Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Aliados de Lula cobram apuração sobre Moraes e levam crise do STF à campanha

Fonte: brasil247.com | Data: 07/09/2026 09:17:34

🔗 Ler matéria original

247 – A controvérsia envolvendo o ministro Alexandre de Moraes passou a provocar cobranças também entre candidatos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e nomes de centro, ampliando para além do campo bolsonarista o debate sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) na campanha eleitoral de 2026.

As manifestações ganharam força após a divulgação de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro dirigidas a Moraes e de acusações feitas pelo magistrado contra o ministro André Mendonça. As informações sobre a movimentação das candidaturas foram publicadas originalmente por O Globo e repercutidas pelo UOL.

Em São Paulo, a ex-ministra do Planejamento e candidata ao Senado Simone Tebet (PSB) defendeu que os episódios relacionados a Moraes sejam investigados. Tebet afirmou estar “perplexa” e “indignada” e sustentou que as circunstâncias precisam ser esclarecidas porque “ninguém está acima da lei e não é possível ter dois pesos e duas medidas”.

Também candidata ao Senado paulista, Marina Silva (Rede) cobrou explicações de Moraes, mas procurou separar a necessidade de esclarecimentos das ofensivas políticas contra a Suprema Corte.

Segundo Marina, o ministro deve se explicar “com toda transparência que a gravidade dos fatos exige”. Ela ressaltou, porém, que o episódio não deve ser utilizado para “deslegitimar” o STF.

Petista propõe código de ética para magistrados

Em Minas Gerais, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), candidata ao Senado, passou a defender a criação de regras específicas de conduta para integrantes do Judiciário.

“Precisamos de um código de ética e de mais transparência. Isso fortalece o Judiciário”, afirmou.

A discussão também chegou ao Mato Grosso do Sul. O deputado Vander Loubet (PT) e a candidata Soraya Thronicke (PSB) passaram a defender a apuração dos fatos.

Soraya afirmou que a proteção das instituições não deve ser confundida com a ausência de fiscalização sobre seus integrantes.

“Preservar as instituições não significa blindar pessoas, assim como cobrar respostas não autoriza julgamentos antecipados”, declarou.

Impeachment de Moraes divide candidaturas

Enquanto candidatos ligados à esquerda e ao centro defendem principalmente investigações, explicações públicas e mudanças institucionais, postulantes bolsonaristas mantêm o impeachment de ministros do STF como principal resposta à crise.

Guilherme Derrite (PP) afirmou que votará pelo afastamento de integrantes da Corte caso seja eleito senador. André do Prado (PL), por sua vez, declarou que Moraes não teria mais “condições” de permanecer no cargo.

A defesa do afastamento, porém, já alcança nomes fora do núcleo bolsonarista.

No Paraná, Alexandre Curi (Republicanos) classificou como “gravíssimos” os fatos envolvendo Moraes e Vorcaro e afirmou que votaria a favor do impeachment caso um processo contra o ministro fosse submetido ao Senado.

Em Minas Gerais, o senador Carlos Viana (PSD), candidato à reeleição, também defende o afastamento de Moraes. Segundo ele, uma eventual saída do ministro seria uma forma de preservar a credibilidade do próprio Judiciário.

Senado terá 54 vagas em disputa

A controvérsia coloca o STF no centro de uma eleição particularmente relevante para a relação entre os Poderes. Em 2026, serão renovadas 54 das 81 cadeiras do Senado, com duas vagas em disputa em cada unidade da Federação.

Cabe aos senadores analisar as indicações presidenciais para ministros do Supremo e julgar eventuais processos de impeachment contra integrantes da Corte. Embora o instrumento esteja previsto no ordenamento jurídico, nenhum ministro do STF foi afastado por impeachment até hoje.

O PL procura transformar as eleições para o Senado em uma disputa centrada nos limites da atuação do Supremo e na relação entre o Judiciário e o Congresso. Ao mesmo tempo, as manifestações de candidatos próximos ao governo Lula mostram que as cobranças por esclarecimentos sobre a atuação de Moraes deixaram de ser exclusividade da direita.

Um eventual pedido de impeachment, contudo, somente pode avançar se houver decisão do presidente do Senado de dar prosseguimento ao processo. Davi Alcolumbre (União-AP), atual presidente da Casa, mantém boa relação com Moraes e, segundo relatos mencionados pelas reportagens, sinalizou a aliados que não pretende autorizar a abertura de um procedimento contra o ministro.

❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com [email protected].

✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.

Marque o Brasil 247 como fonte preferida no Google:

Apoie o jornalismo independente do 247:

Cortes 247