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PF mira associações bahianas em inquérito sobre Banco Master

Fonte: bpmoney.com.br | Data: 17/09/2026 14:09:35

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As associações Asteba e Asseba reúnem uma carteira estimada em R$ 1 bilhão ligada a servidores da Bahia e passaram a figurar entre os alvos do inquérito da Polícia Federal sobre o Banco Master. Em 2025, as duas entidades tinham autorizações para descontar valores em contracheques de servidores baianos: mais de 103 mil no total.

Os números aparecem em documentos cujo sigilo foi levantado na última quinta-feira (10) e que foram divulgados nesta quinta-feira (17) pela Folha de S. Paulo. Do total de autorizações, 52.176 estavam com a Asteba e 51.111 com a Asseba, referentes a descontos em contracheques ao longo de 2025.

A Operação Compliance Zero e a origem dos créditos

Em novembro de 2025, a Polícia Federal realizou busca e apreensão contra Asteba e Asseba na Operação Compliance Zero. A investigação passou a olhar para o papel das entidades depois que o Master ofereceu ao Banco Central versões diferentes sobre a origem de créditos consignados.

Inicialmente, o Master informou ao BC que as associações estavam na origem desses créditos. Depois, mudou a versão e passou a afirmar que os créditos eram da Tirreno. Em comunicado ao BC de 25 de março de 2025, a instituição vinculou às associações uma carteira de créditos consignados de R$ 6,7 bilhões, apontando-as como originadora dos créditos. O Banco Central questionou a ação do Master.

Os dados do Governo da Bahia, no entanto, mostraram que os descontos não correspondiam a empréstimos consignados, mas a mensalidades e serviços associativos.

Augusto Lima e as carteiras fraudulentas

O inquérito da PF atribui a Augusto Lima a elaboração de carteiras fraudulentas. Segundo a apuração, Lima transformou a Credcesta em um cartão de benefício consignado.

À reportagem, Augusto Lima negou as acusações. Ele afirmou que ‘o Master se manifestou erroneamente junto ao Banco Central (BC) e que nunca autorizou ou assinou qualquer documento ligando as entidades a créditos do Master’.

Lima foi presidente da Asteba e deixou formalmente o cargo em 2008. Após esse período, ele teria mantido o controle da entidade por meio de terceiros. O MPF investiga a relação entre Asteba, Asseba e Augusto Lima.

A revenda ao BRB e o prejuízo estimado

Entre janeiro e maio de 2025, o Master revendeu carteiras ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12,2 bilhões, com um prêmio de R$ 5,5 bilhões nas cessões. Uma auditoria da PF estimou o prejuízo do BRB nessas compras de ativos em pelo menos R$ 5 bilhões.

Procurada, a Secretaria da Administração do Estado da Bahia (Saeb) informou que não se manifestaria sobre os contratos com as associações.