Ninguém deveria enfrentar sozinho uma dor que poderia ser compartilhada
Fonte: diariodonordeste.verdesmares.com.br | Data: 05/09/2026 06:05:26
Setembro Amarelo nos convida a falar sobre um assunto que, muitas vezes, preferimos silenciar: a saúde emocional de crianças e adolescentes. Mais do que discutir o suicídio, porém, precisamos aprender a reconhecer os sinais de sofrimento antes que ele chegue a um ponto extremo.
Entre esses sinais, merece atenção especial o bullying e, cada vez mais, o cyberbullying. Uma apelido que humilha, uma foto compartilhada para ridicularizar, um comentário cruel em uma rede social ou a exclusão deliberada de um grupo podem parecer pequenos episódios para quem observa de fora. Para quem sofre, entretanto, podem representar uma experiência diária de rejeição, solidão e desvalorização.
O problema é que o bullying não termina quando o aluno sai da escola. Com o celular, a violência pode acompanhar o adolescente para dentro de casa, alcançar centenas de pessoas e permanecer registrada na internet. O que antes terminava no portão da escola pode, agora, continuar durante todo o dia.
É importante, contudo, não estabelecer uma relação automática entre bullying e suicídio. O comportamento suicida é complexo e resulta de diferentes fatores. Mas sabemos que experiências de violência, humilhação, isolamento e falta de pertencimento podem agravar o sofrimento emocional de quem já enfrenta outras dificuldades.
No Ceará, o Boletim Epidemiológico de Suicídios da Secretaria da Saúde do Ceará, publicado em 2025, mostra que, entre 2010 e 2024, a taxa de mortalidade por suicídio, na faixa de 10 a 19 anos, variou de 2,7 a 5,2 óbitos por 100 mil habitantes. Em 2024, ficou em 3,6 por 100 mil. Entre crianças de 0 a 9 anos, a taxa permaneceu próxima de zero. Nesse contexto, o Plano Estadual de Prevenção da Autolesão e do Suicídio 2025–2027 do Ceará menciona, expressamente, bullying e cyberbullying entre os fatores relacionados à vulnerabilidade de adolescentes e jovens ao suicídio.
Neste Setembro Amarelo, talvez a mensagem mais importante seja simples: ninguém deveria enfrentar sozinho uma dor que poderia ser compartilhada. Às vezes, uma conversa pode não resolver tudo. Mas pode ser o começo de uma ponte. E, quando falamos de prevenção, construir pontes pode salvar vidas.