Veto à canadense Bombardier nos EUA pode favorecer a Embraer
Fonte: oglobo.globo.com | Data: 09/09/2026 04:22:41
Empresas disputam o mercado de jatos executivos
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Se o presidente dos EUA, Donald Trump, levar adiante a ameaça de impedir a fabricante de aviões canadense Bombardier de vender em território americano, a brasileira Embraer pode ser beneficiada. A Bombardier é concorrente da Embraer no mercado de jatos executivos. A disputa é acirrada principalmente no embate do Praetor 600 e do Legacy 500, da brasileira, contra o Challenger 3500, da canadense.
O cenário ainda precisa ser avaliado com cautela, especialmente porque Trump costuma voltar atrás em decisões, segundo analistas do setor de aviação. Proibir uma empresa como a Bombardier de atuar no mercado americano seria uma decisão extrema, disseram alguns especialistas. Procurada, a Embraer não comentou as possíveis medidas de Washington.
Trump fez as ameaças à Bombardier em postagens nas redes sociais anteontem, em meio a uma escalada na disputa comercial entre EUA e Canadá, iniciada em julho, quando Trump anunciou que lançaria mão de uma lei de 1930 para impor novas tarifas de 50% sobre as exportações do Canadá, atingindo produtos que somam US$ 20 bilhões de comércio por ano.
A nova sobretaxa entrou em vigor em 22 de agosto. Canadenses e americanos travaram longas negociações durante semanas até então, mas não chegaram a um acordo. O Canadá prometeu retaliar.
Thiago Nykiel, CEO da Infraway Consultoria, vê um potencial de benefício para a Embraer, mas lembrou que um bloqueio da Bombardier no mercado americano não beneficiaria a brasileira em todos seus mercados. A Bombardier está essencialmente na aviação executiva, com as famílias Challenger e Global.
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Já a Embraer tem uma linha que vai dos Phenom 100EX e 300EV, nas categorias de jatos de pequeno porte, até os Praetor 500E e 600E, jatos intermediários e de maior porte.
Na primeira categoria, praticamente não há concorrência com a Bombardier, porque a canadense saiu das categorias menores, com o encerramento da produção dos Learjet, lembrou Nykiel. A competição mais relevante começa na categoria dos jatos intermediários e de maior porte, completou o consultor:
— Na faixa das aeronaves de maior porte, a Embraer poderia capturar parte de uma eventual demanda deslocada da Bombardier. Mas também disputariam essa demanda outros fabricantes, principalmente o Citation Longitude, da Textron/Cessna, e os modelos da Gulfstream, ambas fabricantes americanas.
Capacidade instalada
Uma restrição à Bombardier poderia alterar decisões de compra e novos pedidos logo, mas transformar isso em ganho de mercado leva mais tempo. Até porque a capacidade de produção de jatos executivos da Embraer está praticamente esgotada no curto prazo.
— Há quatro fatores para que a Embraer capture eventuais benefícios: quando houver conciliação dos jatos da Embraer com clientes americanos, condições de financiamento favoráveis, disponibilidade de entrega e aprovações regulatórias e trabalhistas do mercado americano — disse o Antonio Tavares Paes, especialista em Direito Aeronáutico e sócio fundador do Costa Tavares Paes Advogados.
A Embraer — que tem uma linha de montagem na Flórida, com 3 mil funcionários — acabou saindo praticamente ilesa do tarifaço de Trump. Seus jatos e peças ficaram isentos da tarifa de 25% imposta pelo governo americano a cerca de 3 mil produtos brasileiros — essa sobretaxa específica sob a alegação de falhas na fiscalização contra a importação de bens produzidos com trabalho forçado. E isso pode ser um trunfo a ser apresentado a potenciais clientes americanos.
Durante a apresentação do balanço do segundo trimestre da empresa, o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, afirmou que existe o estudo para implementar uma nova linha de montagem nos EUA, dependendo do tamanho de novos pedidos. Existem negociações em andamento para a aquisição do avião multimissão KC-390 pela Força Aérea Americana.
— O mercado americano é o maior do mundo para aviação executiva. O Phenom 300, que teve melhorias recentemente, atende muito bem as demandas de voos costa a costa nos Estados Unidos e entre grandes polos, além de permitir acesso ao México e ao Caribe — disse Felipe Bonsenso, advogado especialista em Direito Aeronáutico.
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