Caso Master: Cedae contrata R$ 1,8 milhão em advocacia para atuar em apurações sobre aplicação de R$ 200 milhões no banco
Fonte: temporealrj.com | Data: 27/09/2026 18:25:54
A aposta de Lula
Faltando uma semana para a eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou todas as fichas em uma jogada de alto risco.
Na última sexta-feira, o governo decidiu proibir as bets — as apostas esportivas e os jogos online que, em poucos anos, se transformaram em um negócio bilionário, capaz de ocupar espaços na televisão, nas redes sociais e, principalmente, no futebol.
Hoje, boa parte dos clubes brasileiros estampa marcas do setor na camisa. Muitas transmissões dependem de sua publicidade. E uma geração inteira passou a conviver diariamente com anúncios que prometem transformar alguns cliques em dinheiro fácil.
Não é a primeira vez que Lula cruza o caminho da indústria do jogo.
Em 2004, pouco mais de um ano após chegar ao Palácio do Planalto, o governo enfrentou sua primeira grande crise política. A divulgação da gravação em que Waldomiro Diniz, ex-presidente da Loterj e assessor da Casa Civil, aparecia negociando vantagens com o empresário Carlos Cachoeira colocou o tema no centro do debate nacional. A resposta veio em forma de medida provisória: o fechamento dos bingos e das máquinas caça-níqueis em todo o país.
Vinte e dois anos depois, o cenário é outro. Os bingos deram lugar aos aplicativos. O caixa das casas de jogo migrou para os celulares. O apostador não precisa mais atravessar a cidade para tentar a sorte. Basta abrir uma tela. Mas a lógica política guarda semelhanças.
Assim como ocorreu em 2004, Lula aposta que a maioria dos brasileiros enxergará a medida menos como uma intervenção econômica e mais como uma resposta a um problema social que parece ter saído do controle. Histórias de famílias endividadas, jovens viciados em apostas e trabalhadores comprometendo parte da renda em jogos se multiplicaram nos últimos anos.
A diferença é que, desta vez, o presidente não compra briga apenas com empresários do setor. Compra também uma disputa com clubes de futebol, patrocinadores, influenciadores digitais e uma cadeia econômica que aprendeu a depender do dinheiro das apostas.
Na reta final da campanha, trata-se de uma jogada calculada. Se a percepção popular for de proteção às famílias, Lula pode colher dividendos políticos. Se prevalecer a visão de interferência excessiva do Estado, o efeito pode ser o oposto.
Como em qualquer mesa de apostas, o resultado só aparece quando as cartas são abertas.
E, a uma semana da eleição, Lula decidiu fazer o seu ‘all-in’.
Depois que a filha desistiu, mãe de Daniel Silveira lança candidatura a deputada federal pelo PL; e já recebeu R$ 200 mil do partido
A família do ex-deputado federal Daniel Silveira segue na disputa por uma cadeira em Brasília. Depois que a filha do político, Prisciane Silveira, desistiu da candidatura, a mãe de Daniel, Matildes Silveira, será candidata a deputada federal pelo PL.
O nome da candidata já consta no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dedicado a divulgar informações sobre as campanhas. Segundo a base de dados, Matildes Silveira recebeu uma doação de R$ 200 mil feita no nome de Fernanda Louback (PL), candidata a vice-governadora na chapa de Douglas Ruas (PL).
Essa é a primeira vez que a mãe de Daniel Silveira disputa o cargo. Em 2020, ela foi candidata a vereadora em Petrópolis, com o nome de urna Tia Matildes, pelo extinto PSL. Na época, ela ficou como suplente na Câmara do município da Região Serrana.
No início do mês, a neta da candidata, Prisciane Silveira, desistiu da candidatura por motivos pessoais, segundo o PL. Ela já tinha recebido R$ 500 mil do chamado “fundão” para a campanha, mas, de acordo com o partido, devolveu os valores após renunciar à candidatura. O valor foi direcionado para a campanha de Douglas Ruas.
COM FÁBIO MARTINS.

