Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Rio Tocantins entra em plano de alertas com possíveis impactos do El Niño

Fonte: portalonorte.com.br | Data: 15/09/2026 11:07:25

🔗 Ler matéria original

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) incluiu o rio Tocantins entre os sistemas hídricos que terão acompanhamento permanente diante dos possíveis impactos do El Niño 2026/2027. O fenômeno climático pode persistir até o início de 2027 e, segundo projeções divulgadas pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há mais de 90% de chance de atingir intensidade considerada “muito forte” ainda no segundo semestre deste ano.

Participe do grupo do O Norte no WhatsApp e receba as notícias no celular

A medida faz parte do Plano de Preparação para o Enfrentamento dos Impactos do El Niño 2026/2027 sobre os Recursos Hídricos do Brasil, divulgado pela ANA em 14 de setembro. O documento reúne ações de monitoramento, articulação institucional e regulação para reduzir possíveis impactos sobre rios, reservatórios, abastecimento, geração de energia, navegação e outros usos da água.

RIO TOCANTINS TERÁ ACOMPANHAMENTO PERMANENTE

Para o Tocantins, o principal ponto de atenção está na bacia do rio Tocantins, que foi incluída entre os sistemas que contarão com salas de acompanhamento permanentes, amparadas por resoluções específicas da ANA.

No caso do rio Tocantins, o monitoramento será realizado por meio de uma Sala de Acompanhamento, estrutura destinada a acompanhar sistemas hídricos que possuem regras operativas definidas pela agência.

A estrutura permitirá acompanhar os níveis dos rios e reservatórios e avaliar a necessidade de adoção de medidas diante de alterações nas condições hidrológicas.

Além do Tocantins, o plano prevê acompanhamento permanente dos sistemas dos rios São Francisco e Paranapanema e da Região Hidrográfica do Paraná, que inclui os rios Grande e Paranaíba.

NORTE PODE TER REDUÇÃO DE CHUVAS E VAZÕES

Segundo a ANA, os efeitos do El Niño devem variar de acordo com a região do país. A previsão aponta redução das chuvas e aumento das temperaturas no Norte e no Nordeste, enquanto o Sul poderá registrar aumento das precipitações e das vazões.

No Sudeste e no Centro-Oeste, o principal risco indicado é a ocorrência de ondas de calor.

Na Região Norte, a agência considera a possibilidade de vazões abaixo da média histórica e níveis críticos dos rios amazônicos a partir de meados de outubro.

Uma redução nos níveis dos rios pode afetar a navegação, o abastecimento público e a geração de energia. Entre os empreendimentos citados estão as usinas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, e Belo Monte e Tucuruí, no Pará.

No Pantanal, o monitoramento será concentrado no aumento das temperaturas, redução da umidade do ar e risco de incêndios, além de possíveis impactos sobre navegação, pesca, turismo e geração de energia.

ANA PODERÁ ADOTAR MEDIDAS EXTRAORDINÁRIAS

O plano prevê mecanismos para que a ANA possa agir caso haja agravamento das condições hídricas. Entre as possibilidades está a declaração de situação de escassez hídrica em corpos d’água de domínio da União.

A medida pode permitir restrições à captação de água ou alterações em determinadas regras de operação.

A agência também poderá estabelecer condições especiais para a operação de reservatórios em situações de redução expressiva dos volumes armazenados ou risco de cheias.

No Semiárido, reuniões extraordinárias poderão ser convocadas em 57 sistemas hídricos locais para discutir a distribuição da água. No Nordeste, a preocupação é com a redução da recarga dos açudes durante a estação chuvosa de 2026/2027, o que pode afetar a irrigação e o abastecimento e aumentar a necessidade de bombeamento pelo Projeto de Integração do Rio São Francisco.

MONITORAMENTO SERÁ ATUALIZADO

A ANA informou que o plano terá caráter adaptativo e poderá ser atualizado conforme a evolução do El Niño. A agência pretende divulgar boletins mensais por meio do Painel El Niño 2026/2027, em parceria com órgãos como INPE, Inmet, Serviço Geológico do Brasil (SGB), Cemaden, Censipam e Cenad.

As reuniões das estruturas de acompanhamento e crise também serão transmitidas e posteriormente disponibilizadas no canal da ANA no YouTube.

As ações serão integradas à Defesa Civil, com briefings técnicos mensais destinados ao Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) e à Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.

O Monitor de Secas, ferramenta que reúne mensalmente informações sobre a situação da seca nas 27 unidades da Federação, continuará sendo utilizado para antecipar cenários e subsidiar medidas preventivas.