Histórico escasso de viradas em São Paulo impõe desafio quase inédito a Haddad contra Tarcísio
Fonte: oglobo.globo.com | Data: 27/09/2026 05:21:14
Atual governador marca 50% das intenções de voto na simulação de primeiro turno, contra 30% de ex-ministro de Lula
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O ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), amarga uma desvantagem de 20 pontos percentuais diante de Tarcísio de Freitas (Republicanos), de acordo com pesquisa Datafolha divulgada na última quinta-feira. Apesar de se dizer confiante numa virada a uma semana da votação, o petista teria que obter uma transferência inédita de votos para ameaçar o rival.
Tarcísio marca 50% das intenções de voto na simulação de primeiro turno, contra 30% de Haddad. Outros candidatos sem espaço de propaganda em rádio e TV alcançam, juntos, 9%. Brancos e nulos somam 8%, e outros 3% permanecem indecisos sobre a escolha do próximo dia 4 de outubro.
Avanços em menor escala
De 20 anos para cá, todos os candidatos ao Executivo paulista que figuravam na liderança a essa altura da campanha confirmaram o favoritismo nas urnas — exceto Haddad, em 2022, que acabou superado por Tarcísio no primeiro turno. Geraldo Alckmin, por duas vezes, além de José Serra e João Doria, todos do PSDB, liquidaram a fatura na primeira rodada ou foram ao segundo turno à frente.
A análise das pesquisas do Datafolha frente aos resultados de segundo turno é ainda mais ingrata ao petista, demonstrando uma imobilidade marcante do eleitorado quando se apresentam apenas dois nomes viáveis. Tarcísio tinha nove pontos percentuais de vantagem em 2022 e ganhou por pouco menos de dez. Doria, em 2018, estava quatro pontos à frente, o que configurava empate técnico com Márcio França (PSB), e levou a disputa por 2,8.
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O PT e outros candidatos de esquerda até conseguiram algumas surpresas, mas não na escala de que Haddad necessita este ano. França, por exemplo, saiu de um patamar de 14% das intenções de voto no Datafolha para 16,8% no primeiro turno de 2018, desbancando Paulo Skaf (MDB), mas atrás de Doria. Naquela mesma eleição, Luiz Marinho (PT) marcou 5% no levantamento e chegou a 9,9% no dia da votação. Mesmo somando o desempenho dos dois, o avanço total ficou em menos de oito pontos.
Em 2014, Alexandre Padilha (PT) tinha 9% no Datafolha e conseguiu 15,1% nas urnas, resultado insuficiente para evitar a reeleição de Alckmin no primeiro turno. Já o ex-ministro Aloizio Mercadante (PT) teve dois crescimentos de última hora no estado. Saiu de 21% na pesquisa para 28,5% nas urnas, em 2006, e de 23% para 31,7% no dia da votação, em 2010, quando Lula governava o país com alta popularidade. Em ambas, o PSDB se manteve à frente.
Em debate realizado pela TV Record na última segunda-feira, que se tornou sabatina pela opção de Tarcísio de faltar ao encontro, Haddad manteve o otimismo com o resultado a partir do seu desempenho à prefeitura de São Paulo, em 2012, quando derrotou José Serra e Celso Russomanno. O candidato alegou que o pleito não se vence com base em pesquisas eleitorais.
Naquele ano, Haddad conseguiu sete pontos a mais nas urnas do que o medido pelo Datafolha no espaço de dez dias, a partir da desidratação de Russomanno, que liderava as sondagens e acabou em terceiro. A capital paulista, contudo, representa apenas cerca de um terço dos votos do estado, e historicamente a rejeição ao PT tende a ser maior no interior do estado.
Palanque para Lula
Em outro evento, organizado pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo para estimular os movimentos sociais na reta final, Haddad pediu “garra” dos seus apoiadores para vencer a eleição e rebateu a leitura de que estaria interessado apenas em oferecer um palanque competitivo ao aliado no estado:
— Vejo muito companheiro nosso falar: “Haddad, se você for tão bem quanto foi em 2022, nós vamos garantir a vitória do Lula”. Companheiro, eu quero fazer 51% dos votos aqui em São Paulo, não quero 45%.
Além de Tarcísio e Haddad, a eleição conta com outros cinco candidatos. Carlos Machado (PCB), Policial Edjane (Agir), Vera Lúcia (PSTU) e Vivian Mendes (UP) têm 2% cada na pesquisa Datafolha. Já Izadora Dias (PCO) está com 1%.
Edjane renunciou à candidatura, o que significa que os votos dados a ela nas urnas serão anulados. O desempenho dos candidatos somados pouco afeta os números gerais e, desse modo, aponta para uma definição em primeiro turno.
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