ONS adota IA generativa com AWS
Fonte: baguete.com.br | Data: 11/09/2026 06:36:55
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), desenvolveu um assistente de IA generativa com o Bedrock, serviço gerenciado da Amazon Web Services (AWS) que oferece acesso a LLMs e outros modelos de base.
O nome ONS talvez não diga muito para a maioria dos leitores, mas é uma parte chave do setor elétrico brasileiro, reunindo empresas do setor elétrico, governo federal e da sociedade civil com o objetivo de coordenar, controlar e planejar a operação da geração e transmissão de energia no Brasil.
A ONS já é cliente da AWS há 10 anos, tendo começado a jornada em nuvem com um portal de dados abertos, hoje com 85 datasets de temas diferentes. A plataforma é voltada ao público em geral, incluindo agentes especializados do setor, imprensa e academia.
No portal, os usuários podem acessar informações da operação do sistema, como bases de carga histórica, geração por região e dados de hidrologia, por exemplo. Alguns são restritos, com camadas de proteção, outros são totalmente abertos e os outros são limitados.
Segundo Carlos Alexandre Prado, assessor executivo da diretoria de TI e regulação do ONS, a ideia é reunir dados daquilo que aconteceu para que possam ser feitos estudos de planejamento para o futuro.
“Mas ainda tínhamos uma dificuldade de consumo, principalmente pelo público menos especializado. Olhamos para a IA como uma potencial alavancadora, tanto da utilização do portal de dados abertos como para facilitar esse acesso de públicos mais leigos”, conta Prado.
O objetivo era que as pessoas conhecessem mais odo setor e também pudessem, a partir dali, desenvolver soluções e análises por conta própria.
No segundo semestre de 2025, o órgão começou o novo projeto durante o DatathONS, um hackathon de dados promovido anualmente pelo ONS em parceria com a Liga Ventures. Na prática, a competição apresenta um desafio de dados, as universidades montam times e concorrem.
A última rodada foi justamente buscando ideias de como levar a IA para dentro do portal de dados abertos. Após apresentarem propostas, os alunos vencedores ingressaram em estágios na entidade para desenvolver a solução junto ao time de arquitetos do ONS.
A contratação dos estudantes começou em fevereiro deste ano e o desenvolvimento aconteceu em cerca de quatro meses. Batizado de TIAGO (Tecnologia de inteligência artificial generativa do ONS), o assistente está em operação desde julho.
De acordo com o executivo, o grande foco da ferramenta é embarcar no portal de dados abertos a capacidade da inteligência artificial de interpretar a linguagem natural do consumidor.
Antes, o usuário precisava saber qual dataset deveria buscar para depois pegá-lo e consumi-lo. Às vezes, ele precisava cruzar duas, três informações e não sabia como. Agora, o TIAGO faz esse processo.
O consumidor pode perguntar, por exemplo, qual foi a carga do sistema ontem ou quanto de Micro e Minigeração Distribuída (MMGD) teve na região Nordeste no total. A partir da pergunta, o assistente mostra as informações tanto na forma de texto quanto de gráficos.
A ferramenta traz sempre as fontes dos repositórios buscados e confrontados, permitindo que usuário que deseje avançar em uma análise possa saber qual é exatamente o dataset que interessa e buscá-lo.
Um mês depois do lançamento da solução, o volume de acessos saltou de 2,4 milhões para 3,5 milhões de downloads, alta de quase 50%.
“Ele começa como um elemento conversacional, típico da IA generativa, mas depois evolui para ser exatamente a engrenagem que dá base para toda a nossa estrutura de inteligência artificial”, conta Prado.
Recentemente, o ONS também disponibilizou o primeiro Model Context Protocol (MCP) do setor elétrico brasileiro, permitindo conexão de ferramentas externas de IA aos dados públicos.
“Era uma das carências também. As outras empresas estão desenvolvendo suas IAs e, para elas conversarem com o portal de dados abertos, era tudo via integração. Então, o MCP se acelera e bota as IAs de fato para conversar”, explica Prado.
Desde então, as empresas já fizeram 20 mil conexões por mês de agentes, com 6 mil usuários.
“Esse projeto coroa uma trajetória que a gente chama de estratégia de dados e IA. O ONS é uma organização muito centrada em e não temos ativos físicos da rede. Então todo o nosso trabalho é coordenar informações o tempo todo. Desde o tempo real no dia a dia até os horizontes de programação e planejamento”, afirma Prado.
No mercado há 20 anos e no Brasil há 15, a AWS abrange 123 zonas de disponibilidade em 39 regiões geográficas, com planos anunciados para mais sete zonas de disponibilidade e mais duas regiões AWS no Reino da Arábia Saudita e no Chile.
A companhia tem milhões de clientes no mundo, desde startups a grandes empresas e agências governamentais.
Segundo a multinacional, 50% das empresas brasileiras já adotaram IA, mas apenas 15% atuam no nível avançado, combinando múltiplos modelos, criando sistemas de IA personalizados ou implantando IA agêntica ou autônoma.