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Chegada de gestantes sem pré-natal faz Florianópolis voltar a registrar recém-nascidos com HIV e sífilis, diz secretário

Fonte: ndmais.com.br | Data: 15/09/2026 05:12:54

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Casos de recém-nascidos com HIV e sífilis haviam sido zerados na capitalCasos de recém-nascidos com HIV e sífilis haviam sido zerados na capitalFoto: Foto Ilustrativa/Freepik/Divulgação/ND Mais

A atratividade e a dinâmica metropolitana da Grande Florianópolis produzem reflexos diretos sobre indicadores de saúde pública que a capital já considerava controlados.

Mulheres grávidas que migram para o município já no terceiro trimestre de gestação, sem exames laboratoriais prévios ou histórico de acompanhamento nas cidades de origem, provocariam novos registros de transmissão vertical do HIV e casos de sífilis congênita no momento do parto.

O alerta foi feito pelo titular da Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis, o médico Dr. Almir Gentil, em entrevista ao Grupo ND.

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Segundo o gestor, o protocolo da atenção básica local estabelece o mínimo de seis consultas de rotina por gestante, com repetição periódica de testes e sorologias para infecções sexualmente transmissíveis. O rastreio contínuo e precoce garante intervenções imediatas que evitam o contágio do feto ao longo da gravidez e durante o parto.

Dr. Almir Gentil explicou complexidade dos casos envolvendo recém-nascidos com HIV e sífilisDr. Almir Gentil explicou complexidade dos casos envolvendo recém-nascidos com HIV e sífilisFoto: Alan Pedro/ND Mais

O desafio surge quando a gestante chega à rede municipal nas semanas finais que antecedem o nascimento.

“O indicador de sífilis no nascimento em mulheres que são de Florianópolis é praticamente zero, porque a gente faz todo o pré-natal e repete os exames. Mas você recebe uma pessoa de outra região, que chegou no sexto, sétimo ou oitavo mês, e ela vai ter a criança aqui sem esse histórico. Tivemos transmissão vertical de sífilis e de HIV que já tínhamos zerado na nossa rede regular”, comentou.

O prefeito Topázio Neto (Podemos) contextualizou que o reflexo nas maternidades públicas decorre de uma dinâmica populacional mais ampla, estimulada pela expansão urbana.

“Você começa a ter casos que refletem a realidade de outras regiões do Brasil. São mazelas sociais que impactam na saúde, na mobilidade e nos serviços municipais”, explicou.

Pressão demográfica expõe desafios no controle de recém-nascidos com HIV

O fenômeno acompanha o ritmo acelerado de crescimento demográfico da capital catarinense. De acordo com a Prefeitura de Florianópolis, a cidade recebe diariamente entre 30 e 33 novos moradores fixos, representando um incremento superior a 12 mil habitantes por ano.

O fluxo migratório não se distribui de maneira homogênea no mapa municipal. Enquanto bairros centrais e praias do Norte da Ilha registram forte cobertura da medicina, as famílias de menor poder aquisitivo concentram-se nas periferias e comunidades urbanas.

De acordo com o secretário, territórios como Monte Cristo, Chico Mendes, Vila Aparecida e Alto Caeira possuem dependência integral da rede pública do SUS (Sistema Único de Saúde).

Nessas áreas, a chegada constante de moradores sobrecarrega as equipes de Saúde da Família, que precisam absorver novos calendários vacinais, distribuição de remédios e consultas pré-natais em postos de atendimento já saturados.

Universalidade do SUS e fluxo metropolitano desafiam rede de saúde

Além da fixação de novos residentes, a rede municipal de saúde absorve rotineiramente a demanda de municípios limítrofes da Grande Florianópolis.

Sob o princípio constitucional da universalidade e da porta aberta do SUS, as unidades de pronto atendimento não podem recusar socorro médico com base no domicílio de origem do paciente.

UPA Continente atende população de São JoséUPA Continente atende população de São JoséFoto: Divulgação/ND Mais

Esse impacto regional concentra-se de forma expressiva na porção continental de Florianópolis. Conforme dados da Secretaria de Saúde, a UPA Continente destina entre 30% e 33% de todos os seus atendimentos mensais a moradores domiciliados em São José.

Para o secretário Almir Gentil, a sustentabilidade dos índices sanitários da capital depende de busca ativa permanente nas comunidades vulneráveis e de ampliação contínua de recursos orçamentários para atender pacientes que chegam de fora do sistema local.

MultiHospital e novas parcerias reduzem volume geral de solicitações em 39% nas filas no SUS em Florianópolis

Entre o ápice da demanda represada no pós-pandemia e meados de julho de 2026, a rede municipal de saúde aumentou a oferta e reduziu em 39% o total de pedidos pendentes, baixando de 324,8 mil para 197,6 mil procedimentos em espera.

Florianópolis reduziu filas e zerou esperas históricasFlorianópolis reduziu filas e zerou esperas históricasFoto: Alan Pedro/ND Mais

O recuo foi alavancado pela operação do MultiHospital (com mais de 725 mil atendimentos desde 2024), pela atualização tecnológica da Policlínica da Mulher e da Criança e pelo credenciamento de serviços privados complementares.

O impacto consolidou-se nos exames complementares de diagnóstico:

  • Radiologia Adulto: caiu de 14.627 pedidos (julho de 2024) para 39 solicitações (julho de 2026), retração de 99,7%;
  • Endoscopia Digestiva Alta: reduziu de 10.350 pedidos (julho de 2024) para 178 solicitações (julho de 2026), queda de 98%;
  • Exames Laboratoriais: recuaram de 57.596 pedidos (fevereiro de 2024) para 1.122 solicitações (julho de 2026), baixa de 98%;
  • Tomografia Computadorizada: caiu de 11.242 pedidos (fevereiro de 2025) para 369 solicitações (julho de 2026), redução de 97%;
  • Ultrassonografia Geral: passou de 58.394 pedidos (agosto de 2025) para 1.548 solicitações (julho de 2026), retração de 97%;
  • Câncer de Mama: mamografia com compressão foi 100% zerada (de 589 para zero), diagnóstica caiu para 1 paciente (-99%) e de rastreamento caiu 90% (de 5.887 para 538 solicitações).

Critério técnico define o conceito de demanda atendida nas filas no SUS em Florianópolis

A gestão municipal esclarece que a definição de “fila zerada” empregada pela regulação técnica não equivale à inexistência de pessoas agendadas, mas à suficiência da capacidade instalada frente ao fluxo médio regular de solicitações.

“Zerar uma fila é: o estoque de exame que tenho para fazer, somado ao número de exames habitual do mês, é inferior à oferta de exames que tenho para aquele mês. Exemplo: se tenho 200 exames e entram habitualmente mais 1.000, e eu tenho uma oferta de 1.500, estou com a fila zerada”, explica o Dr. Almir Gentil.

Prefeito e secretário explicam o conceito de "zerar filas"Prefeito e secretário explicam o conceito de “zerar filas”Foto: Alan Pedro/ND Mais

O prefeito Topázio Neto reforça a distinção técnica entre atendimento programado e represamento histórico.

“A população às vezes diz: ‘Fui lá fazer uma mamografia só para daqui a três semanas’. Daqui a três semanas é fila zero! Se você for hoje na rede privada, você chega e faz amanhã? Não, né? Você tem uma fila. Então, esse conceito de fila zero é quando oferto mais do que tenho a fazer. Se for urgente, a gente fecha imediatamente.”