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Idema licencia segunda planta de hidrogênio e amônia verdes no RN – NOTÍCIAS SOBRE O RIO GRANDE DO NORTE – O POTI

Fonte: opoti.com.br | Data: 15/09/2026 08:35:57

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Idema licencia segunda planta de hidrogênio e amônia verdes do RN, em São Gonçalo do Amarante, com investimento inicial de R$ 700 milhões. Foto: Divulgação.

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) concedeu, em 2 de setembro, a licença de instalação para a segunda planta de produção de hidrogênio verde e amônia verde de maior escala licenciada no estado. O empreendimento será implantado em São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal, e terá produção anual estimada em 35,2 mil toneladas de hidrogênio verde e 200 mil toneladas de amônia verde.

A licença tem validade de quatro anos, até setembro de 2030, e autoriza a implantação da infraestrutura do projeto, que terá aproximadamente 2 mil metros quadrados de área construída. A operação da planta dependerá da obtenção de uma futura licença de operação.

O empreendimento é de responsabilidade da Atlântico Empreendimentos Imobiliários. Segundo a empresa, o investimento inicial será de R$ 700 milhões, correspondente a 10% da capacidade prevista inicialmente. A expectativa é que o projeto alcance sua capacidade total em um período de 10 anos.

De acordo com Newton Coelho de Medeiros, sócio e diretor-técnico da Atlântico Ltda., o projeto também terá capacidade para produzir 300 mil toneladas de ureia verde. Segundo ele, os estudos que fundamentam o empreendimento consideram o uso de água de reúso no processo industrial.

“[Estamos] aguardando a regulamentação do setor, sobre a capacidade da mistura, e a ureia será exportada em Big Bags, pelo Porto-Ilha de Areia Branca, até a implantação do Porto Verde de Galinhos, onde iremos implantar mais uma unidade industrial de hidrogênio verde”, diz Newton Coelho.

Condicionantes ambientais

O licenciamento prevê 34 condicionantes para a implantação e a futura operação da planta, com medidas voltadas à prevenção e ao controle de impactos ambientais.

Entre as exigências está a comprovação de que 100% da energia utilizada pelo empreendimento será proveniente de fontes renováveis. Segundo o Idema, a origem da eletricidade poderá ser acompanhada por mecanismos de certificação previstos na Lei Federal nº 14.948/2024, que criou o Sistema Brasileiro de Certificação do Hidrogênio.

A água utilizada no processo industrial será não potável e fornecida pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de São Gonçalo do Amarante. A solução está alinhada à Resolução Conema nº 2/2025 e à política estadual de reúso de água, que priorizam fontes como água dessalinizada, pluvial e de reúso para reduzir a pressão sobre mananciais destinados ao abastecimento humano.

Primeira planta licenciada

Em abril de 2026, o Idema concedeu a primeira licença prévia para uma planta de hidrogênio verde e amônia verde de maior escala no Rio Grande do Norte. O Projeto Morro Pintado, da Brazil Green Energy, será instalado em Areia Branca, no litoral potiguar, e tem produção estimada em 80 mil toneladas por ano. O investimento anunciado pela empresa foi de R$ 12 bilhões.

A licença foi apresentada a investidores durante a Hannover Messe 2026, na Alemanha, pelo diretor-geral do Idema, Werner Farkatt. O evento é considerado uma das principais feiras internacionais voltadas à tecnologia e à indústria.

Também em abril, o Governo do Rio Grande do Norte lançou o Atlas de Hidrogênio Verde do Rio Grande do Norte, desenvolvido em parceria com o Senai e o Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER).

Além dos dois projetos de maior escala, o Idema já concedeu outras duas licenças de alteração para empreendimentos que pretendem instalar plantas-piloto de produção de hidrogênio verde e amônia verde em menor escala no estado.

Demanda por energia renovável

Para Marcello Cabral, diretor de Novos Negócios da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), a nova licença representa um avanço para a industrialização associada à geração de energia renovável no Rio Grande do Norte.

A exigência de que a fábrica seja abastecida integralmente por fontes renováveis deve gerar uma demanda contínua por eletricidade limpa. Isso, porém, não implica contratação automática de novos parques eólicos ou solares.

“O impacto dependerá do modelo de suprimento adotado pela empresa, dos contratos de compra de energia, dos critérios de rastreabilidade e adicionalidade, da disponibilidade de conexão e transmissão e da decisão final de investimento. Mas, se a planta contratar energia de novos empreendimentos, poderá funcionar como uma demanda âncora para a expansão da geração renovável no estado”, explica.

Estimativas da ABEEólica apontam que a produção anual prevista para a planta de São Gonçalo do Amarante poderá exigir entre 1,8 milhão e 2 milhões de MWh por ano. O volume corresponde a uma carga média superior a 200 MW e pode favorecer a contratação de novos empreendimentos de geração.

No curto e médio prazos, a associação avalia que essa demanda tende a ser atendida pela combinação de energia eólica onshore, produzida em terra, e solar, integradas ao Sistema Interligado Nacional e a soluções de armazenamento. A geração eólica offshore, produzida no mar, é considerada uma alternativa estratégica de longo prazo.

A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) também avalia que a integração entre usinas eólicas e solares e plantas de hidrogênio e amônia verdes pode contribuir para a expansão da indústria de baixo carbono no país.

Segundo Rodrigo Sauaia, presidente executivo da Absolar, a proximidade entre centros de geração de energia competitiva e grandes consumidores permite agregar valor à eletricidade e estimular novas cadeias produtivas. Ele também aponta potencial para o aproveitamento de excedentes de geração.

“Essas medidas aumentam o consumo de eletricidade renovável ao longo do dia, contribuindo de forma relevante para a redução de desequilíbrios entre geração e consumo, reduzindo o desperdício de energia limpa e aliviando os efeitos de cortes de geração renovável [curtailment]”, explica.