Mensagens do Caso Master citam casal maranhense e contrato de até R$ 427 milhões
Fonte: portalvb.com.br | Data: 21/09/2026 18:48:56
A advogada maranhense Camilla Ramos e o marido, o desembargador federal Newton Ramos, são mencionados em uma nova frente do material apreendido pela Polícia Federal no âmbito do Caso Master. As informações foram reveladas em reportagem do site Metrópoles e integram arquivos extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
Entre os documentos está um contrato firmado com o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, do qual Camilla faz parte. O acordo estabelecia honorários de êxito que poderiam alcançar aproximadamente R$ 427 milhões em ações relacionadas ao pagamento de precatórios.
Também foram identificadas conversas nas quais auxiliares de Vorcaro utilizavam a expressão “Turma do KN” ao tratarem de solicitações atribuídas ao casal. Nas mensagens, as iniciais “KN” aparecem associadas ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Contrato envolvia 12 processos e créditos bilionários
Segundo a reportagem, o escritório poderia receber 5% líquidos dos valores obtidos pelo Banco Master em 12 processos. As ações apresentavam potencial de gerar cerca de R$ 8,5 bilhões ao banco, na condição de credor ou cessionário dos créditos.
Os processos discutem indenizações relacionadas à antiga política de controle de preços exercida pelo Instituto do Açúcar e do Álcool sobre empresas do setor sucroalcooleiro.
O contrato abrangia a atuação nas instâncias inferiores, nos tribunais superiores e em eventuais recursos ou incidentes processuais. O documento ainda autorizava o escritório a receber diretamente da União a parcela relativa aos honorários e a inscrever precatórios em nome próprio.
O pagamento deveria ser realizado em até cinco dias depois do recebimento dos valores pelo banco. Como a remuneração estava vinculada ao resultado das ações, o montante máximo somente seria alcançado em caso de êxito nos processos.
Conversas mencionam hotel, camarotes e precatórios
O material foi encaminhado pela Polícia Federal ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do Caso Master no STF. Nas mensagens, Newton Ramos aparece como interlocutor em assuntos relacionados aos precatórios e em pedidos atribuídos a Nunes Marques.
Um dos diálogos reproduzidos pelo Metrópoles menciona uma reserva no Hotel Fasano, em São Paulo. Um auxiliar teria informado a Vorcaro que Newton solicitara hospedagem para “KN”. Em outra conversa, uma mensagem atribuída ao desembargador indicava que Kassio Nunes Marques teria pedido ajuda para conseguir uma tarifa no estabelecimento.
Vorcaro teria autorizado que a hospedagem fosse lançada em sua conta. As conversas também fazem referência a camarotes e eventos associados ao grupo identificado como “Turma do KN”.
Newton Ramos e Nunes Marques foram colegas no Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Natural de São Luís, o desembargador construiu parte de sua carreira jurídica no Maranhão antes de chegar ao TRF-1.
Camilla confirma relação profissional com Vorcaro
Reportagens anteriores já haviam revelado mensagens sobre uma mansão utilizada pelo casal e pelos filhos durante o Carnaval de 2025, no Rio de Janeiro.
Camilla Ramos confirmou que a família ficou em uma residência oferecida naquele período, mas declarou que a hospedagem não envolveu contrapartida, interesse profissional ou vínculo comercial.
A advogada também informou que presta serviços ao Banco Master desde 2023, principalmente em processos cíveis e tributários. Segundo ela, a relação mantida com Vorcaro e os familiares do banqueiro tornou-se profissional e pessoal.
No material divulgado agora, Camilla comenta o andamento da discussão judicial sobre os precatórios e elogia um voto de Nunes Marques. A decisão diferenciava os processos conforme os critérios estabelecidos em cada título judicial.
De acordo com a reportagem, ela também teria intermediado uma reunião entre o marido e Daniel Vorcaro para conversar sobre o assunto.
Nunes Marques nega ter favorecido o Banco Master
Kassio Nunes Marques declarou que o voto mencionado nas mensagens não tratava exclusivamente de interesses do Banco Master. Conforme o ministro, a discussão envolvia uma tese jurídica com possível aplicação a diferentes empresas.
Nunes Marques afirmou ainda que chegou a ser considerado impedido porque havia analisado o caso quando integrava a vice-presidência do TRF-1. Posteriormente, entendeu que poderia participar do julgamento por se tratar de uma controvérsia de alcance mais amplo.
O ministro sustenta que nunca votou em favor do Banco Master.
Até a publicação das informações disponíveis, não havia sido apresentada uma manifestação específica de Newton Ramos sobre o conteúdo das novas mensagens. Também não foi divulgada resposta detalhada do escritório sobre o contrato de honorários.
Os diálogos e documentos, isoladamente, não comprovam que decisões judiciais tenham sido tomadas em troca de hospedagens, benefícios ou relações profissionais. O material deverá ser analisado no decorrer das investigações, com garantia de manifestação e defesa aos citados.