Governo inclue na lista federal obra de gasoduto privado para abastecer usinas de energia
Fonte: mthoje.com.br | Data: 07/09/2026 09:37:32
O governo federal adicionou um projeto de constru��o de gasoduto, de responsabilidade da empresa privada TAG, ao Programa de Acelera��o do Crescimento (Novo PAC). A obra visa abastecer usinas termoel�tricas contratadas em um leil�o recente, que gerou pol�mica por pre�os altos e cr�ticas do setor de energia limpa.
O governo federal incluiu um novo projeto de constru��o de gasoduto em seu programa de investimentos, o Novo PAC. A iniciativa tem como objetivo garantir o abastecimento das usinas termoel�tricas que ganharam um grande leil�o de energia el�trica recente. Essa a��o representa a amplia��o da rede da empresa Transportadora Associada de G�s (TAG), focada na regi�o Nordeste do Brasil. A decis�o de incorporar a obra ao programa ocorreu em 14 de julho, por ordem do Comit� Gestor do PAC, sob a coordena��o da Casa Civil, atendendo a uma solicita��o do Minist�rio de Minas e Energia (MME).
Um ponto importante � que se trata de um empreendimento totalmente privado. A empresa TAG � a �nica respons�vel pela execu��o, sem receber dinheiro do or�amento da Uni�o. O investimento estimado para a constru��o � de R$ 1,5 bilh�o, valor que ser� arcado integralmente pela pr�pria companhia, sem subs�dios diretos do governo federal.
O que � o Novo PAC e por que essa inclus�o gera debate
Em mar�o deste ano, o governo contratou usinas termoel�tricas e hidrel�tricas para fornecer energia ao sistema nacional pelos pr�ximos 15 anos. Esse processo, conhecido como megaleil�o, levantou muitas discuss�es e cr�ticas. As principais pol�micas envolvem o custo elevado dos contratos e o fato de que apenas tr�s grandes grupos dominaram as aquisi��es: BTG Pactual, grupo �mbar e Petrobras. A expectativa � que esses contratos possam aumentar a conta de luz das fam�lias em mais de R$ 800 bilh�es ao longo desse per�odo.
O leil�o foi questionado pela popula��o e por especialistas devido aos pre�os pagos pelo governo para contratar essa energia. Al�m disso, houve forte concentra��o de contratos em poucos grupos econ�micos, o que preocupa a livre concorr�ncia. A situa��o foi t�o delicada que a Justi�a chegou a pausar a disputa, mas a decis�o foi revertida e o resultado final foi aprovado e homologado pelas autoridades.
As primeiras usinas contratadas j� come�aram a operar em agosto. No meio dessa crise, a empresa Casa dos Ventos, uma geradora de energia e�lica pertencente ao empres�rio M�rio Araripe, tentou judicialmente anular a concorr�ncia, argumentando que o processo n�o foi justo ou transparente. At� o momento, n�o houve mudan�a completa no resultado, mas o assunto segue em discuss�o nos tribunais.
Para facilitar o entendimento, veja os pontos centrais deste caso:
- O Novo PAC agora inclui uma obra de g�s natural que n�o usa recursos p�blicos, apenas ganha prioridade burocr�tica.
- O leil�o de energia foi criticado por ser caro e favorecer poucos grupos, como Petrobras e BTG.
- As usinas contratadas queimam g�s natural, sendo mais poluentes que fontes como sol e vento.
- A empresa TAG investir� R$ 1,5 bilh�o para construir o gasoduto at� outubro de 2028.
- Defensores de energia limpa criticam a prioridade de termel�tricas em vez de baterias de sol e vento.
As cr�ticas se intensificaram porque as usinas termoel�tricas s�o op��es mais poluentes e costumam ter um custo operacional mais alto que as fontes renov�veis. O setor de energia limpa e associa��es de consumidores reclamam que, em vez de usar as baterias que guardam energia solar e e�lica, que s�o mais sustent�veis, o governo optou por essas t�rmicas. O governo, por sua vez, defende que as usinas que queimam g�s s�o essenciais para manter a luz acesa nos momentos em que a demanda � muito alta, quando o sol ou o vento n�o est�o fortes o suficiente. Eles j� anunciaram que far�o um leil�o espec�fico para baterias no futuro, mas em uma escala menor por enquanto.
Essa decis�o cria um desafio l�gico para o governo. Uma das metas principais do Novo PAC � acelerar a troca de energias sujas por fontes limpas. No entanto, a constru��o desse gasoduto serve justamente para fazer as usinas poluentes ligarem a energia quando o sistema precisar. � importante lembrar que essas usinas s�o novas e ainda n�o existem; elas ainda est�o em fase de constru��o. Portanto, � um investimento em infraestrutura que garante a flexibilidade, mas tamb�m aumenta a depend�ncia de g�s f�ssil.
Por que a obra privada � tratada como prioridade nacional
Incluir uma empresa privada no pacote federal faz com que o governo trate esse projeto como uma prioridade e uma estrat�gia nacional de seguran�a, mesmo n�o colocando dinheiro do imposto do cidad�o na obra. Essa