Justiça dos EUA intima OWS sobre R$ 2,8 bi do Banco Master
Fonte: spacemoney.com.br | Data: 03/09/2026 15:12:58
A Justiça americana determinou que a plataforma de criptomoedas One World Services (OWS) forneça um pacote de documentos e esclarecimentos sobre as transferências feitas pelo Banco Master. A decisão é do juiz Scott M. Grossman, da vara de falências do Distrito Sul da Flórida, e atende a uma solicitação do liquidante da instituição financeira brasileira. O objetivo é recompor o itinerário de US$ 531 milhões, o equivalente a cerca de R$ 2,8 bilhões, remetidos no intervalo de 2018 a 2021, período em que o banco ainda se chamava Banco Máxima e já era controlado por Daniel Vorcaro.
A disputa judicial nos Estados Unidos tenta responder a uma pergunta central: os valores enviados à OWS faziam parte do patrimônio do banco ou pertenciam a clientes que confiaram recursos à instituição? A resposta pode definir o rumo do processo de liquidação e o tratamento dado a correntistas e credores que aguardam a recomposição de perdas.
Intimação nos EUA endurece rastreamento de ativos do Banco Master
O despacho do magistrado autorizou a coleta de 16 categorias de informações. Entre os documentos exigidos estão contratos celebrados com Vorcaro e com empresas controladas por ele, relatórios de serviços prestados pela OWS, a lista de ativos mantidos sob custódia e o histórico das movimentações financeiras. Também entram no escopo os registros que possam revelar a origem dos recursos e o conteúdo de conversas travadas por meio de aplicativos como WhatsApp, Telegram, Signal e iMessage.
A empreitada não se limita, porém, ao que está nos registros formais. A justiça americana quer mapear se as operações da OWS possuíam conexões com outros negócios ligados ao grupo de Vorcaro. Procurada para comentar o assunto, a defesa do empresário optou pelo silêncio; a OWS Brasil, igualmente acionada, não retornou o pedido de entrevista. A expectativa é de que a medida acelere o andamento das apurações em curso no Brasil e nos Estados Unidos.
PF identifica 331 remessas e inconsistências em atas societárias
No Brasil, a Polícia Federal já mantinha a OWS sob monitoramento antes mesmo da decisão americana. As atenções se concentraram nas operações cambiais executadas no período que vai de dezembro de 2018 a abril de 2021, totalizando 331 remessas. Todas foram registradas como suposto aumento de capital em uma offshore da OWS localizada em Miami, um tipo de transação que, na visão dos investigadores, exige respaldo documental específico.
Ao analisar os autos, a PF teria encontrado apenas 15 atas societárias para justificar os aportes — um número muito abaixo do total de operações realizadas. Outro ponto de atenção é o possível enquadramento inadequado das remessas, o que teria reduzido a carga do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Caso a suspeita se confirme, a economia tributária obtida nas transações pode se somar a outras irregularidades já levantadas no processo de liquidação.
OWS na mira de inquéritos por lavagem de dinheiro e conexões internacionais
As suspeitas que cercam a OWS não são recentes. A empresa já havia sido objeto da Operação Colossus, deflagrada em 2022, e passou a ser investigada por suposto envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro articulados por organizações criminosas, incluindo o PCC e o Hezbollah. As apurações sugerem que a plataforma teria sido usada para adquirir criptomoedas em nome de pessoas e empresas posteriormente condenadas por atividades ilícitas, valendo-se de contas abertas no Banco Master.
No conjunto das investigações, a Polícia Federal monitora movimentações que ultrapassam R$ 60 bilhões, dos quais cerca de R$ 8 bilhões correspondem exclusivamente a operações de câmbio. Um dos personagens centrais nessa trama é Dante Felipini, conhecido como “Criptoboy”, apontado como cliente e parceiro da OWS. Felipini foi condenado em 2025 a 17 anos de prisão por lavagem de dinheiro e associação criminosa, o que reforça a percepção de que a plataforma operava com uma clientela de risco elevado.
Liquidação se expande no exterior sob coordenação da EFB
A nova ordem judicial representa um avanço na estratégia da EFB Regimes Especiais, administradora da liquidação do Banco Master no Brasil. A companhia vinha ampliando a busca por bens e ativos de Vorcaro, de parentes e de sócios nos Estados Unidos, e agora ganhou mais uma ferramenta para cruzar dados sobre o fluxo de capitais que saiu do país por meio da OWS.
Os desdobramentos desse tipo de apuração tendem a elevar o padrão de exigência de conformidade no setor financeiro e de criptoativos. Operações de câmbio registradas de forma artificial, com lastro documental frágil, podem gerar consequências graves para instituições e executivos. Você pode acompanhar as cotações e os highlights do mercado de investimentos em tempo real aqui na SpaceMoney.