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Redes de TV suspendem pool da Casa Branca em defesa da CNN – SpaceMoney

Fonte: spacemoney.com.br | Data: 22/09/2026 03:36:48

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As cinco principais redes de televisão dos Estados Unidos — ABC, CBS, CNN, Fox News e NBC — recusaram-se a indicar substituto para a equipe da CNN no pool de TV da Casa Branca, depois que o governo de Donald Trump barrou a emissora de cumprir as tarefas que lhe cabiam no rodízio. O aviso foi enviado por e-mail aos assinantes do pool na segunda-feira e significa que nenhuma câmera de televisão acompanhará os eventos presidenciais classificados como cobertura compartilhada.

O comunicado partiu de Bryan Boughton, chefe do escritório da Fox News em Washington e atual presidente do pool. Segundo ele, a decisão responde à posição da Casa Branca, que impediu a CNN de exercer suas funções no arranjo, e não haverá equipe de reposição. As demais coberturas do pool de TV seguem normalmente, incluindo eventos do Congresso, visitas de autoridades estrangeiras e compromissos selecionados em Washington e em outras cidades do país.

Em nota conjunta incomum, as cinco emissoras afirmaram que o público tem interesse vital em receber informação precisa e independente sobre seu governo e que nenhuma administração deveria restringir um veículo de imprensa por discordar de sua cobertura.

Evento sem câmera de TV tem áudio abafado por helicóptero

O primeiro compromisso público de Trump na segunda-feira sem o pool de televisão foi a inauguração do novo heliponto da Casa Branca, transmitida ao vivo pelo site oficial da presidência. O ruído do helicóptero abafou completamente a fala do presidente, que não pôde ser compreendida na gravação.

A apresentadora da CNN Kaitlan Collins explicou na manhã de segunda-feira que a retirada do pool implica que, a cada aparição do presidente naquele dia, não haverá uma câmera de TV transmitindo e compartilhando as imagens com o restante da imprensa credenciada e com emissoras de vários países.

À noite, no programa The Source, Collins observou que, pela primeira vez na história moderna, as câmeras que seguiram Trump por quase uma década não estavam presentes. Ela lembrou que, sem o técnico de áudio de uma das cinco grandes redes, tornou-se impossível saber o que o presidente dizia em meio ao barulho do Marine One.

Fotógrafos retêm imagens e ampliam a reação

A adesão não se limitou à televisão. Fotógrafos escalados no plantão fotográfico na segunda-feira — entre eles profissionais do The New York Times, da Associated Press, da Agence France-Presse, da Reuters e da Getty Images — decidiram não distribuir imagens das aparições de Trump até o fim do dia. As fotos da saída do presidente a bordo do Marine One foram feitas, mas não circularam pelas redes de distribuição.

O The New York Times informou que não publicaria nem distribuiria as imagens do pool daquele dia em apoio às redações atingidas. O Washington Post, que não estava na escala do plantão, disse que também reteria fotografias das aparições presidenciais até a meia-noite do horário do Leste. A Associated Press confirmou participação e defendeu que nenhuma organização de notícias ou pessoa deve sofrer retaliação do governo pelas palavras que utiliza.

Fontes ouvidas descreveram a adesão dos fotógrafos como praticamente unânime, ainda que nem todos os veículos tenham divulgado publicamente sua participação.

Cronologia: banimento, expulsão e ação na Justiça

O atrito começou na sexta-feira, quando Trump anunciou que CNN, MS NOW e Politico estavam banidos da Casa Branca, com efeito imediato. Na manhã de sábado, repórteres dos três veículos foram impedidos de entrar no complexo presidencial. Os grupos apresentaram então uma ação na Justiça com base na Primeira Emenda para contestar a restrição.

A ação conjunta tem audiência marcada para quarta-feira. Em publicação no Truth Social, o presidente comentou que os veículos haviam tirado um juiz favorável, identificado por ele como Tim Kelly, e lembrou que a indicação do magistrado foi feita por ele próprio. Segundo Collins, o comentário sugere que o presidente já trabalha com a hipótese de derrota e de um recurso posterior, mesmo sem decisão proferida até o momento.

Na segunda-feira, Trump voltou ao Truth Social para reiterar o banimento. Na mesma rede, afirmou que não estava promovendo um ataque à imprensa livre, mas àquilo que descreveu como notícias falsas, comparando o problema a um câncer que teria se espalhado pelos Estados Unidos.

O que é o pool e por que a decisão afeta toda a imprensa

No arranjo que rege a cobertura presidencial há décadas, as cinco redes se revezam para filmar o presidente e compartilhar as imagens ao vivo entre si e com o restante do corpo de imprensa. A cada dia, uma emissora fornece operador de câmera, técnico de áudio e produtor ou repórter: enquanto a equipe técnica grava, o produtor ou repórter coordena o sinal ao vivo, toma notas e faz perguntas.

O sistema, mantido praticamente sem alterações por décadas, permite que uma única equipe atenda a muitas organizações quando espaço ou acesso são limitados — razão pela qual a exclusão da CNN repercute para além da própria redação. Emissoras locais, sites de jornais e veículos de todo o mundo dependem desse material.

A cobertura presidencial também tem custo elevado: viagens de vários dias exigem dezenas de milhares de dólares das empresas envolvidas. A CNN garantiu seu lugar no pool de TV da Casa Branca após processar a administração Reagan, a ABC, a CBS e a NBC, em 1981. O grupo foi ampliado mais tarde, com a entrada da Fox News.

Como parte do rodízio, a CNN estava escalada para chefiar o pool de TV na segunda-feira e designada a acompanhar Trump em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU. A agenda divulgada pela Casa Branca na noite de domingo, porém, não listou nenhuma rede como pool principal de TV. A Hearst, dona de emissoras locais em todo o país, apareceu como equipe secundária em Washington, e a Real America’s Voice, pequena rede pró-Trump, como equipe secundária para a viagem a Nova York. A equipe secundária costuma comparecer aos eventos do pool e pode questionar o presidente, mas não cumpre as funções do pool principal.

Solidariedade entre rivais e leitura jurídica

Em comentário no programa The Source, noticiado pelo Yahoo, o analista de mídia da CNN Brian Stelter afirmou que o banimento criou solidariedade entre concorrentes normalmente hostis e classificou o episódio como diferente de outros atritos do segundo mandato de Trump. Na avaliação dele, os demais integrantes do corpo de imprensa temem ou sabem que podem ser os próximos e, por isso, tentam estabelecer uma linha clara neste momento.

Também no programa, o chefe do escritório de Washington do The New York Times, David Sanger, disse a Collins que, em mais de 30 anos de carreira, nunca viu um presidente ficar sem a cobertura do pool de TV da Casa Branca. Para ele, a situação era evitável e o presidente conhece bem as regras do arranjo. Sanger lembrou que, sob a Primeira Emenda, Trump não escolhe a cobertura que recebe, e que os fundadores entendiam a imprensa livre e sem restrições como um dos principais contrapesos ao poder.

A CNN afirmou em comunicado no sábado que manterá sua missão de reportar sobre o governo americano independentemente de tentativas de restringir o acesso físico à Casa Branca ou a outros prédios públicos, e classificou o banimento como um ataque ilegal a um direito fundamental. A emissora sustentou ainda que tem, pela Constituição dos Estados Unidos, o direito de fazer seu trabalho sem impedimentos ou interferência do governo.