Correios interrompem negociações com trabalhadores e apostam em dissídio coletivo após greve de oito dias e reestruturação financeira em crise.
Fonte: reportermaceio.com.br | Data: 18/09/2026 10:53:25
Os Correios decidiram interromper as negociações com os representantes dos trabalhadores no Tribunal Superior do Trabalho (TST) e depositam suas esperanças na decisão do dissídio coletivo agendada para a próxima segunda-feira. Este impasse ocorre após uma semana de paralisação, resultado da falta de consenso nas discussões mediadas pela Corte nos últimos dias.
A empresa, que enfrenta desafios financeiros significativos, apresentou ao TST um pedido de dissídio coletivo, argumentando a necessidade imperiosa de controlar despesas dentro de um amplo plano de reestruturação. A administração dos Correios revelou que alarmantes 89% de suas receitas estão comprometidos com o pagamento de salários e benefícios, situação que, segundo eles, inviabiliza a recuperação financeira da estatal.
Entre os pontos em debate, um consenso já se estabeleceu acerca do reajuste salarial, com uma proposta de 4,35% com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), retroativo a 1º de agosto. Contudo, a questão que gera mais divergências reside nas modificações sugeridas para o plano de saúde, um tema sensível para muitos trabalhadores.
Adicionalmente, a direção da empresa espera que a resolução deste conflito leve a uma melhoria em sua situação financeira, permitindo a obtenção de um empréstimo de R$ 7 bilhões de um conjunto de bancos, garantido pela União. Porém, a continuidade da greve já reflete na qualidade dos serviços prestados pelos Correios, gerando preocupações tanto dentro da empresa quanto entre os usuários de seus serviços.
Dentre as principais reivindicações da administração, destacam-se a proposta de substituir o adicional de férias de 70% por um de 33%, mudanças nas horas extras, que deixariam de ser calculadas com um percentual elevado, e a exclusão do abono conhecido como vale-peru, sob a justificativa de que a companhia está enfrentando prejuízos recorrentes.
Outros itens incluídos nas demandas da empresa incluem o retorno do registro de ponto eletrônico e do cálculo de dimensionamento das unidades, além da retirada da condição de mantenedora do plano de saúde, embora com a manutenção do subsídio ao empregado. Essa mudança implicaria a redução do risco atuarial que atualmente representa provisões estimadas em quase R$ 600 milhões.