Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Ex-dono da Reag revela em delação propinas de Vorcaro a autoridades públicas

Fonte: jurinews.com.br | Data: 10/09/2026 10:42:58

🔗 Ler matéria original

Colaborador aceitou pagar multa de R$ 40 milhões e detalhou uso de offshores para ocultar fluxo financeiro ilícito do Banco Master.

O empresário João Carlos Mansur, fundador e ex-presidente da Reag Investimentos, firmou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) que promete abalar o cenário financeiro nacional. Em seus depoimentos, Mansur afirma que fundos de investimento administrados pela Reag foram sistematicamente utilizados para ocultar o pagamento de propinas de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, a autoridades públicas. A colaboração, detalhada pelo jornalista José Marques, da Folha de S.Paulo, traz informações minuciosas sobre o papel da gestora nessas operações e identifica indivíduos que teriam atuado como interpostos, conhecidos como “laranjas”, a serviço de Vorcaro.

A delação de Mansur não se restringe apenas à identificação de beneficiários e intermediários, mas oferece um mapa completo do fluxo financeiro ilícito. Segundo o colaborador, parte substancial dos recursos investigados está alocada em estruturas offshore no exterior. A PGR avalia que, graças às informações fornecidas, esses valores poderão ser repatriados ao Brasil de forma célere, dispensando alguns dos protocolos de cooperação internacional exaustivos que normalmente travam a recuperação de ativos. Como parte das cláusulas do acordo, Mansur aceitou o pagamento de uma multa de R$ 40 milhões.

O documento da colaboração foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que detém a relatoria das investigações relativas ao Banco Master. O acordo, assinado pela PGR em 2 de setembro após uma proposta inicial apresentada por Mansur em agosto, aguarda a homologação formal. Trata-se da primeira delação premiada no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura crimes financeiros e corrupção. Embora a Polícia Federal tenha participado do início das conversas, a fase final da negociação foi conduzida diretamente pela Procuradoria.

As evidências colhidas até o momento, reforçadas pelos relatos de Mansur, apontam que Vorcaro utilizava a estrutura da Reag para drenar recursos do Banco Master e destiná-los ao seu patrimônio particular ou para a quitação de compromissos escusos. Um levantamento do Banco Central já havia detectado movimentações atípicas e irregulares entre a instituição bancária e os fundos da Reag Trust entre julho de 2023 e julho de 2024. Questionada, a defesa de Daniel Vorcaro alegou não ter tido acesso ao conteúdo dos anexos da delação, enquanto a defesa de Mansur optou por não se manifestar sobre os termos do acordo.