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Candidaturas ao Senado lideram gastos de campanha nas redes

Fonte: otempo.com.br | Data: 11/09/2026 07:08:19

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Os sete principais candidatos ao Senado por Minas Gerais gastaram, juntos, R$ 1,35 milhão em anúncios impulsionados nas redes da Meta (Instagram e Facebook) entre 10 de junho e 7 de setembro deste ano. Esse valor é quase 3 vezes maior que os R$ 555 mil gastos pelos seis principais concorrentes ao governo de Minas no mesmo período, segundo levantamento de O TEMPO feito na Biblioteca de Anúncios da Meta. À frente de todos está o senador Carlos Viana (PSD), que tenta a reeleição e sozinho investiu R$ 509,4 mil – mais do que qualquer outro nome nas duas disputas e o equivalente a 91,8% de tudo o que os seis principais candidatos ao Palácio Tiradentes somaram no mesmo intervalo.

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O gasto de Viana chama atenção também pela desproporção em relação ao tamanho de sua página oficial, que soma apenas 1,1 mil curtidas — a menor entre os concorrentes de peso nas duas disputas. Na prática, o senador pagou o equivalente a R$ 463 para cada curtida acumulada em seu perfil. A assessoria do senador atribuiu o gasto à estratégia de divulgação de sua trajetória política e afirmou que Viana recebeu menos recursos do Fundo Eleitoral. “Foi um dos que menos recebeu recurso do Fundo Eleitoral, menos de 40%, e está usando o recurso de impulsionamento nas redes sociais para mostrar o seu trabalho durante os 8 anos”, afirmou sua assessoria.

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Nenhum dos seis candidatos ao governo de Minas monitorados ultrapassou a marca de R$ 300 mil em impulsionamento no período. No Senado, dois nomes cruzaram essa linha: além de Viana, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) investiu R$ 356,7 mil, quase 4 vezes mais que Kalil (R$ 94,4 mil) e 5 vezes mais que o deputado federal Patrus Ananias (PT), que soma R$ 63,3 mil. Já o deputado federal e candidato ao Senado Aécio Neves (PSDB) aparece em terceiro lugar, com R$ 171 mil. 

Governo

Entre os candidatos ao governo, o empresário Flávio Roscoe (PL), que disputa sua primeira eleição e comanda uma página com apenas 7,4 mil curtidas, apresenta a segunda maior desproporção entre gasto e base de seguidores de todo o levantamento: R$ 16,50 para cada curtida, ante os R$ 463 de Viana. Do lado oposto, nomes com páginas mais antigas e consolidadas conseguem manter presença digital relevante gastando proporcionalmente menos. É o caso de Cleitinho, cuja página soma 2,7 milhões de curtidas e recebeu apenas R$ 4 mil em impulsionamento, o menor valor entre os 13 candidatos consultados. 

Dos concorrentes ao Palácio Tiradentes, Gabriel Azevedo (MDB) foi o que gastou menos com impulsionamento. Foram R$ 3,6 mil. O candidato atribuiu o valor baixo gasto em impulsionamento ao orçamento enxuto de campanha e afirmou que pretende concentrar os investimentos na rede nas duas últimas semanas da disputa. O candidato também relativizou a relação entre investimento em redes sociais e desempenho eleitoral, argumentando que os anúncios não substituem o contato com o eleitor. “Não confundo curtidas com votos nem gasto com convencimento. Meu objetivo é combinar conteúdo, contato direto e investimento bem planejado”, afirmou o candidato

Legislação não estipula teto de gastos

Especialista em Direito Eleitoral, o advogado Lucas Neves explica que a distorção nos gastos em redes tem um uma explicação estrutura. “A legislação estabelece limite global de gastos de campanha, mas não estabelece, atualmente, um percentual máximo que poderá ser gasto em Meta, Google, TikTok etc. Isso permite que uma campanha, dentro de seu limite global, concentre parcela expressiva de seus recursos em mídia digital”, afirma.

Enquanto o dinheiro do Fundo Eleitoral, que uma é verba bancada pelo contribuinte, pode ser direcionado quase sem restrições para anúncios pagos, a Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu as plataformas de usar seus sistemas de recomendação automatizada para dar alcance orgânico a perfis de candidatos e partidos. Na prática, a medida barrou a entrega espontânea nas abas de descoberta das redes sociais e deixou o tráfego pago como a principal, quando não a única alternativa para as campanhas ampliarem sua audiência.