Datafolha: 34% citam esquerda e 27% direita no caso Master
Fonte: spacemoney.com.br | Data: 18/09/2026 21:50:08
Levantamento do Datafolha divulgado nesta sexta-feira (18) pelo g1 aponta que 34% dos eleitores brasileiros veem maioria de esquerda entre os políticos envolvidos no caso Master. Outros 27% afirmam que predominam nomes da direita. A pesquisa foi realizada enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa uma crise agravada, nas últimas semanas, pelos desdobramentos das investigações sobre o banco.
Na mesma medição, 13% dos entrevistados responderam que o escândalo alcança políticos de todos os campos ideológicos. O centro foi citado por 10% e 16% não souberam responder. A opção que descarta qualquer envolvimento de políticos não foi escolhida por nenhum participante e ficou com 0%.
A pergunta e o enquadramento da pesquisa
O instituto quis medir como o eleitorado associa o escândalo financeiro a um campo político. A pergunta apresentada pediu ao entrevistado que apontasse, entre esquerda, centro e direita, o campo predominante entre os políticos citados na investigação. O formato admitia ainda a resposta “todos”, dada por 13%.
O resultado revela um eleitorado dividido: a esquerda aparece com 34%, contra 27% da direita. A parcela que não soube responder (16%) é maior do que a que aponta o centro (10%).
As conexões sob investigação
As investigações apuram suspeitas de fraudes e a atuação de uma rede criminosa que a Polícia Federal atribui à chefia de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A PF investiga repasses e emendas de parlamentares ligados a ele. Os senadores Ciro Nogueira, Jaques Wagner e Flávio Bolsonaro negam irregularidades.
Ciro Nogueira (PP-PI) é alvo de suspeitas de ter atuado no Congresso em defesa dos negócios de Vorcaro em troca de pagamentos. A apuração inclui a chamada “Emenda Master”, proposta do senador que mudaria regras do sistema financeiro para favorecer o banco.
No caso de Jaques Wagner (PT-BA), a PF investiga sua relação com Augusto Lima, ex-sócio do Master, e verifica se ele trabalhou por projetos que interessavam à instituição. A corporação menciona indícios de pagamento de vantagens indevidas, entre eles um apartamento de luxo em Salvador. Ele nega irregularidades e qualquer benefício concedido ao banco.
Flávio Bolsonaro responde a apuração por suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas ligadas ao custeio do filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Mensagens tornadas públicas em maio mostraram o senador pedindo dinheiro a Vorcaro. Os investigadores tentam esclarecer de onde vieram os recursos e para onde foram, além de apurar eventual desvio. Outra frente verifica se emendas parlamentares destinadas pelo deputado Mário Frias (PL-SP) terminaram desviadas ou em contratos não executados ligados ao projeto.
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro foi alvo de uma operação da Polícia Federal em maio por suspeitas ligadas à gestão de recursos do Rioprevidência. Os investigadores apuram se houve irregularidade no repasse de aproximadamente R$ 3,7 bilhões a fundos ligados ao Master entre 2023 e 2025. Castro nega ter favorecido o banco, recebido benefício próprio ou mantido relação indevida com Vorcaro.
A rede de influência montada por Vorcaro, segundo a Polícia Federal, alcança instâncias variadas do poder público, chegando a servidores do Banco Central e a ministros do STF.
O impasse no STF
A divulgação da pesquisa ocorre em meio ao embate entre ministros do Supremo. O caso ganhou novos capítulos depois que André Mendonça levantou o sigilo de um relatório da PF sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e um número atribuído a Alexandre de Moraes. Desde então, outros documentos e mensagens vieram a público, parte deles ainda sob sigilo, com citações a integrantes da Corte e a seus familiares.
Moraes afirma que o colega cometeu irregularidades e desrespeitou ritos previstos para apurações que atingem autoridades com foro privilegiado. Gilmar Mendes sustenta que Mendonça agiu por razões político-eleitorais. O ministro nega as acusações.
Na última terça-feira (15), a sessão extraordinária liderada por Edson Fachin, presidente do STF, terminou sem deliberação. Flávio Dino solicitou vista e dispõe de até 90 dias para levar o caso de volta ao plenário. O prazo se encerra em dezembro, depois das eleições. Caso isso não ocorra, o tema volta a ficar disponível para inclusão automática na pauta.
Outro levantamento mediu a mesma percepção
Uma pesquisa do AtlasIntel divulgada na quinta-feira (17) pela Veja tratou da mesma discussão por outro ângulo: perguntou ao eleitor se os bolsonaristas ou os lulistas aparecem mais comprometidos na crise. O instituto ouviu 5.018 eleitores entre 11 e 16 de setembro, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.
Os aliados de Jair Bolsonaro foram apontados por 41,2% e os de Lula, por 40,2%, em empate técnico. Outros 13,8% disseram que todos estão igualmente implicados, 3,4% citaram principalmente o Centrão e 1,3% não souberam responder. Na avaliação da Veja, o resultado representa uma inversão em relação a março de 2026, quando a maior parte da população associava o escândalo mais ao governo do que aos bolsonaristas.
O mesmo levantamento perguntou sobre o efeito da crise no STF na corrida presidencial. Para 49,5%, a situação prejudica mais a campanha de Lula; 20,9% apontam prejuízo maior a Flávio Bolsonaro; 14,4% veem dano igual para os dois; 8,6% não souberam; e 6,7% avaliam que ninguém é prejudicado. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-06221/2026.
Contexto eleitoral
O Datafolha também divulgou na quinta-feira (17) o cenário de intenção de voto para a Presidência. No primeiro turno, Lula (PT) aparece com 39%, contra 36% de Flávio Bolsonaro (PL). No segundo turno, o empate técnico persiste: 46% para o petista e 44% para o senador, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Os percentuais repetem os registrados nos levantamentos de 3 e 11 de setembro, o que indica estabilidade do cenário.