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Monitoramento do clima evita apagões e gera economia de R$ 11 mi à Axia Energia

Fonte: movimentoeconomico.com.br | Data: 09/09/2026 04:49:00

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O Centro de Monitoramento e Inteligência Meteorológica (ATMOS) da Axia Energia mostra que monitorar o clima traz economia e contribui para uma melhor operação da empresa. Foto: Axia Energia/Divulgação

Numa época em que os eventos climáticos estão mais severos, iniciativas de inteligência meteorológica aplicadas ao setor elétrico geraram uma economia de R$ 11 milhões em 2026 para a empresa Axia Energia. As ações foram implantadas via Centro de Monitoramento e Inteligência Meteorológica (ATMOS), localizado na sede da companhia no Rio de Janeiro. A economia ocorreu em várias áreas. O monitoramento ajudou a evitar desligamentos provocados, por exemplo, por queimadas, que poderiam causar falta de energia e resultar em multas para a companhia. Também reduziu a necessidade de deslocamento de equipes para inspeções nas linhas de transmissão in loco, além de tornar mais rápido o restabelecimento do serviço em caso de interrupções.

Nesta primeira etapa de implantação a ser finalizada em dezembro, o investimento no centro de monitoramento ficou na faixa de R$ 5 milhões. Foram usadas tecnologias que já tinham sido incorporadas pela empresa e outras novas. O projeto juntou geolocalização, modelagem em 3D da vegetação – localizada abaixo das linhas de transmissão da companhia -, monitoramento dos ventos e dos ativos, que além das linhas de transmissão, incluem reservatórios das hidrelétricas, parques eólicos, usinas solares, entre outros.

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Segundo a gerente Executiva de Geoprocessamento de Operações da AXIA Energia, Valéria Carazzai, o monitoramento meteorológico passou a subsidiar a parte de gestão de ativos de forma integral. Ela explica que a previsão meteorológica trabalha com um cenário de curto prazo, enquanto a climática com o médio e longo prazo. As previsões subsidiam as operações nas áreas de transmissão e geração de energia elétrica.

Uma das soluções usadas é o VEC Track, um sistema de monitoramento de vegetação e queimadas implantado oficialmente este ano, mas que já vinha sendo usado em caráter de solução piloto pela empresa desde o ano passado. “Em vez de realizar inspeções presenciais ao longo dos 74 mil quilômetros de corredores de transmissão espalhados pelo Brasil, a Axia utiliza imagens de satélite, drones e tecnologia LiDAR para localizar os pontos de risco. A tecnologia permite direcionar as equipes para o campo apenas quando há necessidade de intervenção”, comenta Valéria. Antes, a fiscalização era realizada in loco pelas equipes.

O sistema que monitora a vegetação combina diversas tecnologias, como Inteligência Artificial, sensores LiDAR(que em inglês é Light Detection and Ranging), drones e imagens de satélite, para gerar as chamadas “nuvens de pontos em 3D”, que permitem medir, com alta precisão, a distância entre a vegetação e os cabos de energia nas torres, possibilitando, por exemplo, a localização precisa de pontos críticos de aproximação da vegetação dos cabos energizados. Isso permite que as equipes façam a gestão dessas áreas em ambiente computacional.

“Dependendo do tipo de vegetação, a gente escolhe a melhor tecnologia a ser usada. Isso também evita que as equipes estejam indo a campo a todo momento. A equipe só vai, quando identifica o risco propriamente dito, porque, como a tecnologia tem alta precisão, ela já vai para fazer a intervenção para eliminar o risco”, resume Valéria. No primeiro ano do projeto, cerca de 5 mil quilômetros de linhas foram mapeados com LIDAR.

De acordo com Valéria Carazzai, a empresa já identificou e eliminou praticamente 90% dos riscos mapeados nesta primeira fase, incluindo os ativos mais críticos do sistema que apresentavam mais desligamentos. Uma nova etapa prevê outros 5 mil quilômetros monitorados com LIDAR e inteligência artificial, distribuídos entre Nordeste, Sudeste, Norte e Sul. A Axia é dona de 37% das linhas de transmissão que fazem o Sistema Interligado Nacional (SIN), que leva energia a 90% dos brasileiros.

A Axia vem investindo no monitoramento há alguns anos. O centro de monitoramento é dividido em duas áreas que estão interligadas: o LIGA, que é o centro de monitoramento de ativos e o ATMOS, o centro de monitoramento atmosférico. O valor do investimento nas duas áreas totalizou R$ 75,8 milhões até 2025, dos quais R$ 33 milhões ficaram com o ATMOS e R$ 42,8 milhões com o LIGA. Para 2026, o total de investimento será de R$ 25,8 milhões nas duas áreas.

Central monitora chuva, ventos, calor e raios

O centro monitora a precipitação pluviométrica, a velocidade dos ventos e rajadas, ondas de calor e descargas atmosféricas (raios), identificando futuros eventos severos. Os raios também causam muitos desligamentos nas linhas de transmissão. Quando é identificado um evento severo, o sistema emite alertas específicos para as áreas responsáveis pelos ativos. “Com isso, podemos saber antecipadamente onde um fenômeno poderá ocorrer, quais equipamentos estão ameaçados, os materiais necessários e onde os trabalhadores devem ser mobilizados”, conta Valéria. As informações também são usadas na gestão ambiental da empresa.

A equipe do centro reúne meteorologistas, cientistas de dados e engenheiros cartográficos, que interpretam as informações e utilizam inteligência artificial para identificar qual modelo apresenta melhor desempenho em cada região do País. Esta ação é necessária porque as condições meteorológicas variam entre as regiões brasileiras. Ao identificar futuros eventos severos, as informações podem ser utilizadas, inclusive, para antecipar manutenções que já estavam programadas.

O monitoramento também é utilizado na recuperação do sistema depois de eventos extremos. Segundo Valéria, as previsões permitem identificar as melhores janelas meteorológicas para concentrar as equipes nos trabalhos de recuperação.

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