Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Transporte público e lazer concentram maior medo de violência entre mulheres

Fonte: alotatuape.com.br | Data: 18/09/2026 07:31:38

🔗 Ler matéria original

Estudo aponta que 42% das brasileiras se sentem totalmente desprotegidas em pontos de ônibus e estações no país.


Os pontos de parada, as estações de passageiros e os locais de convivência noturna tornaram-se os pontos mais críticos para a circulação das mulheres nas cidades brasileiras. Segundo a pesquisa “Segurança das mulheres: percepção da sociedade brasileira sobre a violência”, realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva com apoio da Uber, a sensação de insegurança atinge 94% das mulheres nos deslocamentos urbanos.

O desamparo é mais acentuado na infraestrutura de transporte: 42% das entrevistadas afirmam não se sentir nada seguras em pontos de ônibus e estações. Dentro dos coletivos, o indicador de insegurança total atinge 33%. Nos locais de lazer, como bares, festas e baladas, 41% relatam desproteção absoluta.

Adaptação de trajetos e redes de apoio

Para se deslocar com maior margem de segurança, as brasileiras alteram rotas e recorrem a estratégias comunitárias e tecnológicas. O estudo mostra que 83% das mulheres avisam pessoas próximas sobre horários e trajetos, 77% compartilham a localização em tempo real e 66% pedem para ser acompanhadas ao sair de casa. Além disso, 69% mudam caminhos habituais e 66% acionam transporte por aplicativo de carro ou moto para evitar caminhar pelas ruas.

A diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, Maíra Saruê, enfatiza que o medo impõe barreiras ao direito de ir e vir.

“A pesquisa mostra que o medo da violência atravessa a forma como as mulheres vivem e circulam pelas cidades. E esse medo não surge do nada, ele é alimentado por experiências concretas de violência, vividas pelas próprias mulheres ou compartilhadas por outras ao seu redor. Como consequência, as brasileiras adaptam trajetos, horários, formas de deslocamento e até escolhas relacionadas ao trabalho, ao estudo e ao lazer para se sentirem mais seguras. Na prática, mulheres e homens não vivem a cidade da mesma maneira já que, para as mulheres, o acesso aos espaços e às oportunidades é constantemente condicionado pela preocupação com a própria segurança”, afirmou a diretora.

Diante do diagnóstico, 93% das entrevistadas exigem investimentos urgentes na infraestrutura urbana, incluindo melhoria da iluminação pública, qualificação do transporte coletivo e conservação de espaços abertos.

Araceli Almeida, Líder de Operações de Segurança da Uber no Brasil, reforça a importância dos diagnósticos.

“A Uber entende que é fundamental apoiar esse tipo de pesquisa para a sociedade brasileira, especialmente para compreender melhor a realidade das populações mais vulneráveis, como é o caso das mulheres. Ao longo dos anos, a empresa tem tido a segurança como um dos principais valores e esse compromisso está presente em todos os nossos processos. Porém, sabemos que para mudar a realidade de brasileiras e brasileiros, é necessário apoiar iniciativas que tragam mais visibilidade para os caminhos de uma mudança estrutural”, declarou a executiva.


Destaque – Falhas na infraestrutura urbana e transporte afetam a mobilidade das mulheres nas grandes cidades. Imagem: aloart / G. I. / IA image

Leia outras matérias desta editoria