Domingo das mulheres: vices e esposas de Paes e Ruas fazem caminhadas de campanha no mesmo dia
As campanhas de Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL) tiveram neste domingo (27) agendas movimentadas pelas mulheres. Enquanto a vice de Paes, Jane Reis (MDB), participou de uma caminhada em Duque de Caxias, a vice de Ruas, Fernanda Louback (PL), esteve em um ato na orla de Copacabana, na Zona Sul do Rio.
As esposas dos dois candidatos, que não costumam aparecer em atos políticos, também participaram das atividades na reta final das campanhas.
‘Caminhada por Elas’, em Duque de Caxias
Em Caxias, a chamada “Caminhada por Elas” começou às 9h, na Praça Humaitá, no bairro Jardim Vinte e Cinco de Agosto. Paes esteve ao lado de sua esposa, Cristine Paes; da candidata à vice Jane Reis; e do candidato ao Senado Pedro Paulo (PSD) e de sua esposa, Tati Infante.
Também participaram do ato o prefeito de Duque de Caxias, Netinho Reis (MDB), e a primeira-dama do município, Júlia Moraes Reis.
Paes afirmou no ato que pretende ampliar as Casas da Mulher, iniciativa criada durante sua gestão na Prefeitura do Rio. Segundo o candidato, os espaços terão políticas de proteção para mulheres em situação de risco, além de ações de qualificação profissional, empreendedorismo e capacitação.
‘Caminhada em Defesa das Mulheres’, em Copacabana
Em Copacabana, Fernanda Louback (PL), vice na chapa de Douglas Ruas, participou de uma caminhada em defesa das mulheres ao lado de Mariana Ruas, mulher de Douglas, e de candidatos do PL. Entre os presentes estavam o candidato a deputado estadual Coronel Menezes e a deputada federal Chris Tonietto, que também representou o PL Mulher estadual.
Fernanda, que é mãe atípica de duas meninas, fez críticas aos adversários durante o ato. “Não teremos um governador que debocha do deficiente no Carnaval e nem um senador que agride mulher”, afirmou.
No mesmo momento da caminhada, Ruas cumpria agenda na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste.
Justiça ordena que Prefeitura de Belford Roxo faça melhorias em abrigo municipal para menores; ação aponta insalubridade e superlotação
A Justiça do Rio determinou que a Prefeitura de Belford Roxo adote medidas emergenciais para regularizar as atividades no principal espaço municipal de acolhimento para menores de idade, o Abrigo Lar da Esperança, no bairro Xavantes.
A decisão atende a uma ação civil proposta pela 1ª Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude do Ministério Público do Rio (MPRJ). O documento aponta superlotação, insalubridade e falta de manutenção no abrigo, identificadas após vistorias técnicas do órgão no local.
Abrigo em Belford Roxo desrespeitava Marco Legal da Primeira Infância, segundo MPRJ
As fiscalizações do MPRJ apontaram que o abrigo em Belford Roxo mantém crianças pequenas e adolescentes na mesma estrutura física, sem adequação por faixa etária. A prática, segundo a Justiça, desrespeita o Marco Legal da Primeira Infância e expõe bebês e adolescentes a riscos de convivência.
Por isso, a prefeitura precisará criar uma área de berçário isolada, com controle de acesso e equipe exclusiva de cuidadores durante o dia e a noite. A determinação exige também a proporção mínima de um cuidador e um auxiliar para cada seis acolhidos, além da presença regular de equipe técnica.
As vistorias no Abrigo Lar da Esperança identificaram número insuficiente de camas, colchões, roupas de cama e alimentos, além de armazenamento inadequado de mantimentos e materiais de limpeza ao alcance dos menores.
Decisão prevê multa de até R$ 50 mil
A decisão judicial estabelece que a Prefeitura de Belford Roxo deverá fornecer alimentação suficiente, itens básicos de higiene e mobiliário adequado, como berços, camas, armários e mesas de estudo. A determinação também exige a regularização de telefones institucionais e melhoria na infraestrutura de internet da unidade.
Em caso de descumprimento, a multa estipulada varia entre R$ 5 mil e R$ 50 mil. O processo tramita na Vara da Infância, da Juventude e do Idoso da Comarca de Belford Roxo.
