Apertem os cintos, o serviço encolheu!
Fonte: maispb.com.br | Data: 15/09/2026 10:36:38
O aeroporto, para mim, é um lugar verdadeiramente democrático. Nele encontramos todas as pessoas do mundo, de diferentes países, credos, etnias e raças.
É o ponto de partida onde pessoas buscam memórias, mas também deixam as suas — primeiras e últimas impressões. Pessoas vão e vêm, embarcam e desembarcam, levando e trazendo experiências sobre gente, lugares, comidas, compras e culturas.
No avião, mais especificamente na classe econômica, todas essas categorias convivem durante a jornada do voo, para que a permanência seja proveitosa, toda essa diversidade se abriga respeitosamente numa cotovelada coletiva, torcendo para o voo passar rápido e o vizinho de poltrona não roncar no seu ombro.
Eu confesso que não tenho problema nenhum em esperar o voo nos aeroportos. E quanto mais companhias aéreas experimentamos, melhor. Gostamos de avaliar os serviços e o que eles podem nos proporcionar. No momento, quase nada elas têm a nos oferecer, se você não pagar, Kkk!
Estamos a ponto de pagar até pela água que bebemos e pelo ar que respiramos!
Aqueles serviços de bordo que você ainda pode elogiar na classe econômica só são encontrados em pouquíssimas companhias aéreas como Emirates, Qatar e Turkish. Essas sim, mesmo na econômica, são diferenciadas.
No Brasil, os serviços de bordo estão cada dia mais escassos. Foram encolhendo, encolhendo e sobrou apenas um snack e um suco. Na Azul, até o refrigerante cortaram, qualquer dia vai sobrar só o guardanapo.
As companhias americanas são as mais cruéis. Comissárias pouco simpáticas, bebidas alcoólicas sempre pagas, e até mesmo o serviço da executiva nem o melhor do mundo. A United ainda é a melhorzinha. Já na Delta, nunca vi tantas comissárias de bordo desgrenhadas; pareciam ter dormido com a roupa e saído direto para trabalhar, sem nem arrumar o cabelo — e maquiagem, nem pensar!
A American Airlines condensa o maior staff de idosos em atividade. Bom, por um lado, mostrando que envelhecer não é sinônimo de invalidez.
Que saudade da época da Pan Am! Tudo bem que existia um exagero meio tirânico na pesagem das moças, mas um cabelinho arrumado e um sorriso no rosto, não faz mal a ninguém.
E quando falamos de Europa, a TAP ganha o troféu da ruindade em todos os sentidos. Só vale a pena por ser o voo em tempo, mais curto saindo do Nordeste, apenas 7 horas. Em compensação, a tripulação que vem para cá, além de antipática, parece que saiu direto das naus de Pedro Álvares Cabral: um povo velho, sem a menor paciência com os brasileiros.
Certa vez, esqueci minha mochila no aeroporto de Natal e saí correndo para buscá-la. A aeromoça — que era uma “aerovelha” — virou-se para o meu marido e disse que aquela era uma ótima oportunidade para ele fugir… Brincadeira sem gosto!
O que me afastou dessa companhia, bem como das idas a Lisboa, foi a eterna espera na fila do controle de imigração no Aeroporto Humberto Delgado. Já chegamos a esperar 4 horas por lá.
Hoje, a Espanha é muito mais convidativa. A Ibéria nos conquistou. Imigração tranquila em Barajas; só sentimos falta dos vinhos portugueses, mas de resto tudo compensa, muitas salas VIP ao seu dispor. O serviço de bordo não é dos piores. O staff da empresa nos trata bem melhor do que os patrícios.
A trend do momento é viajar só com mala de mão. Porém, se você não comprar o assento (porque, para viajar com mais conforto, você também tem de pagar) e quiser garantir espaço para a bagagem, precisa correr para ser um dos primeiros da fila. Afinal, no Brasil metade dos passageiros é prioridade — o que não existe no exterior, já que a Europa é toda velha. Então, se não tiver um cartão de crédito com o privilégio de embarcar logo após os prioritários ou comprar o assento nas primeiras filas, vai ser complicado encontrar espaço no bagageiro.
Antes levávamos duas malas de 32 kg para os Estados Unidos. Hoje é apenas uma de 23 kg, e para a Europa também — se você pagar, claro! A justificativa dada foi proteger a saúde dos funcionários que faziam o descarregamento, já que 23 kg seria o limite seguro e malas de 32 kg concentravam muito peso num espaço reduzido, dificultando a distribuição correta na aeronave.
E nem vou falar das companhias low cost: nessas, o banco nem reclina. Para quem gosta de conforto, é preciso colocar o preço da passagem na ponta do lápis e fazer a equação se a sessão de fisioterapia compensa.
Mas quer saber? Mesmo com as comissárias de cara feia, as filas infinitas e o saquinho de snack contado, viajar ainda é o melhor passatempo do mundo. Desbravar novos lugares, provar sabores e conhecer pessoas valem cada perrengue dessa jornada!
Até a próxima aventura!
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