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Defesa terá R$ 148 bilhões em 2027 e reforçará projetos militares estratégicos

Fonte: brasil247.com | Data: 05/09/2026 09:37:26

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247 – O Ministério da Defesa deverá contar com cerca de R$ 148 bilhões no Orçamento de 2027, montante que coloca a pasta entre as maiores dotações previstas pelo governo federal para o próximo ano. Parte dos recursos financiará projetos considerados estratégicos, como o submarino nuclear brasileiro, a compra de caças Gripen, a produção de blindados Guarani e o desenvolvimento de mísseis e foguetes de precisão.

As informações constam da proposta orçamentária enviada ao Congresso Nacional e foram detalhadas pelo g1. Do valor total destinado à Defesa, aproximadamente R$ 108 bilhões serão empregados em despesas com pessoal e encargos sociais, incluindo militares da ativa, inativos e pensionistas.

Outros R$ 21,7 bilhões serão destinados às despesas correntes, enquanto R$ 12,7 bilhões foram reservados para investimentos, o equivalente a cerca de 8,6% do orçamento da pasta. Também há previsão de gastos relacionados a juros e amortização da dívida.

Segundo dados do Portal da Transparência, administrado pela Controladoria-Geral da União (CGU), o país possui cerca de 365 mil militares ativos, 268 mil pensionistas, 91 mil militares reformados, 23 mil aposentados e 81 mil reservistas.

Defesa supera orçamento de diversas pastas

A dotação prevista para o Ministério da Defesa supera, individualmente, os recursos reservados para uma série de outras áreas do governo federal.

A proposta prevê R$ 27,5 bilhões para Justiça e Segurança Pública, R$ 19,4 bilhões para Transportes, R$ 15,9 bilhões para Ciência e Tecnologia, R$ 15,7 bilhões para Cidades e R$ 12,4 bilhões para Agricultura.

Também ficam abaixo da Defesa as dotações de Comunicações, com R$ 8,6 bilhões; Minas e Energia, com R$ 8,1 bilhões; Desenvolvimento Agrário, com R$ 7,5 bilhões; Relações Exteriores, com R$ 5,6 bilhões; Meio Ambiente, com R$ 4,9 bilhões; Cultura, com R$ 4 bilhões; e Turismo, com R$ 2,3 bilhões.

Esporte e Povos Indígenas terão R$ 1,7 bilhão cada. Direitos Humanos contará com R$ 554 milhões; Mulheres, com R$ 312 milhões; e Igualdade Racial, com R$ 187 milhões.

Novo PAC concentra R$ 10,2 bilhões em projetos militares

Dentro do orçamento de investimentos, o Ministério da Defesa relacionou 16 projetos vinculados ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que deverão receber R$ 10,2 bilhões em 2027.

Na Marinha, um dos principais destaques é o programa nuclear, responsável pelo desenvolvimento do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (Labgene), instalado em Iperó, no interior de São Paulo.

O laboratório funciona como protótipo em terra da planta de propulsão nuclear que deverá equipar o futuro submarino nuclear brasileiro. A previsão é de R$ 1,4 bilhão para essa frente em 2027.

A continuidade das atividades ligadas diretamente ao submarino nuclear terá cerca de R$ 400 milhões. Até maio deste ano, segundo os dados apresentados pelo governo, haviam sido gastos R$ 5,8 bilhões de um orçamento total projetado em R$ 22,6 bilhões. A conclusão está prevista para 2037.

Outro projeto da Marinha é o das Fragatas Classe Tamandaré, que receberá R$ 900 milhões em 2027. O programa prevê a construção de quatro embarcações até 2030, dotadas de sistemas de armas voltados à proteção da chamada Amazônia Azul, região marítima sob jurisdição brasileira.

O governo informou ainda que os submarinos convencionais Riachuelo, Humaitá e Tonelero já foram incorporados à estrutura operacional da Marinha. O Almirante Karam encontra-se em fase de comissionamento e preparação para testes no mar.

A construção de navios-patrulha de 500 toneladas contará com R$ 115 milhões. O programa prevê a entrega de 12 embarcações destinadas à proteção de atividades econômicas nas águas brasileiras, fiscalização naval, salvaguarda da vida humana e enfrentamento de ilícitos transnacionais e ambientais.

