Safra recorde: IBGE prevê produção de 352,9 milhões de toneladas de grãos para 2026
Fonte: brasil247.com | Data: 15/09/2026 09:10:50
247 – A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve atingir 352,9 milhões de toneladas em 2026, montante 2,0% superior (6,8 milhões de toneladas a mais) ao registrado em 2025, quando a colheita totalizou 346,1 milhões de toneladas, segundo dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em comparação com a estimativa de julho de 2026, houve um ligeiro declínio de 81,4 mil toneladas.
A área a ser colhida no país foi projetada em 83,1 milhões de hectares, representando uma expansão de 1,8% (mais 1,5 milhão de hectares) frente à área colhida no ano anterior. Frente ao levantamento do mês anterior, a área apresentou uma leve retração de 17,3 mil hectares.
Soja, milho e arroz concentram o volume nacional
A soja, o milho e o arroz permanecem como as três principais culturas do país. Juntos, esses grãos somam 92,9% de toda a estimativa de produção e respondem por 87,4% do total da área colhida.
O desempenho individual das principais culturas apresentou os seguintes volumes e variações:
- Soja: A estimativa alcançou 174,8 milhões de toneladas, um crescimento de 5,3% (8,7 milhões de toneladas a mais) em relação a 2025. O resultado estabelece um novo recorde na série histórica do IBGE, alavancado pelo aumento de 3,9% no rendimento médio e de 1,3% na área colhida. O cenário favorável no Sul — sobretudo no Rio Grande do Sul — e a estabilidade das lavouras no Mato Grosso (maior produtor, com 29,0% do total e 50,7 milhões de toneladas) sustentaram o recorde. No comparativo mensal com julho, houve leve queda de 0,1% (-114,5 mil toneladas).
- Milho: A produção total foi estimada em 141,8 milhões de toneladas (alta anual de 0,1%), marca que configura recorde histórico para a safra do ano corrente. A 1ª safra registrou 29,7 milhões de toneladas (alta de 15,5% ante 2025 e queda de 0,7% ante julho), enquanto a 2ª safra somou 112,1 milhões de toneladas (recuo de 3,4% ante 2025 e avanço de 0,2% em relação a julho). A área colhida cresceu 2,1% no ano, compensando a queda de 2,0% no rendimento médio (6.237 kg/ha). Em Estados como Goiás, a estiagem provocou queda de 27,7% na produção anual.
- Arroz em casca: A produção foi estimada em 11,2 milhões de toneladas, uma retração de 11,2% ante 2025, acompanhada por uma queda de 12,5% na área colhida.
- Sorgo: A estimativa apontou 5,8 milhões de toneladas, avanço expressivo de 8,1% em relação ao ano anterior, impulsionado por uma expansão de 23,4% na área a ser colhida.
- Trigo: Projetado em 6,3 milhões de toneladas, apresentou redução de 18,9% frente a 2025, com retração de 19,4% na área colhida.
- Algodão herbáceo (em caroço): Com estimativa de 9,2 milhões de toneladas, registrou queda de 6,7% na comparação anual e redução de 5,0% na área.
- Feijão: A produção total (três safras) alcançou 2,8 milhões de toneladas, recuo de 6,6% em relação a 2025, com reduções de 7,3% na área e de 2,6% no rendimento médio. A 1ª safra somou 924,5 mil toneladas (32,8% do total); a 2ª safra registrou 1,1 milhão de toneladas (39,2% do total, alta mensal de 1,2%); e a 3ª safra atingiu 788,1 mil toneladas (alta de 1,9% ante 2025).
Outras culturas da pauta agrícola
- Cana-de-açúcar: A produção foi projetada em 705,2 milhões de toneladas, recuo de 1,6% frente a julho devido à menor produtividade (-1,7%), mas mantendo estabilidade no comparativo anual (+0,3%). São Paulo, responsável por quase metade da produção nacional (352,1 milhões de toneladas), manteve a estimativa de julho, prevendo queda anual de 2,0% decorrente da redução de 3,4% na área cultivada.
- Gergelim: Consolidando-se na diversificação e na rotação de culturas no Cerrado após a soja, milho ou algodão, o gergelim registrou área de 575,0 mil hectares, produção de 356,3 mil toneladas e rendimento médio de 620 kg/ha. Em relação a julho, houve reduções de 3,5% na área e de 2,8% na produção, com alta de 0,8% na produtividade.
- Tomate: A estimativa ficou em 4,6 milhões de toneladas, retração de 1,5% em relação a julho e de 2,7% na comparação anual, provocada pelo menor investimento em área pelos produtores, apesar do rendimento médio de 75.092 kg/ha (+0,4%).
Panorama regional e liderança do Centro-Oeste
A Região Centro-Oeste liderou a produção nacional no levantamento de agosto de 2026, respondendo por 178,0 milhões de toneladas (50,4% do total nacional). A distribuição pelas demais Grandes Regiões é a seguinte:
- Sul: 91,8 milhões de toneladas (26,0%)
- Sudeste: 31,1 milhões de toneladas (8,8%)
- Nordeste: 29,8 milhões de toneladas (8,5%)
- Norte: 22,3 milhões de toneladas (6,3%)
Na variação anual, registraram crescimento as regiões Nordeste (7,3%) e Sul (6,3%). A Região Sudeste ficou estável (0,0%), enquanto Centro-Oeste (-0,4%) e Norte (-0,1%) registraram pequenas variações negativas.
Entre as Unidades da Federação, Mato Grosso permanece na liderança isolada como o maior produtor nacional de grãos, concentrando 32,1% do volume do país. O ranking dos principais Estados produtores é composto por:
- Mato Grosso: 32,1%
- Paraná: 13,4%
- Rio Grande do Sul: 10,5%
- Goiás: 9,6%
- Mato Grosso do Sul: 8,5%
- Minas Gerais: 5,5%
Somados, os seis Estados correspondem a 79,6% do volume total projetado para a safra brasileira. As maiores elevações absolutas na estimativa mensal frente a julho ocorreram no Paraná (268.045 t), Tocantins (146.788 t), Rondônia (10.524 t) e Amazonas (737 t). Por outro lado, as principais baixas ocorreram em Roraima (-194.381 t), Sergipe (-139.113 t) e Goiás (-60.771 t).
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