Super El Niño no Brasil: usinas térmicas podem ser ligadas já em setembro
Fonte: estadao.com.br | Data: 05/09/2026 12:16:59
Entenda como funciona o El Niño
O fenômeno natural nasce do aquecimento anormal das águas do Pacífico e pode alterar o padrão de chuva e calor em diferentes partes do mundo. Crédito: Arte Estadão
As usinas térmicas do Brasil podem ser ativadas em setembro devido ao impacto do Super El Niño, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Projeções indicam chuvas acima da média no Sul e temperaturas normais a altas no país. O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, destaca a necessidade de monitoramento contínuo. Cenários variam de condições hidrometeorológicas desfavoráveis no Sudeste e Centro-Oeste a um aumento na demanda de carga, exigindo uso de termelétricas e reservas de potência.
As usinas térmicas do País podem ser ligadas já neste mês diante dos possíveis impactos do Super El Niño no Brasil, segundo apresentação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) no Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Pelas projeções, em setembro, a indicação é de chuva acima da média nas bacias da região Sul e próxima à histórica nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. As temperaturas podem oscilar entre a normal e acima da média em grande parte do País.
“O operador acompanha com atenção as condições do sistema nos próximos meses, que marcam a transição entre os períodos seco e úmido, considerando as particularidades das regiões para adotar as medidas operativas mais adequadas a cada cenário. Também estaremos atentos à evolução do fenômeno El Niño, trazendo mês a mês as recomendações ao CMSE”, afirma o diretor-geral do ONS, Marcio Rea.
Segundo as projeções do órgão, em um cenário superior durante o período do El Niño, que dura até fevereiro de 2027, as condições hidrometeorológicas são menos favoráveis, principalmente no Sudeste e no Centro-Oeste, quando comparadas ao estudo anterior.

Efeitos do El Niño mostram sistema elétrico brasileiro ainda dependente de usinas térmicas, que geram energia mais cara.
Foto: Fabio Motta/Estadao
Contudo, as regiões, assim como o Nordeste, têm perspectiva de início do período úmido dentro da normalidade. No Norte, as vazões têm projeções mais moderadas. Para o subsistema Sul, mantêm-se condições favoráveis por conta da precipitação.
Já no cenário menos favorável, de acordo com o ONS, a expectativa é de aumento da demanda de carga, combinada a condições hidroenergéticas menos favoráveis, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e Norte. “Nesse contexto, há o indicativo de despacho da totalidade dos recursos termelétricos e da necessidade de utilização da reserva de potência operativa já a partir de setembro”, ressaltou o órgão.
Pelos resultados apresentados, entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, as condições de afluências no Sistema Interligado Nacional (SIN) deverão variar entre 111% e 80% da média histórica (MLT), respectivamente, na previsão mais favorável e na menos otimista.
Se a projeção otimista se confirmar, a Energia Armazenada (EAR) no Sudeste e no Centro-Oeste chegaria, ao final de fevereiro de 2027, a um valor 13,2 ponto porcentual (p.p.) acima do registrado no mesmo período de 2026. Já na hipótese menos favorável, ficará 13,7 p.p. abaixo do verificado no mesmo mês avaliado.
As mesmas projeções para o SIN indicam, para o final de fevereiro de 2027, 15,3 p.p. acima do mesmo período de 2026, na condição otimista; e, no cenário menos favorável, 10,6 p.p. inferior àquele verificado no mesmo mês do ano passado.