Exército terá recursos para blindados, mísseis e vigilância de fronteiras

No Exército, a produção das viaturas blindadas Guarani deverá receber R$ 1 bilhão no próximo ano. A previsão apresentada pelo governo é de entrega de 116 unidades em 2027.

O programa busca substituir veículos antigos e reforçar a produção nacional ligada à indústria de defesa.

Também estão previstos investimentos em sistemas compostos por mísseis de longo alcance, foguetes guiados de precisão, munições, componentes e estruturas para manutenção dos equipamentos.

O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) poderá receber R$ 467 milhões. O objetivo informado pelo governo é elevar a capacidade de atuação do Estado ao longo da faixa de fronteira do país.

Outros R$ 520 milhões deverão ser aplicados na implantação do Sistema de Aviação do Exército, incluindo aquisição de aeronaves, veículos aéreos não tripulados, simuladores e equipamentos de sensoriamento e alerta.

Gripen concentra maior projeto de investimento da FAB

Na Força Aérea Brasileira, o principal programa de investimento é o FX-2, responsável pela aquisição dos caças Gripen fabricados em parceria com a sueca Saab.

A proposta orçamentária destina R$ 2,81 bilhões ao projeto em 2027. Os recursos também envolvem armamentos, simuladores de voo, transferência de tecnologia, suporte logístico e integração de sistemas.

Até agora, 12 aeronaves foram entregues. Outras quatro deverão ser incorporadas à FAB em 2027.

O programa do cargueiro KC-390 terá R$ 572 milhões no próximo ano. A aeronave é utilizada em transporte de tropas e cargas, reabastecimento em voo, evacuação aeromédica e missões de combate a incêndios. A previsão é de entrega de mais uma unidade.

Também foram reservados R$ 338 milhões para a modernização do Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro, incluindo melhorias em aeronaves A-29 Super Tucano.

Múcio já alertou para falta de equipamentos

A situação das Forças Armadas e a necessidade de atualização de equipamentos têm sido mencionadas por integrantes do governo. Em uma declaração durante evento, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, ironizou as limitações da estrutura militar brasileira ao comentar uma pergunta sobre uma eventual invasão dos Estados Unidos.

“Dia desses um jornalista me perguntou: ‘Se os Estados Unidos quiserem invadir o Brasil, o que o senhor faz como ministro da Defesa? Abrir o portão, porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão’”, afirmou Múcio.

Segundo o próprio Ministério da Defesa, a função da pasta é coordenar a atuação integrada das Forças Armadas com foco na garantia da soberania nacional.

A pasta destaca que o Brasil está há quase 150 anos sem participar diretamente de um conflito bélico, com exceção da Segunda Guerra Mundial, mas sustenta que a tradição diplomática e pacífica do país não elimina a necessidade de capacidade militar de dissuasão.

“Essa orientação pacífica, no entanto, não permite que a nação negligencie a possibilidade de eclosão de cenários hostis. Dono de vastos recursos naturais, industriais e tecnológicos, o país entende que, para além da cooperação com diferentes nações, tem de estar preparado para dissuadir potenciais ameaças provenientes de qualquer parte do globo”, afirma o ministério.

Operação Acolhida e ações em terras indígenas

Além dos grandes projetos militares, o orçamento também prevê recursos para atividades de assistência e apoio logístico conduzidas pelas Forças Armadas.

O governo informa que cerca de 10 mil militares já participaram da Operação Acolhida, criada para atender migrantes e refugiados que chegam ao Brasil pela fronteira com a Venezuela.

“Até o momento, cerca de 10 mil militares das Forças Armadas já foram empregados na operação, que conta com reconhecido sucesso pelas Nações Unidas. São atendidas, em média, 500 pessoas por dia, sendo que, nas tarefas de Ordenamento da Fronteira, as Forças Armadas realizam emissão de documentos, vacinação e controle de imigração, entre outros serviços”, afirma a proposta orçamentária.

Também foram destinados R$ 204 milhões para ações emergenciais em terras indígenas. Segundo o governo, os recursos financiarão atividades de monitoramento, inteligência, apoio logístico, compra e manutenção de equipamentos e suporte a operações executadas em cooperação com outros órgãos federais.

“Os recursos destinam-se ao levantamento de dados de monitoramento, atividades de inteligência, apoio logístico, aquisição e manutenção de equipamentos e insumos, contratação de serviços e aperfeiçoamento das capacidades de mobilização e emprego operacional”, diz o texto encaminhado ao Congresso.

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