General Theophilo critica fim da escala 6×1 e pede diálogo com empresários
Fonte: gcmais.com.br | Data: 08/09/2026 23:16:12

O candidato ao Senado pelo Novo, General Guilherme Theophilo, afirmou nesta terça-feira (8) ser contrário ao fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador exerce atividades por seis dias e tem um dia de descanso. A declaração ocorreu durante sabatina no Jornal da Cidade, da TV Cidade, e veio acompanhada de críticas à forma como o debate sobre a redução da jornada vem sendo conduzido.
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Para General Theophilo, a discussão deveria ser retomada depois das eleições. O candidato classificou a proposta como “eleitoreira” e defendeu que empresários sejam ouvidos antes de qualquer mudança nas regras trabalhistas.
Ao explicar seu posicionamento, o candidato também citou sua experiência como microempresário e afirmou que sente os impactos dos custos relacionados aos direitos trabalhistas. Segundo ele, uma eventual redução da jornada precisa considerar diferentes setores da economia e os possíveis efeitos sobre os preços pagos pelos consumidores.
Theophilo questionou, por exemplo, como a mudança poderia afetar atividades como shopping centers e aviação civil. Na avaliação apresentada pelo candidato, o aumento dos custos das empresas poderia acabar sendo repassado ao consumidor.
A declaração ocorreu no primeiro dia da série de sabatinas com candidatos ao Senado promovida pelo Grupo Cidade de Comunicação dentro da cobertura das Eleições 2026.
General Theophilo mantém posição contra o fim da escala 6×1
Durante a entrevista, o candidato foi direto ao justificar sua posição sobre a proposta de mudança na jornada de trabalho.
“Eu acho que é um debate que já passou pra depois da eleição, porque pra mim isso agora era eleitoreiro, era pra facilitar o Governo. Eu acho que tem que ouvir o empresariado. Eu sou empresário, microempresário, e estou sofrendo na pele com o direito trabalhista e com os recursos. E você tem que analisar, por exemplo, o shopping, aviação civil. Como é que vai ficar isso? Vai encarecer a passagem? No final, se a gente for pesar, quem vai sofrer é o consumidor, porque vai estourar em cima dele. Você vai beneficiar os trabalhadores de uma maneira que talvez seja irrisória, e o consumidor é que vai pagar essa conta”, declarou o candidato.
A fala coloca o impacto econômico como principal argumento utilizado por Theophilo para rejeitar a mudança. O candidato não defendeu apenas a manutenção da escala atual, mas destacou a necessidade de avaliar como uma nova jornada poderia funcionar em setores com operações contínuas ou que dependem de grande quantidade de trabalhadores.
A preocupação com o repasse de custos para o consumidor também aparece como elemento central do posicionamento. Na visão apresentada durante a sabatina, uma redução da jornada sem uma análise dos impactos sobre as empresas poderia elevar despesas e, consequentemente, pressionar preços de produtos e serviços.
O tema tem importância direta para trabalhadores e empregadores porque envolve uma mudança na organização da jornada semanal, na quantidade de dias de descanso e na estrutura de custos das empresas.
O que prevê a proposta sobre o fim da escala 6×1
O posicionamento de Theophilo ocorre enquanto uma proposta de emenda à Constituição sobre o fim da escala 6×1 avança no Congresso Nacional.
A comissão especial da Câmara dos Deputados criada para analisar o tema aprovou, por 34 votos a 4, uma PEC que prevê a redução gradual da jornada semanal máxima no Brasil. Pelo texto aprovado, a carga de trabalho passaria das atuais 44 horas semanais para 42 horas inicialmente e, posteriormente, para 40 horas.
A proposta estabelece duas etapas para a mudança.
A primeira seria implementada 60 dias após a promulgação da emenda constitucional. Nesse momento, a jornada semanal máxima passaria para 42 horas, acompanhada da previsão de dois dias de repouso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.
Depois de 12 meses, a jornada máxima seria reduzida novamente, chegando a 40 horas semanais.
A proposta ainda precisa avançar na Câmara antes de ser encaminhada ao Senado. Portanto, a aprovação na comissão especial não significa que a mudança já esteja valendo para trabalhadores e empresas.
PEC prevê regras diferentes para alguns setores
O texto aprovado pela comissão também mantém a possibilidade de acordos e convenções coletivas para regimes específicos.
