Caminhada em BH busca ampliar conscientização sobre doação de órgãos
Fonte: otempo.com.br | Data: 05/09/2026 06:07:02
Uma caminhada vai levar às ruas de Belo Horizonte a discussão sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. Promovida pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), a atividade será realizada em 19 de setembro, a partir das 9h, na Praça Carlos Chagas, conhecida como Praça da Assembleia, no bairro Santo Agostinho, na região Centro-Sul. O evento é gratuito e aberto a pessoas de todas as idades.
A iniciativa é gratuita e ocorre em meio ao Setembro Verde, campanha de conscientização sobre a doação de órgãos, e busca aproximar a população de um tema que pode representar a diferença entre a vida e a morte para milhares de pessoas.
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Foi o que aconteceu com Djavan Yuri dos Santos, de 33 anos. Ele estava com o filho de 11 anos quando recebeu a notícia de que receberia um novo fígado, após ter o órgão comprometido por um câncer. O transplante, realizado em março deste ano, salvou sua vida. “Encontrei força no meu garoto, e o transplante, em março deste ano, salvou minha vida”, conta.

A caminhada do HC-UFMG pretende justamente ampliar o diálogo com a população. Para José Aparecido Rezende, coordenador da Caminhantes — caminhada pela doação de órgãos do hospital —, levar o assunto para fora do ambiente hospitalar é uma forma de aproximar a sociedade da discussão.
“A realização deste evento fora do ambiente hospitalar, junto à comunidade, constitui uma importante ferramenta de aproximação, diálogo e conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos”, afirma.
A programação terá, além da caminhada, depoimentos de profissionais e pacientes transplantados, aferição de pressão arterial e glicemia, palestras sobre nutrição e apresentações musicais.
Segundo Rezende, a conversa é importante porque a doação de órgãos depende da autorização da família. Por isso, ele defende que as pessoas conheçam o processo, reflitam sobre a própria vontade e conversem com os familiares sobre o assunto.
A recusa familiar é de 29,4% em Minas, abaixo da média nacional, de 45%. Conforme dados do Ministério da Saúde, Minas é o segundo estado que mais realizou doações em números absolutos, atrás apenas de São Paulo. Foram 985 em 2025 e 631 até 4 de setembro deste ano. Atualmente, 4.447 pacientes aguardam por um transplante no Estado, segundo o Ministério da Saúde.
História de transplantes
O HC-UFMG tem uma história de mais de cinco décadas ligada aos transplantes em Minas Gerais. Em 1969, o hospital realizou o primeiro transplante de órgãos do Estado, quando um homem de 32 anos recebeu um rim da irmã.
Atualmente, a instituição é credenciada para realizar transplantes de coração, rins, fígado, medula óssea, pulmão e córneas, todos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Em Minas, outros três hospitais universitários federais da rede HU Brasil também realizam transplantes: o Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), o Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) e o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM). Juntos, os quatro respondem por mais de 230 dos mais de 600 transplantes realizados no Estado até o momento.
No caso de Djavan, o transplante trouxe uma nova perspectiva de vida. “Dou valor a cada abraço, cada sorriso, cada ‘eu te amo’. Tudo tem mais valor. Além disso, vivo não só por mim, mas também pelo meu doador. O ato dele é gratificante. Se não fosse ele, eu não estaria aqui”, diz.