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Mendonça homologa delação de operador que revelou repasses ao Dark Horse – Revista Fórum

Fonte: revistaforum.com.br | Data: 09/09/2026 16:21:21

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira (9) o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, operador do mercado financeiro ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.

O acordo foi firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto e está sob sigilo.

Em depoimento à PGR, Freixo Junior afirmou ter sido responsável por gerar dinheiro vivo para a equipe de Vorcaro e relatou entregas de valores em espécie a terceiros indicados pelo banqueiro.

Além disso, “Mineiro” confirmou ter realizado sete transferências, que somaram US$ 12,3 milhões, para o fundo Havengate, nos Estados Unidos. O fundo foi utilizado no financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e é administrado por Paulo Calixto, advogado de imigração próximo de Eduardo Bolsonaro.

Mendonça homologa delação de “Mineiro”

André Mendonça homologou nesta quarta-feira o acordo de colaboração premiada de Antonio Carlos Freixo Junior.

Na terça-feira (8), Freixo Junior e sua defesa participaram de uma audiência com um juiz auxiliar do ministro para confirmar aspectos do acordo, entre eles a voluntariedade da colaboração.

A etapa é prevista em lei e antecede a homologação do acordo pelo relator.

Com a decisão de Mendonça, as informações apresentadas por “Mineiro” poderão ser utilizadas pelas autoridades nas investigações, respeitados os limites legais da colaboração e a necessidade de comprovação dos fatos relatados.

Dark Horse: delator confirma 7 pagamentos a fundo de advogado de Eduardo Bolsonaro a pedido de Vorcaro

O operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, afirmou em acordo de delação premiada com a  Procuradoria-Geral da República (PGR) que realizou, no ano passado, sete transferências, que somam US$ 12,3 milhões (de R$ 69 milhões) ao fundo Havengate, de Paulo Calixto, advogado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro(PL-SP). 

A informação foi revelada pelos jornalistas Malu Gaspar e Rafael Moraes Moura, do jornal O Globo, nesta terça-feira (8). Segundo “Mineiro”, as transferências foram feitas a pedido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso por suspeita de fraudes milionárias. Como mostraram investigações anteriores, Vorcaro repassou pelo menos R$ 61 milhões para o filme “Dark Horse” a pedido do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). 

O fundo Havengate foi usado no financiamento do filme que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe de Estado. Segundo a apuração do O Globo, a estreia do longa está prevista para depois das eleições. 

Segundo Mineiro, além das transferências bancárias, também foram feitas entregas em dinheiro vivo a emissários indicados por Vorcaro, inclusive em malas, que foram filmadas, de acordo com informação divulgada pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles.

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As investigações em torno do filme Dark Horse feitas pela Polícia Federal e pela PGR apuram se as transferências ao fundo foram destinadas exclusivamente para a produção do longa, ou se também serviram de financiamento para Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Desde fevereiro de 2025, o ex-deputado está morando no Texas após fugir para o país norte-americano com medo das investigações que o acusam de articular as sanções aplicadas pelo governo de Donald Trump contra integrantes do governo federal e do Supremo.  

Flávio Bolsonaro confirma que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro

Flávio Bolsonaro, confirmou, por meio de uma nota, que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

No comunicado, Flávio Bolsonaro nega irregularidades nas suas conversas com Daniel Vorcaro e afirma que estava “procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”.

Confira abaixo a íntegra da nota de Flávio Bolsonaro:

“Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ.”

Flávio Bolsonaro negociou R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, diz Intercept

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, teria tratado diretamente com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, sobre um aporte de US$ 24 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões à época, para financiar a produção de “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.

As informações foram reveladas pelo Intercept Brasil, que afirma ter tido acesso a mensagens, áudios, documentos e comprovantes bancários relacionados às tratativas.

De acordo com a reportagem, pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação dos períodos em que os valores teriam sido transferidos, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, por meio de seis operações. O dinheiro teria sido enviado ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, e ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.

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Entre os materiais obtidos pelo Intercept está uma mensagem enviada por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do banqueiro.

“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu o senador.

Vorcaro foi preso no dia seguinte, sob acusação de comandar um esquema de fraude que teria causado um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito. Já em 18 de novembro, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central.

Ainda segundo a reportagem, as negociações também teriam envolvido Eduardo Bolsonaro, o deputado federal Mario Frias e intermediários como o empresário Thiago Miranda e Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Vorcaro.

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Flávio nega financiamento e chama informação de mentira

Procurado pessoalmente pelo Intercept, Flávio Bolsonaro negou que Daniel Vorcaro tenha financiado o filme sobre Jair Bolsonaro.

“De onde você tirou essa informação? É mentira”, respondeu o senador.

Na sequência, Flávio riu e deixou o local onde concedia entrevista à imprensa, nas proximidades do Supremo Tribunal Federal.

O senador já havia negado qualquer relação entre sua família, a extrema direita e o Banco Master. Ao comentar anteriormente uma doação de R$ 3 milhões feita pelo cunhado de Vorcaro à campanha presidencial de Jair Bolsonaro, Flávio afirmou à CNN que a contribuição ocorreu “sem nenhuma vinculação, sem nenhuma contrapartida, sem nenhum contato pessoal, inclusive”.

Na ocasião, ele também declarou: “Essa conta do Banco Master está longe de chegar perto da direita”.

Áudio cita risco de “calote” em nomes do cinema americano

Segundo o Intercept, em setembro de 2025, Flávio Bolsonaro enviou um áudio a Daniel Vorcaro cobrando o restante do valor combinado e alertando para o risco de a produção ser interrompida.

Na mensagem, o senador citou o ator Jim Caviezel, escalado para interpretar Jair Bolsonaro, e o diretor Cyrus Nowrasteh.

“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim”, afirmou Flávio.

Em outro trecho do áudio, o senador reforçou a preocupação com a reta final da produção:

“Agora que é a reta final que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo”.

Pagamentos teriam passado por empresa ligada à operação

Conforme os documentos analisados pelo Intercept, parte dos recursos teria sido transferida pela Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP.

Um dos comprovantes citados pela reportagem, datado de 14 de fevereiro de 2025, mostra uma ordem de pagamento internacional no valor de US$ 2 milhões.

O fundo, segundo documentos societários mencionados pelo portal, foi registrado no Texas e tem como agente legal o escritório de Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. O corretor de imóveis Altieris Santana também aparece vinculado ao Havengate Development Fund LP.

A íntegra da reportagem do Intercept pode ser conferida aqui.