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Depressão pode começar com isolamento e perda de interesse; veja sete sinais que merecem atenção

Fonte: correio24horas.com.br | Data: 24/09/2026 16:46:04

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Mudanças persistentes no comportamento, sono, apetite e humor podem indicar sofrimento que precisa de avaliação profissional

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  • Perla Ribeiro

Publicado em 24 de setembro de 2026 às 14:01

Depressão pode começar com isolamento e perda de interesse; veja sete sinais que merecem atenção
Depressão pode começar com isolamento e perda de interesse; veja sete sinais que merecem atenção Crédito: Imagem gerada pela IA

Uma pessoa que para de encontrar os amigos, perde a vontade de fazer atividades que antes adorava, dorme demais ou de menos e começa a se afastar da própria rotina pode estar dando sinais de que algo não vai bem. Nem sempre a depressão aparece como uma tristeza evidente, e reconhecer essas mudanças pode ser importante para que a pessoa receba ajuda.

Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio, a atenção à saúde mental ganha ainda mais espaço. Entre os transtornos que exigem cuidado está a depressão, uma condição que pode afetar diferentes áreas da vida e se agravar quando não é identificada e tratada adequadamente.

Um homem que viveu 31 anos consecutivos em um único episódio depressivo, sem qualquer período de remissão, voltou a sentir alegria por Shutterstock

De acordo com o Ministério da Saúde, a depressão é uma doença mental de alta prevalência e está entre as condições mais associadas ao suicídio. Os sintomas podem incluir tristeza persistente, perda de interesse ou prazer em atividades antes consideradas agradáveis, cansaço, alterações no sono e no apetite, dificuldade de concentração, baixa autoestima e sentimentos de culpa ou desesperança.

Para a psicóloga Flávia Moraes, do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista, reconhecer essas mudanças é importante não apenas para quem está passando pelo sofrimento, mas também para familiares, amigos e pessoas próximas. “Nem sempre a depressão se manifesta de maneira evidente. Algumas pessoas deixam de fazer atividades que antes gostavam, passam a se isolar, demonstram irritabilidade ou apresentam mudanças importantes na rotina. Observar essas alterações e não tratar o sofrimento como algo passageiro pode ser o primeiro passo para que essa pessoa receba ajuda”, explica.

Sete sinais que merecem atenção

Um dos principais desafios relacionados à depressão é perceber quando alterações emocionais e comportamentais deixam de ser apenas uma reação momentânea a uma situação difícil e passam a exigir avaliação profissional. Entre os sinais que podem indicar a necessidade de atenção estão a perda persistente de interesse pelas atividades cotidianas, o isolamento, a falta de energia, alterações importantes no sono ou no apetite, dificuldade de concentração, sentimentos de inutilidade ou culpa e uma visão cada vez mais negativa sobre o futuro.

O Ministério da Saúde orienta que sintomas depressivos persistentes por duas semanas ou mais sejam avaliados por um profissional de saúde. A presença desses sinais, porém, não significa que familiares ou amigos devam tentar diagnosticar a pessoa por conta própria.

“É importante entender que não devemos tentar diagnosticar alguém por conta própria. O papel de familiares e amigos é perceber mudanças, oferecer escuta e incentivar a busca por ajuda. Comentários como ‘isso é falta do que fazer’ ou ‘você precisa reagir’ podem aumentar o sentimento de incompreensão. O acolhimento deve vir acompanhado de orientação para que a pessoa procure atendimento”, ressalta a especialista.

Uma melhora repentina também pode ser um alerta

Outro aspecto que merece atenção é quando uma pessoa que vinha apresentando sinais de depressão demonstra, de forma repentina, uma melhora significativa no humor. Embora a mudança possa parecer positiva, especialmente quando ocorre de maneira inesperada e acompanhada de comportamentos incomuns, ela também pode indicar uma alteração importante no estado emocional.

Alguns comportamentos podem chamar atenção nesse momento, como organizar documentos e assuntos pessoais, doar objetos de valor afetivo, procurar pessoas para encontros que assumem um tom de despedida ou fazer declarações incomuns sobre o futuro.

“Alguns comportamentos podem chamar a atenção nesse momento, como organizar documentos e assuntos pessoais, doar objetos de valor afetivo, procurar pessoas para encontros que assumem um tom de despedida ou fazer declarações como ‘você foi muito importante para mim’, ‘logo vai ficar tudo bem’ ou ‘encontrei uma saída’, quando essas falas não condizem com o contexto vivido até então. Em alguns casos, essa aparente melhora pode estar relacionada à diminuição da angústia após uma decisão já tomada, o que torna a situação ainda mais preocupante”, explica Flávia.

Diante desses sinais, a orientação é não minimizar a mudança de comportamento. Segundo a psicóloga, é possível perguntar de forma direta e acolhedora se a pessoa está pensando em fazer algo contra si mesma. “Falar sobre o assunto não estimula o comportamento suicida; ao contrário, pode abrir espaço para que ela expresse o que está vivendo. Se houver risco, ela não deve ser deixada sozinha e é fundamental buscar ajuda profissional imediatamente, acompanhando-a até um serviço de saúde”, diz.

Como ajudar alguém que não está bem?

Para quem percebe sinais de sofrimento em uma pessoa próxima, uma conversa aberta e sem julgamentos pode ser um ponto de partida. O Ministério da Saúde recomenda encontrar um momento adequado e um local tranquilo para conversar, ouvir com atenção e oferecer apoio. Também é importante incentivar a busca por profissionais e serviços de saúde e, quando necessário, oferecer companhia durante o atendimento. Para a psicóloga, atitudes simples podem fazer diferença quando alguém está enfrentando um período de sofrimento.

“Perguntar como a pessoa está, ouvir de verdade e demonstrar que ela não está sozinha são atitudes simples, mas importantes. Muitas vezes, quem está sofrendo pode ter dificuldade até mesmo para pedir ajuda. Por isso, a presença de uma rede de apoio faz diferença”, afirma Flávia.

A atenção deve ser redobrada diante de falas relacionadas à morte, à falta de esperança ou ao desejo de desaparecer, além de mudanças bruscas de comportamento e isolamento. Esses sinais não devem ser ignorados ou interpretados como uma tentativa de chamar atenção.

Segundo o Ministério da Saúde, manifestações relacionadas ao desejo de morrer devem ser encaradas como sinais de alerta e demandam acolhimento e busca por ajuda. Em situações de risco imediato, a orientação é não deixar a pessoa sozinha e procurar atendimento de emergência. A Rede de Atenção Psicossocial do SUS também oferece diferentes pontos de cuidado em saúde mental, incluindo unidades de atenção básica, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e serviços de urgência e emergência.