Mensagens de Vorcaro citam mansão para ‘KN’; PF aponta referência a Nunes Marques
Fonte: plox.com.br | Data: 18/09/2026 13:01:54
Mensagens extraídas do celular do ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro indicam tratativas para hospedar, durante o Carnaval de 2025, um ministro identificado como em uma mansão no Joá, no Rio de Janeiro. Segundo reportagem do Metrópoles publicada nesta sexta-feira (18), investigadores da Polícia Federal apontam que a referência seria ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado afirmou ao veículo que nunca trocou mensagens com Vorcaro nem pediu nada a ele.

O ministro Kassio Nunes Marques, do STF, e seu filho, são citados em diferentes episódios envolvendo Daniel Vorcaro
Foto: Antonio Augusto
A propriedade, pertencente ao ator Márcio Garcia, é avaliada em cerca de . As conversas obtidas pelo Metrópoles indicam que a hospedagem por uma semana teria custado aproximadamente . O desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), também aparece nas tratativas. Procurado pelo veículo, ele não havia se manifestado.
Mensagens mencionam serviços, motoristas e camarote
Os diálogos mostram Vorcaro discutindo com Léo Serrano Giunchetti detalhes da hospedagem, incluindo chef de cozinha, garçons, motoristas, bebidas e acesso a camarote. Em uma das mensagens de fevereiro de 2025, Giunchetti relata que Newton Ramos buscava informações que precisaria repassar . As conversas também mencionam uma feijoada para cerca de e a possibilidade de entrada de em um camarote sem passar pelo procedimento normal de cadastro.
O material enviado à redação também reúne esse episódio a outro caso envolvendo Nunes Marques revelado nesta sexta-feira.
Decisão em investigação de prefeita foi mantida pela Segunda Turma
Em outra frente, reportagem do UOL mostrou que Nunes Marques anulou, por iniciativa própria, diligências de uma investigação do Ministério Público do Ceará envolvendo Michele Queiroz (PP), prefeita de Beberibe. A defesa havia apresentado ao STF a Reclamação 79.545, alegando que a apuração avançou contra autoridade com foro sem a supervisão judicial necessária. O ministro rejeitou a reclamação como instrumento processual, mas concedeu habeas corpus de ofício e declarou nulas as diligências.
O processo oficial do STF confirma que a reclamação foi protocolada em 14 de maio de 2025, teve Nunes Marques como relator e recebeu a ordem de ofício em 9 de junho de 2026. Em agosto, a Segunda Turma manteve a decisão por unanimidade ao rejeitar recurso do Ministério Público cearense. Os ministros entenderam que havia elementos indicando direcionamento da investigação, desde o início, contra autoridade com prerrogativa de foro, o que exigiria supervisão judicial.
O caso aparece na investigação da PF que apura suspeita de tráfico de influência envolvendo o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) e as advogadas Mariângela Fialek e Valéria Linhares. Segundo o relatório policial citado pelo UOL, mensagens indicam articulações relacionadas ao processo da prefeita e um contrato que previa honorários de após o julgamento da reclamação. A PF afirma que Cezinha teria feito contatos com ministros; os magistrados não são alvo dessa investigação.
Nunes Marques, Cezinha, Valéria Linhares e Michele Queiroz não responderam aos questionamentos feitos pelo UOL para a reportagem. A defesa de Mariângela Fialek informou que não se manifestaria. Já a defesa de Cezinha declarou, após a operação da PF, que nenhuma irregularidade foi cometida e que o deputado prestará os esclarecimentos necessários às autoridades.