A330-900 provisório chega à GOL para apoiar certificação do widebody na empresa
Fonte: airway.com.br | Data: 10/09/2026 06:29:29
O primeiro Airbus A330-900 destinado à GOL chegou ao Brasil nesta quarta-feira (9), mas terá uma passagem relativamente curta pela companhia. O avião, que receberá a matrícula PS-WGH, terá inicialmente uma função importante no processo de certificação da empresa para operar seu primeiro widebody Airbus.
O A330neo de número de série 1903 e sem pintura pousou no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, após um voo de traslado desde Teruel, na Espanha, ainda com a matrícula 2-RANK. O jato pertence à arrendadora Avolon e havia sido operado anteriormente pela Azul como PR-ANC.
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Nas próximas semanas, a aeronave deverá ser usada pela GOL em treinamentos, inspeções e demonstrações relacionados à inclusão do A330-900 nas Especificações Operativas (EO) da empresa junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Somente após a conclusão desse processo o novo modelo poderá ser empregado pela companhia.
A chegada de um avião que posteriormente deixará a GOL para operar na Avianca pode parecer incomum, mas é prevista pelas próprias regras de certificação. A Instrução Suplementar 119-001 da ANAC estabelece que, durante o processo de inclusão de um novo tipo ou modelo nas Especificações Operativas, a empresa pode utilizar a aeronave em operações não comerciais até a conclusão do processo.

A inclusão exige ainda alterações na documentação operacional da empresa, incluindo os documentos que compõem seu sistema de segurança operacional, além da formação inicial de instrutores e examinadores, quando aplicável. O processo é conduzido em conjunto com a ANAC e pode envolver inspeções e demonstrações antes da autorização final.
Demonstração de evacuação
Uma das etapas previstas para empresas que introduzem um novo modelo com mais de 44 assentos é a demonstração parcial de evacuação de emergência. Diferentemente da conhecida prova de certificação na qual todos os ocupantes precisam deixar uma aeronave em até 90 segundos, o procedimento destinado ao operador não envolve passageiros.
Segundo o RBAC 121, a empresa deve demonstrar à ANAC a eficácia do treinamento de emergência de seus tripulantes e dos procedimentos adotados para o novo avião. Durante o exercício, os comissários precisam abrir 50% das saídas de emergência selecionadas e deixar prontas para uso as respectivas escorregadeiras.
A escolha das portas é mantida em sigilo até pouco antes da demonstração. A própria ANAC determina quais saídas serão utilizadas e, segundo a instrução que regulamenta o procedimento, representantes da companhia não participam da seleção. A tripulação deve concluir a abertura das saídas e disponibilização dos meios de evacuação em até 15 segundos.

O exercício também permite à Agência avaliar o programa de treinamento de emergência da empresa, a competência da tripulação, os procedimentos específicos estabelecidos para o A330-900 e a confiabilidade dos equipamentos de emergência instalados no avião.
Outro procedimento previsto pelo RBAC 121 é a demonstração de amerissagem para determinadas operações sobre grandes extensões de água. A aplicação das demonstrações, no entanto, depende das características da operação e de eventuais créditos ou dispensas aceitos pela ANAC. Em 2022, por exemplo, a Azul recebeu autorização para introduzir o A350-900 sem repetir as demonstrações parciais de evacuação e amerissagem porque já havia realizado procedimentos considerados equivalentes com o A330-200.
Novo avião, novos procedimentos
A introdução do A330neo será uma mudança significativa para uma empresa cuja operação atual é baseada no Boeing 737. Além da preparação dos pilotos e comissários, a documentação da GOL precisa incorporar procedimentos específicos do novo modelo, enquanto os programas de treinamento devem ser estruturados por tipo de avião para cada categoria de tripulante.
O RBAC 121 também estabelece requisitos próprios para manutenção, equipamentos de emergência, despacho e controle operacional, enquanto determinadas autorizações adicionais dependem do perfil das rotas que serão voadas. Operações de longo curso sobre grandes extensões de água, por exemplo, envolvem requisitos que não fazem parte da maior parte da atual malha da GOL.

O PS-WGH permite que parte dessa preparação seja realizada antes da entrada dos aviões que permanecerão de forma definitiva na empresa. O jato possui configuração para 377 passageiros, sendo 12 em uma cabine premium e 365 na classe econômica, herdada da Thai AirAsia X, sua primeira operadora.
Entregue originalmente em agosto de 2019 como HS-XJB, o A330-900 foi incorporado pela Azul em abril de 2024. Sua passagem pela empresa brasileira, porém, foi curta. A configuração de alta densidade destoava dos demais A330neo da Azul, com 298 lugares, e o avião acabou retirado de serviço poucos meses depois.
Após ser devolvido à Avolon neste ano, o jato foi levado para Teruel, onde permaneceu armazenado até ser preparado para a transferência à GOL. Encerrada sua utilização pela companhia brasileira, o MSN 1903 deverá seguir para a Avianca, também controlada pelo Grupo Abra.
O Grupo Abra anunciou em março que sete A330-900 serão incorporados entre 2026 e 2027. Até cinco deverão ser operados pela GOL, enquanto dois serão destinados à Avianca. Os widebodies fazem parte do plano da companhia brasileira de ter voos próprios de longo curso para destinos na América do Norte e na Europa.
Os primeiros voos para Nova York e Lisboa são feitos com jatos A330-200 da Wamos Air, empresa de ACMI.