Por que o lipedema parece “despertar” ou piorar tanto na menopausa?
Fonte: hallomagazine.com.br | Data: 14/09/2026 16:08:50
Para muitas mulheres, a menopausa marca uma virada que vai muito além do fim do ciclo menstrual. É nesse período que sintomas antes discretos podem ganhar força e, nesse contexto, muitas mulheres percebem ou relatam piora do lipedema, doença crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, dor, sensação de peso e facilidade para hematomas.
“A queixa de ‘não reconhecer mais o próprio corpo’ é frequente no consultório e ajuda a revelar o impacto da transição hormonal sobre o tecido adiposo. No caso do lipedema, a piora do quadro nessa fase tem relação direta com a sensibilidade do tecido gorduroso às oscilações hormonais, especialmente à queda dos estrogênios. Isso ajuda a explicar por que a menopausa pode funcionar como um gatilho para a intensificação dos sintomas”, explica o cirurgião plástico Dr. Rafael Erthal, referência no tratamento de lipedema.
“Durante a menopausa ocorre uma queda importante da produção ovariana de estrogênio, mas também uma mudança significativa na composição corporal da mulher. Há tendência ao aumento da gordura corporal, redução da massa muscular e intensificação de um estado inflamatório crônico de baixo grau, que favorece a progressão do lipedema”, completa a Dra. Patricia Magier, ginecologista e criadora do Método Plena para cuidado da mulher de forma completa, profunda e individualizada.
Mas é importante deixar algo claro: o lipedema já existia antes, mas estava no modo “silencioso”.
“O lipedema é uma doença crônica que acomete principalmente mulheres e envolve alterações do tecido adiposo, do tecido conjuntivo e da circulação linfática. Embora tenha forte influência genética, os sintomas costumam surgir ou piorar em períodos de grande mudança hormonal, como a puberdade, a gestação e a menopausa”, diz a ginecologista.
“Na menopausa, com a mudança hormonal, o tecido adiposo passa a responder de forma diferente”, explica o médico.
“Um aspecto pouco conhecido é que o tecido adiposo inflamado possui capacidade de produzir estrogênio localmente por meio da ação da enzima aromatase. Isso significa que, mesmo com níveis baixos de estrogênio circulante no sangue, pode existir uma produção de estrogênio dentro do próprio tecido adiposo comprometido. Esse ambiente favorece inflamação, retenção de líquidos, aumento da sensibilidade dolorosa e progressão das alterações características do lipedema. Por isso, muitas mulheres percebem piora da dor, do inchaço, da sensação de peso nas pernas e da dificuldade para controlar o aumento de volume corporal justamente durante a transição menopausal”, completa a Dra. Patricia Magier.
De acordo com o especialista, o lipedema não deve ser encarado apenas como uma alteração estética.
“Trata-se de uma doença com componentes metabólicos, hormonais e inflamatórios que se entrelaçam e se tornam ainda mais relevantes na transição para a menopausa”, destaca o Dr. Rafael.
“Nesse momento, a paciente costuma perceber que perdeu parte do contorno corporal, que as pernas ficaram mais pesadas e que houve uma mudança importante na distribuição de gordura. Não é só uma questão visual. Há piora funcional, desconforto no dia a dia e impacto importante na qualidade de vida”, afirma o Dr. Rafael Erthal.
Para o cirurgião plástico, compreender essas interações entre hormônios, inflamação e a fisiopatologia da doença é fundamental para frear a evolução da doença nessa fase da vida. O tratamento, reforça ele, deve ser individualizado e acompanhado por diferentes especialidades.
“O ginecologista tem um papel fundamental no diagnóstico precoce e no acompanhamento dessas pacientes, especialmente porque muitas mulheres procuram atendimento inicialmente devido aos sintomas da menopausa e não suspeitam da presença do lipedema. É importante avaliar o impacto das alterações hormonais da menopausa sobre a composição corporal, a inflamação e o metabolismo. Quando bem indicada, a terapia hormonal pode contribuir para melhora da qualidade de vida, preservação da massa muscular, redução do acúmulo de gordura central e melhora da disposição para a prática de atividade física”, diz a Dra. Patricia.
“O controle do lipedema na menopausa não depende de uma única estratégia. Em muitos casos, a paciente precisa de acompanhamento ginecológico para avaliação hormonal, cuidados clínicos para reduzir a progressão do quadro e, quando indicado, cirurgia para remover o tecido afetado e devolver conforto funcional”, diz o médico.
“A lipoaspiração para o lipedema vai reduzir o número dessas células de gordura que estão se multiplicando e vai ser muito mais fácil o controle de uma quantidade menor delas. Controlar três células é muito mais fácil do que 10!”, comenta o Dr. Rafael.
Entre as principais recomendações, segundo a Dra. Patricia, estão a adoção de uma alimentação anti-inflamatória, controle do peso corporal, prática regular de exercícios físicos, especialmente musculação e exercícios que estimulem a circulação e o sistema linfático, otimização do sono, manejo do estresse e correção de deficiências nutricionais.
“Quanto antes a mulher entende que existe um processo específico acontecendo, mais cedo conseguimos agir para reduzir dor, limitar progressão e melhorar qualidade de vida. O objetivo não é apenas mudar a aparência, mas devolver função, conforto e autonomia”, conclui o Dr. Rafael Erthal.
FONTES: *DR. RAFAEL ERTHAL: Cirurgião plástico referência no tratamento de lipedema. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e da Associação Brasileira de Cirurgia Plástica Estética (BAPS). Com mais de uma década de atuação em Medicina e Cirurgia Plástica, aprofundou seus estudos sobre lipedema na Alemanha, referência mundial na área, com foco em técnicas voltadas à preservação linfática, segurança e resultados funcionais. É criador da Lipedefinition, técnica autoral de lipoaspiração de alta definição em pacientes com lipedema, e fundador da Blue, clínica especializada em lipedema e cirurgia plástica, com destaque no cenário do turismo médico brasileiro. CRM: 838039 | RQE: 27466 | Instagram: @dr.rafaelerthal
*DRA. PATRICIA MAGIER: ginecologista formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência médica pelo IASERJ e pós-graduação pela Universidade do Rio de Janeiro – UNIRIO, e Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia – TEGO; também possui especialização em Medicina Integrativa e Funcional. Criadora do Método Plena para cuidado da mulher de forma completa, profunda e individualizada. Além disso, é mentora de médicos na formação Plena Master’s. CRM-RJ 54925-6 | RQE 34538. Instagram: @drapatriciamagier

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