Entre os exemplos estão escalas como a 12×36 e atividades consideradas essenciais, incluindo saúde, segurança, transporte e limpeza urbana. A proposta prevê que uma legislação posterior estabeleça regras próprias para essas situações.
Na prática, o texto busca permitir que determinados setores mantenham formas diferenciadas de organização do trabalho, desde que observados os limites previstos na PEC.
Entre esses parâmetros estão uma jornada máxima de oito horas por dia, limite de 40 horas semanais e dois dias de descanso semanal.
Outro ponto previsto na proposta envolve microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte. Para esses grupos, uma lei complementar deverá estabelecer regras específicas sobre jornada e escalas, com a condição de preservação dos empregos.
Essa previsão dialoga diretamente com a preocupação apresentada por General Theophilo durante a sabatina, já que o candidato se identificou como microempresário e afirmou sentir os efeitos dos custos trabalhistas.
Debate sobre escala 6×1 envolve trabalhadores e empresários
A discussão sobre o fim da escala 6×1 ultrapassa a questão sobre quantos dias por semana o trabalhador deve exercer suas atividades. A proposta envolve também produtividade, custos empresariais, organização dos turnos e funcionamento de setores que não podem interromper suas operações.
É justamente nesse ponto que o posicionamento de Theophilo concentra sua argumentação.
Ao citar shopping centers e aviação civil, o candidato chamou atenção para atividades que dependem de funcionamento em diferentes horários e dias da semana. Uma mudança na jornada exigiria reorganização das equipes, segundo a lógica apresentada pelo candidato, e poderia produzir impactos diferentes de acordo com cada segmento.
A PEC aprovada pela comissão tenta contemplar parte dessas diferenças ao preservar a possibilidade de acordos e convenções coletivas para regimes específicos.
O texto também prevê prazo de adaptação para contratos públicos e terceirizados. Nesses casos, a redução da jornada só seria aplicada depois de alteração contratual, com prazo de até 12 meses para adequação.
Para profissionais de alta remuneração e qualificação, a proposta também prevê mudanças nas regras obrigatórias de controle de jornada.
Esses pontos mostram que a discussão no Congresso não se resume à substituição automática da escala de seis dias de trabalho por um modelo uniforme para todas as profissões. O texto aprovado estabelece diferentes mecanismos para setores e categorias com características específicas.
Eleições 2026 colocam escala 6×1 no debate político
A declaração de General Theophilo insere a escala 6×1 entre os temas trabalhistas que podem ganhar relevância na disputa pelas duas vagas ao Senado destinadas ao Ceará.
O candidato defendeu que o setor empresarial participe diretamente da discussão e afirmou que uma mudança nas regras precisa considerar seus efeitos sobre a economia.
Depois de Theophilo, a programação de sabatinas prevê entrevistas com Luizianne Lins (Rede), Cid Gomes (PSB), Capitão Wagner (União Brasil) e Alcides Fernandes (PL).
As entrevistas televisivas têm duração de 20 minutos e são exibidas pela TV Cidade Fortaleza durante o Jornal da Cidade. Durante o período de propaganda eleitoral, o telejornal começa excepcionalmente às 19h05 para acomodar a programação especial.
Além da televisão, os candidatos participam de entrevistas de 40 minutos no Café com Verdade – Eleições, apresentado pelo jornalista Tiago Lima. O conteúdo também fica disponível no Spotify e no canal do GCMAIS no YouTube, além de ser transmitido pela Jovem Pan News Fortaleza, dentro do Pan News em Revista – 2ª edição, a partir das 16h, conforme o calendário definido para cada candidato.
A posição apresentada por Theophilo deverá alimentar o debate sobre os impactos econômicos e sociais da proposta. De um lado, a redução da jornada é defendida como uma mudança na organização do trabalho e na quantidade de descanso semanal. De outro, há preocupações sobre custos, contratação de mão de obra, funcionamento de setores específicos e eventual impacto sobre preços.
Com a PEC ainda em tramitação, o assunto deverá continuar sendo discutido no Congresso e também durante a campanha eleitoral. Para os candidatos ao Senado, o tema representa uma oportunidade de apresentar ao eleitorado como pretendem conciliar interesses de trabalhadores, empresas e consumidores.
No caso de General Theophilo, a posição manifestada na sabatina foi de oposição ao fim da escala 6×1 e de defesa de uma discussão que, segundo ele, deve contar com maior participação do empresariado. O candidato também alertou para a possibilidade de que parte dos custos decorrentes de uma eventual mudança seja transferida para o consumidor.