de antimicrobianos, desenvolvido pela ABIEC, pela Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade (ABCAR) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

“O protocolo, que faz parte das garantias oficiais brasileiras, já está em processo de execução junto à cadeia, sendo que 100% das empresas associadas à ABIEC e habilitadas ao mercado europeu estão aderidas”

Segundo a ABIEC, a carne bovina brasileira seguirá sendo comercializada nos mercados para os quais estiver habilitada, mas não há substituição automática do mercado europeu, uma vez que diferentes destinos demandam produtos e cortes distintos.

“Por isso, a prioridade da ABIEC é contribuir para que esse fluxo comercial seja restabelecido no menor prazo possível, preservando a diversificação dos destinos, a competitividade da cadeia e a presença internacional da carne bovina brasileira”, diz a entidade.

Decisão ocorre em meio a pressão de agricultores europeus

A decisão também ocorre em um momento de tensão entre produtores rurais europeus e o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.

O setor agrícola europeu, especialmente na França, pressinou ao longo do ano governos contra o acordo. Agricultores franceses realizaram protestos e manifestações contra a abertura do mercado europeu aos produtos dos países do Mercosul.

A Comissão Europeia defende que produtos importados precisam seguir padrões equivalentes aos exigidos dos produtores europeus.

“Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona”, afirmou em maio o comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen.

A medida representa mais uma barreira para o agronegócio brasileiro no mercado europeu e ocorre enquanto Brasil e União Europeia avançam nas relações comerciais por meio do acordo entre o bloco europeu e o Mercosul.