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Gilmar Mendes repreende Mendonça por expor Gonet em embate sobre caso Master no STF

Fonte: saobentoemfoco.com.br | Data: 17/09/2026 12:19:36

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O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou críticas contundentes nesta quinta-feira (17) em relação à exposição do nome do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O episódio está inserido no contexto das investigações do caso Master, conduzidas pelo ministro André Mendonça, que atua como relator do processo na Corte.

Em publicação realizada em seu perfil oficial na rede social X, Gilmar Mendes defendeu a reputação de Gonet, classificando sua trajetória pública como de lisura insuspeita. O decano apontou que a inclusão do nome do PGR em um relatório da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras bilionárias atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, teria manchado injustamente a honra do procurador.

Confronto público e questionamentos sobre a conduta

O ponto central da crítica de Gilmar Mendes reside na contradição entre o reconhecimento da idoneidade de Gonet e a manutenção da exposição pública de seu nome. O ministro ressaltou que o próprio André Mendonça afirmou, durante sessão do STF na última terça-feira (15), que não haveria elementos comprometedores contra o PGR nas investigações em curso.

Para o decano, a estratégia de expor o nome para posteriormente atestar a honra do investigado configura uma falha evitável. Além disso, Gilmar Mendes questionou a motivação política por trás da divulgação de vídeos nas redes sociais por parte do relator, sugerindo que o comportamento do magistrado se distancia da imparcialidade esperada para o cargo.

Defesa e contra-ataque de André Mendonça

Em nota oficial divulgada pela assessoria do STF, André Mendonça rebateu as declarações, acusando o decano de manifestar indignação de maneira seletiva. O ministro citou a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), que estabelece restrições sobre manifestações públicas de juízes a respeito de processos pendentes de julgamento.

Mendonça argumentou que o levantamento do sigilo não foi uma iniciativa isolada de sua relatoria, mas sim uma medida fundamentada nos limites de sua competência. O ministro ainda ironizou o fato de a crítica partir de quem, segundo ele, historicamente pleiteou a publicidade irrestrita de investigações, e defendeu a necessidade urgente de um código de ética disciplinar para o Supremo.

Contexto das investigações da Operação Compliance Zero

A controvérsia ganhou tração após o levantamento do sigilo de um relatório parcial da Operação Compliance Zero, ocorrido em 1º de setembro. O documento aponta que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teria enviado 52 mensagens ao ministro Alexandre de Moraes, nas quais menciona preocupações com ações da Polícia Federal e cita nomes como os de Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF.

O Conselho Superior do Ministério Público Federal agendou para o dia 25 de setembro uma reunião para avaliar se as menções ao PGR no relatório da PF impactam sua imparcialidade na condução do caso. A situação reforça o clima de tensão interna no tribunal, conforme detalhado em reportagem da Agência Brasil.