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Raquel Lyra pede desculpas após vídeo em que sugere laqueadura sem consentimento de mulher

Fonte: opovo.com.br | Data: 21/09/2026 22:46:51

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Eleições

Raquel Lyra pede desculpas após vídeo em que sugere laqueadura sem consentimento de mulher

Vídeo gravado em 2025 mostra governadora sugerindo procedimento sem conhecimento da paciente; Raquel reconheceu fala equivocada e pediu desculpas

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Usada para todas matérias e reportagens que retratem fatos ou descrevam situações. Matéria baseada em fatos observados e verificados pelo repórter com fontes diversas. Notícias não possuem a opinião do repórter. Quando há análise, deve haver as duas definições: notícia e análise.


Atualizado às 22:33, 21/09/2026
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Publicado às 22:30, 21/09/2026

Governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, candidata à reeleição
Crédito: Janaína Pepeu/ Divulgação PSD-PE

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Resumo

  • Vídeo gravado em 2025 mostra Raquel Lyra sugerindo que uma mulher fizesse laqueadura sem saber do procedimento.

  • Governadora pediu desculpas e afirmou que a declaração foi equivocada e não representa seu respeito pelas mulheres.

  • João Campos e Ivan Moraes criticaram a fala e citaram a legislação sobre consentimento para esterilização.

  • Caso ocorre em meio à troca de acusações entre as campanhas de Raquel e João durante a eleição em Pernambuco.

A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), aparece em um vídeo gravado em maio de 2025 sugerindo que uma mulher fosse submetida a uma laqueadura sem saber previamente do procedimento. O material foi divulgado no domingo, 20, pelo portal Metrópoles e gerou reação dos adversários da governadora na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.

Nas imagens, feitas durante a inauguração da UTI do Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns, no Agreste, Raquel conversa com pessoas que relatam a situação de uma mulher que teria engravidado pela sétima vez. Ao ouvir o relato, a governadora afirma que a mulher deveria entrar na fila para realizar uma laqueadura. Em seguida, acrescenta: “Mas faz sem ela saber”.

“Ah, tem que fazer laqueadura, visse? A gente bota na fila da laqueadura. Isso eu posso fazer. Mas faz sem ela saber”, diz Raquel no trecho divulgado.

A laqueadura é um método de esterilização feminina. A legislação brasileira estabelece que o procedimento só pode ser realizado dentro das condições previstas na Lei do Planejamento Familiar, incluindo o registro da manifestação expressa da vontade da pessoa interessada em documento escrito, após informações sobre riscos, efeitos colaterais, possibilidade de reversão e métodos contraceptivos reversíveis.

A Lei 9.263/1996, modificada pela Lei 14.443/2022, também prevê prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e o procedimento cirúrgico, além de aconselhamento por equipe multidisciplinar. A realização de esterilização cirúrgica em desacordo com as regras do artigo 10 está sujeita a pena de dois a oito anos de reclusão e multa.

Raquel Lyra pede desculpas

Após a divulgação das imagens e repercussão nas redes sociais, Raquel publicou um vídeo nas redes sociais em que reconheceu que a declaração foi equivocada e pediu desculpas. “Está circulando na Internet um vídeo antigo meu falando sobre laqueadura na cidade de Garanhuns. Como mãe, como mulher, eu sei o desafio que é decidir sobre planejamento familiar. Essa fala minha em nada traduz o respeito que eu tenho às mulheres. Por isso, eu peço desculpas. Foi uma fala equivocada. Eu não tenho compromisso com o erro”, afirmou.

Em nota enviada à imprensa, a campanha candidata também reconheceu que a declaração foi “infeliz” e reafirmou o respeito às mulheres. A governadora disse ainda defender que as mulheres tenham acesso, pela rede pública de saúde, a informações e possam fazer suas próprias escolhas sobre planejamento familiar. Segundo ela, essa orientação faz parte das políticas adotadas durante sua gestão.

Raquel também afirmou que a divulgação do vídeo neste momento representa uma tentativa de deslocar a discussão da campanha para ataques pessoais. “A eleição deve ser decidida na apresentação de propostas, não na fabricação de ataques”, afirmou a candidata na nota.

Adversários criticaram declaração

Adversário de Raquel na disputa pelo governo estadual, João Campos (PSB) criticou a declaração e citou a legislação sobre esterilização voluntária. “Assisti com indignação ao vídeo em que a candidata usa essa frase pra sugerir a laqueadura de uma gestante, sem ela saber. A lei é clara: esterilização exige manifestação expressa da vontade da mulher”, escreveu o candidato nas redes sociais.

João afirmou ainda que autoridades públicas têm o dever de garantir os direitos das mulheres e classificou a sugestão de realizar o procedimento sem conhecimento da paciente como uma violação. “Autoridades e gestores públicos têm o dever legal e ético de garantir direitos e proteger a população, jamais de sugerir práticas ilícitas ou violações da integridade física. Fazer ‘sem ela saber’ não é cuidado. É violência. É crime previsto em lei”, declarou.

O candidato do Psol ao Governo de Pernambuco, Ivan Moraes, também reagiu ao vídeo. Ele afirmou que a autonomia da mulher sobre o próprio corpo deve ser preservada e questionou se os procedimentos realizados na rede estadual seguem as exigências legais. “O corpo de uma mulher não deve ser propriedade do Estado”, afirmou.

Ivan classificou a fala como um indicativo de possível violação de direitos reprodutivos e questionou se o governo estadual garante que procedimentos de esterilização sejam realizados somente com o consentimento das pacientes.

O candidato também cobrou a divulgação de relatórios relacionados à violência obstétrica previstos na legislação estadual e destinados às comissões de Direitos da Mulher e de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

A Lei Estadual nº 18.437/2023 alterou a legislação pernambucana sobre proteção à gestante, à parturiente e à puérpera contra violência obstétrica e incluiu, entre outras mudanças, o conceito de racismo obstétrico.

Disputa eleitoral tem troca de acusações

O episódio se soma a uma sequência de conflitos entre as campanhas de Raquel e João Campos durante a eleição.

No fim de agosto, cartazes apócrifos foram espalhados pelo Recife com acusações sem provas relacionadas à morte do marido da governadora, Fernando Lucena, que morreu em 2022, no dia do primeiro turno das eleições. Raquel registrou as ocorrências e pediu investigação sobre a autoria do material.

A Frente Popular, coligação de João, negou envolvimento e também acionou a Justiça para que os responsáveis fossem identificados. As duas campanhas também vêm trocando acusações sobre a existência de estruturas digitais destinadas a atacar adversários.

Em agosto, o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco determinou a retirada de publicações que associavam Raquel a um suposto “gabinete do ódio”, considerando que as postagens apresentavam como fatos suspeitas ainda não comprovadas.

O acirramento também está nas pesquisas de intenção de voto. No último levantamento Datafolha divulgado em 11 de setembro, Raquel tinha 47% das intenções de voto, contra 42% de João Campos. A margem de erro foi de três pontos percentuais, o que colocava os dois em situação de empate técnico. O levantamento ouviu 1.204 eleitores entre 8 e 10 de setembro.