A saúde em um Rio Grande mais grisalho
Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Data: 23/09/2026 18:45:29
A saúde é um dos três serviços essenciais, ao lado da educação e da segurança, que o poder público tem o dever de prestar à sociedade. O envelhecimento da população, fenômeno demográfico que, no Brasil, ocorre de forma mais acelerada no Rio Grande do Sul, vai impor uma transformação no perfil do atendimento e exigir maior atenção orçamentária para essa área. Conforme o IBGE, em 2000 o percentual de gaúchos com 60 anos ou mais era de 10,6%. Em 2023, chegou a 20%. A proporção vai continuar a crescer. Os gaúchos serão mais grisalhos a cada ano e um número cada vez maior de pessoas alcançará idades bastante avançadas.
Também cabe ao próximo governo contribuir para moldar a rede pública de que o Estado precisará à frente desta década
A saúde é a sexta pauta da série do Grupo RBS sobre os grandes desafios do Rio Grande do Sul à frente (leia nas páginas 6 e 7). São temas que o próximo governo gaúcho deverá olhar com especial atenção. A longevidade não pode ser um peso. O passar dos anos costuma ser acompanhado por uma prevalência maior de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e menor autonomia. É preciso assegurar que os gaúchos envelheçam com saúde física e mental e com dignidade.
A transformação demográfica exigirá que áreas como geriatria, cardiologia, oncologia, medicina interna e medicina de família, entre outras, tenham mais profissionais e oferta de serviços, especialmente na rede pública, pelo SUS. Mas é essencial, desde já, trabalhar pontos ligados à prevenção de adoecimentos, para que se chegue a uma população idosa mais saudável. Alimentação adequada, atividades físicas e convívio social são aspectos importantes para a longevidade com qualidade de vida. Também ganha relevância, nesse contexto, contar com uma rede de atenção primária bem dimensionada e preparada para essa nova realidade.
Mas as demandas da população na área da saúde são mais amplas. Uma das questões ainda sem resposta adequada é como descentralizar o atendimento, levando mais médicos para o Interior e criando, nas várias regiões do Estado, condições para a oferta de um maior número de serviços e especialidades. É basilar para diminuir a ambulancioterapia, problema que o Estado debate há décadas e que congestiona a rede da Capital.
Conforme o Conselho Regional de Medicina do RS (Cremers), são 11,81 médicos para cada mil habitantes em Porto Alegre, mas a proporção cai drasticamente, para 2,27, no Interior. Além da remuneração, a existência de estrutura satisfatória é fator essencial para fixar mais profissionais em outras regiões do Estado. O desafio é encontrar formas de fazer essa desconcentração dos serviços de média e alta complexidade caber nas limitações orçamentárias. A tecnologia, ao mesmo tempo, deve ser uma aliada, com a qualificação da oferta da telemedicina, capaz de atender alguns tipos de consultas e evitar deslocamentos.
Por força de um acordo com o Ministério Público (MP), firmado no ano passado, o Piratini passou a elevar gradualmente os recursos para a saúde, a fim de atingir os 12% da sua receita líquida, previstos na Constituição, até 2030. Serão cerca de R$ 6,7 bilhões a mais neste período. Também cabe ao próximo governo, com visão de Estado, contribuir para moldar a rede pública de que o RS precisará à frente desta década.