Greve dos Correios chega a oito dias enquanto TST analisa dissídio coletivo; empresa busca reestruturação e empréstimo de R$ 7 bilhões para recuperação.
Fonte: reportermaceio.com.br | Data: 21/09/2026 10:46:21
A crise entre os Correios e seus trabalhadores tornou-se ainda mais aguda após a decisão da empresa de encerrar as negociações com os representantes sindicais no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Em um movimento que afeta diretamente os serviços prestados à população, a Corte irá analisar na próxima segunda-feira, dia 21, o dissídio coletivo apresentado pela estatal, que busca uma solução para as condições de trabalho em meio a um cenário de reestruturação financeira.
Nos últimos dias, o TST desempenhou um papel mediador nas discussões, mas a falta de consenso levou o movimento sindical a optar pela greve, que já se estende por oito dias. Essa paralisação reflete a insatisfação dos trabalhadores frente às propostas apresentadas pela direção da empresa, que, segundo informações, alega que 89% de suas receitas são destinadas ao pagamento de salários e benefícios, impossibilitando uma recuperação viável sem ajustes significativos.
Um dos poucos pontos que apresentou certa concordância entre as partes é o reajuste salarial de 4,35% com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), retroativo ao dia 1º de agosto. Contudo, as negociações esbarram em questões mais complexas, especialmente as mudanças solicitadas pela empresa no plano de saúde dos funcionários, que geram controvérsias entre os envolvidos.
A diretoria dos Correios espera que a decisão do TST, presidida pelo ministro Vieira de Mello Filho, possa reparar a situação e viabilizar a obtenção de um empréstimo de R$ 7 bilhões de uma coalizão de bancos, com a garantia da União. No entanto, a continuidade da greve impacta diretamente a qualidade dos serviços prestados, gerando preocupação entre os usuários.
Dentre as demandas da empresa estão a redução do adicional de férias de 70% para 33%, a alteração nas regras de pagamento de horas extras de 200% para o que é previsto por lei, a exclusão do abono (vale peru) devido aos prejuízos constantes e o retorno do registro de ponto eletrônico. Além disso, a empresa busca ajustar o cálculo de dimensionamento de unidades e retirar a condição de mantenedora do plano de saúde, o que minimizará sua exposição a riscos atuariais, que atualmente representam uma provisão de quase R$ 600 milhões. A resolução desses impasses se faz urgente para restabelecer o funcionamento da empresa e a harmonia nas relações de trabalho.