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iFood investe quase R$ 5 bilhões no Nordeste e lança serviço de entregas

Fonte: movimentoeconomico.com.br | Data: 17/09/2026 04:32:00

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Diego Barreto, CEO do iFood, apresentou as novidades da empresa durante o evento Move, em São Paulo, que reúne donos de restaurantes de todo o Brasil – Foto: iFood/Divulgação

DE SÃO PAULO – O iFood destinará entre até 25% dos R$ 24 bilhões em investimentos anunciados pela companhia para o Nordeste, região considerada estratégica para a expansão dos negócios. Ao mesmo tempo, a empresa começa a oferecer o Envios iFood, serviço que permite a pequenos e médios negócios utilizar a estrutura tecnológica e a rede de entregadores da plataforma para entregar pedidos feitos fora do aplicativo.

O anúncio foi feito durante o iFood Move 2026, evento realizado em São Paulo voltado a restaurantes e empreendedores, que o Movimento Econômico acompanha como veículo credenciado.

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O Nordeste é hoje a segunda maior região do iFood em representatividade, segundo Diego Barreto, CEO da companhia. De acordo com ele, metade das dez maiores capitais brasileiras em participação na plataforma está na região.

“O Nordeste é muito relevante também em termos de mão de obra, a pessoa que conduz tudo isso. A gente tem vários hubs espalhados pelo Nordeste com talento nordestino”, afirmou Barreto.

O executivo disse ainda que cerca de 20% a 25% dos R$ 24 bilhões anunciados em investimentos serão direcionados ao Nordeste. A expansão envolve produtos como o iFood Hits e o iFood Pago. Barreto também afirmou que aproximadamente 30% dos desembolsos de crédito da empresa estão relacionados à região.

Empregos e renda através das entregas

A estratégia acompanha o peso econômico que o ecossistema do iFood já alcançou nos estados nordestinos. Dados de estudo da Fipe apontam que, em 2025, a operação movimentou R$ 2 bilhões em Pernambuco, equivalente a 0,65% do PIB estadual, e esteve associada à manutenção e geração de mais de 42 mil postos de trabalho diretos e indiretos.

Na Bahia, foram R$ 2,3 bilhões movimentados, correspondentes a 0,46% do PIB do estado, com mais de 48 mil empregos diretos e indiretos. No Ceará, o volume chegou a R$ 1,6 bilhão, equivalente a 0,59% do PIB cearense, com mais de 36 mil postos de trabalho.

Em Alagoas, foram R$ 600 milhões, ou 0,59% do PIB, e mais de 13 mil empregos. No Piauí, o ecossistema movimentou R$ 400 milhões, equivalentes a 0,40% do PIB estadual, e esteve relacionado a mais de 10 mil postos de trabalho.

Novidades do iFood foram anunciadas em evento que reúne empresários e donos de restaurantes de todo o Brasil em São Paulo – Foto: iFood/Divulgação

iFood lança serviço de envios de outras mercadorias

O novo serviço de entregas permite que empresas que vendem por site próprio, WhatsApp ou outros canais contratem a logística do iFood para realizar entregas rápidas, com prazos a partir de 30 minutos ou uma hora e possibilidade de entrega no mesmo dia.

Segundo Arnaldo Bertolaccini, vice-presidente de Logística do iFood, a empresa passa a colocar uma estrutura que já realiza cerca de 50 milhões de entregas por mês à disposição de negócios que não necessariamente vendem pelo aplicativo.

“Qualquer pequeno e médio empreendedor que quer ter dentro do seu negócio uma solução de entrega rápida passa a acessar uma logística de entrega de 30 minutos ou uma hora”, afirmou.

O serviço chega ao mercado depois de uma fase inicial de testes que já ultrapassou 500 mil entregas. A expectativa da companhia é alcançar 1 milhão de operações em outubro. Para o iFood, a nova frente amplia o uso da infraestrutura logística e cria uma nova possibilidade de receita para os estabelecimentos.

iFood amplia possibilidades para entregadores

O Envios iFood também muda a utilização da rede de entregadores. Pedidos de restaurantes e encomendas de outros estabelecimentos passam a compartilhar a mesma estrutura, embora o profissional consiga identificar qual tipo de entrega está recebendo e tenha liberdade para aceitar ou não o serviço.

A lógica é aproveitar períodos de menor demanda por refeições. Segundo Barreto, almoço e jantar concentram grande parte dos pedidos, enquanto outras categorias podem ocupar os intervalos entre esses horários.

“A nossa expectativa é que a taxa de ociosidade do entregador diminua cada dia mais e, portanto, esse rendimento absoluto vá subindo cada dia mais também”, afirmou.

Inicialmente concentrada em motos, a operação também deverá utilizar carros, especialmente para cargas maiores.

Tecnologia brasileira por trás das entregas

A expansão do iFood para além do delivery de comida depende de uma infraestrutura tecnológica construída ao longo de anos. A companhia afirma ter acumulado conhecimento a partir de 2,35 bilhões de entregas realizadas e utiliza dados sobre clima, demanda, características locais e padrões de consumo para definir rotas, prever tempos e distribuir pedidos.

Bertolaccini explica que a complexidade aumenta porque o sistema precisa combinar diferentes variáveis. Para estimar quando um pedido chegará ao consumidor, por exemplo, o iFood considera não apenas o deslocamento do entregador, mas também o tempo necessário para o restaurante preparar cada prato.

“Eu preciso entender a rota, preciso entender em quanto tempo faz um molho do filé à parmegiana para conseguir conectar essas coisas”, disse.

Segundo o executivo, aproximadamente 500 profissionais trabalham diretamente com tecnologia de logística no iFood. “Não adianta você só buscar as referências. Você tem que ter um conhecimento do mercado brasileiro, desenvolver algo específico”, afirmou.

Essa adaptação também considera as diferenças entre cidades. Barreto citou como exemplo uma solução desenvolvida para realizar entregas de barco em áreas de ilhas de Manaus. Em Aracaju, o iFood utiliza drones para atravessar um trecho sobre o rio. O percurso que anteriormente poderia levar cerca de uma hora passou a ser realizado em aproximadamente 15 minutos. Por mês, são feiras cerca de 1.000 entregas com o uso do drone. A companhia afirma que a solução também ampliou as vendas dos restaurantes localizados na área de origem dos pedidos em cerca de 50%.

O investimento em logística inclui ainda soluções específicas. Uma delas é a Bag Pro, equipamento desenvolvido para melhorar o transporte de itens mais sensíveis, como pizzas. A combinação entre equipamento e análise do comportamento do entregador, segundo a empresa, reduziu em 80% os problemas relacionados à qualidade desse tipo de entrega.

*A repórter viajou a convite do iFood

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