Extrema-direita vence eleições estaduais na Alemanha e amplia pressão sobre Merz
Fonte: brasil247.com | Data: 07/09/2026 05:56:11
247 – O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve uma vitória histórica nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha, ao alcançar 44% dos votos e impor uma derrota contundente aos conservadores do chanceler Friedrich Merz.
Segundo a Reuters, o resultado coloca a AfD mais perto de assumir pela primeira vez o governo de um estado alemão desde o fim da Segunda Guerra Mundial, embora o partido não tenha conquistado maioria absoluta e ainda enfrente dificuldades para formar uma coalizão.
A votação reforça o avanço da legenda no cenário político alemão e amplia a pressão sobre o governo federal. A eleição também teve forte participação popular, de cerca de 77%, segundo a emissora ZDF.
Ulrich Siegmund, de 35 anos, principal candidato da AfD na Saxônia-Anhalt, celebrou o desempenho como um marco para o partido.
“Fizemos história neste país”, afirmou.
“O povo deixou absolutamente claro que finalmente quer uma mudança política e, acima de tudo, mostrou que a quer conosco”, acrescentou Siegmund.
O dirigente tem apresentado a conquista da Saxônia-Anhalt como uma etapa para uma possível chegada da AfD ao poder nacional nas eleições federais previstas para 2029.
Pressão sobre o governo Merz
O resultado representa um forte revés político para Friedrich Merz, cuja popularidade caiu em meio à insatisfação com seu governo e às dificuldades da maior economia da Europa.
Uma pesquisa da emissora ARD mostrou que 87% dos eleitores da Saxônia-Anhalt estão insatisfeitos com o governo federal.
Para Marcel Fratzscher, presidente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, a eleição refletiu diretamente essa rejeição.
“Este resultado eleitoral é, acima de tudo, um voto de desconfiança no governo federal”, afirmou à Reuters.
Merz tenta implementar reformas econômicas e ampliar investimentos para reanimar a economia alemã. Durante a campanha, advertiu que uma vitória da AfD poderia prejudicar a imagem da Saxônia-Anhalt e afastar investimentos estrangeiros.
Siegmund, por sua vez, chegou a classificar o próprio chanceler como o “melhor cabo eleitoral” da AfD, em referência à baixa popularidade de Merz no estado.
Formação de governo permanece incerta
Apesar da vantagem expressiva nas urnas, ainda não está claro se a AfD conseguirá formar um governo estadual.
Os principais partidos alemães mantêm a política de não estabelecer alianças com a legenda, classificada como extremista de direita pelo escritório regional do serviço de inteligência doméstica alemão.
Uma possível exceção poderia vir da pequena Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), que indicou estar perto de superar a cláusula mínima necessária para entrar no Parlamento estadual.
O BSW levantou a possibilidade de um governo comandado por um primeiro-ministro independente, sustentado por maiorias variáveis no Parlamento, inclusive com votos da AfD.
Siegmund rejeitou a hipótese, classificando o modelo como uma “bagunça”.
“Se chegar a esse ponto, haverá simplesmente novas eleições”, declarou.
Os conservadores de Merz também disseram que buscarão negociações com outras forças políticas, embora a formação de uma maioria possa depender da aproximação entre partidos com programas profundamente distintos.
AfD avança no cenário nacional
Com pouco mais de 2 milhões de habitantes, a Saxônia-Anhalt é um dos menores estados alemães, mas o resultado eleitoral tem peso político por mostrar a expansão acelerada da AfD.
Criado em 2013, o partido aparece atualmente na liderança das pesquisas nacionais. Um levantamento recente do instituto INSA citado pela Reuters atribui à legenda 28% das intenções de voto, contra 20% dos conservadores.
A AfD tenta transformar essa força eleitoral em poder institucional e defende uma plataforma que inclui forte restrição à imigração, retomada de relações mais próximas com a Rússia, redução do apoio à Ucrânia e saída da Alemanha da zona do euro.
O avanço do partido ocorre em meio ao crescimento de forças de extrema-direita em diferentes países europeus, embora a história do nazismo na Alemanha torne particularmente sensível qualquer aproximação entre partidos tradicionais e a AfD.
A legenda rejeita as acusações de extremismo e afirma que elas representam uma tentativa de desqualificar seus milhões de eleitores.
Agenda prevê linha dura contra imigração
Durante a campanha, a AfD explorou a insatisfação de parte da população com os partidos tradicionais e apresentou uma agenda baseada em políticas conservadoras e nacionalistas.
Entre suas propostas está a adoção de restrições mais severas à imigração e a criação de classes separadas para filhos de refugiados.
O partido também defende mudanças nas escolas e instituições culturais, com maior ênfase em valores considerados tradicionais.
A legenda propõe proibir bandeiras com as cores do arco-íris nas escolas, determinar o hasteamento diário da bandeira alemã e estimular a execução do hino nacional em celebrações escolares.
Outras medidas incluem patrulhas formadas por cidadãos, aumento do ensino de língua russa nas escolas e interrupção da construção de novos parques de geração de energia eólica.
A vitória também foi celebrada por representantes da extrema-direita em outros países europeus. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou em sua rede Truth Social uma imagem com o resultado da eleição, sem acrescentar comentários.
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