Descascaram o abacaxi: Talita Galhardo e Gutemberg Fonseca cobram apoio de Sargento Britto em feira na Barra — que só não apoia nomes do próprio partido
O domingo (27) de campanhas eleitorais em uma feira da Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, terminou em troca de acusações entre três candidatos, cobranças de apoio político e quase chegou às vias de fato.
Tudo começou quando os candidatos à Câmara dos Deputados Talita Galhardo (PSDB) e Gutemberg Fonseca (PL) se encontraram na feira e conversaram sobre promessas de apoio do candidato a deputado estadual Sargento Britto (Republicanos), na frente dele — que teve que se virar e descascar esse abacaxi.
Ao encontrar com os dois juntos na feira, Talita usou uma expressão popular com Britto por ele não a ter cumprimentado, perguntando: “dormiu comigo hoje?”. A vereadora do Rio e postulante a deputada federal contou a Gutemberg que Britto havia dado a palavra de que ia “estar com ela até o final” e que não sabe o que houve para ele “debandar do apoio”.
Gutemberg Fonseca, por sua vez, questionou diretamente Britto: “ou você está com ela, ou está comigo. Só que comigo você não vai dormir não, hein”.
Na encruzilhada e, até o momento, com tom mais ameno, o postulante à Alerj explicou ao candidato do PL que realmente havia dado sua palavra a Talita e continuou fazendo campanha ao lado dela “em alguns lugares”, mas parou porque “racharam” com ele.
Ânimos se afloraram
Os ânimos começaram a se exaltar quando Talita, depois de ouvir a desculpa de Britto, questionou de forma contundente quem teria rachado com ele.
“Ele queria dinheiro, mas eu não dei, é diferente”, disparou a vereadora. Britto afirmou que “ficaram devendo R$ 20 mil” a ele, o que foi prontamente negado por Talita. Percebendo o rumo que a conversa estava tomando, Gutemberg começou a se afastar dos dois.
A troca de acusações entre Talita e Britto continuou, com direito a dedo na cara e xingamentos. A briga foi apartada por membros das campanhas, que afastaram os dois.
Toda a cena foi publicada nas redes sociais de Talita Galhardo, que escreveu: “O policial aspirante a político estava no meu partido, saiu, me pressionou por dinheiro e acha que política é dinheiro!”
A candidata ainda afirmou que vai tomar “as medidas cabíveis” relacionadas ao episódio.
Disputa de apoio — mas nenhuma do próprio partido
Disputando uma vaga como deputado estadual no Rio pelo Republicanos, Sargento Britto parece demonstrar apoio a outras candidaturas da eleição deste ano de todos os partidos, menos do seu.
Em um post nas redes sociais, Britto publicou uma imagem com a legenda “ninguém constrói uma caminhada sozinho”. Na publicação, ele demonstra apoio às candidaturas do PL para presidente, com Flávio Bolsonaro, e para o Senado, com Carlos Jordy.
Com a disputa de apoio entre Gutemberg Fonseca, do PL, e Talita Galhardo, do PSDB, parece que não sobrou espaço para apoios dentro da legenda número 10.
O apoio poderia ser ocupado por um candidato ao governo do estado, já que o Republicanos conta com a candidatura de Garotinho. Mas, até o momento, nenhum apoio explícito foi feito ao ex-governador — nem a nenhum outro postulante ao Palácio Guanabara, pelo menos.
Britto cobrou um suposto valor de apoio à Talita Galhardo. Porém, o que sustenta a campanha do candidato é um repasse de R$ 3.931,02 feito pelo próprio Republicanos.
Freio nas ‘caronas’: TCE vê indícios de direcionamento em licitação de R$ 4 milhões em software da Prefeitura de Saquarema
ATUALIZAÇÃO às 14h40, com nota da Prefeitura de Saquarema. A íntegra está publicada ao fim da reportagem
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) colocou um freio em uma licitação de R$ 4 milhões da Prefeitura de Saquarema para contratação de um sistema de gestão pública em nuvem. Em decisão cautelar, a Corte determinou que o município não firme novos contratos nem permita que outros órgãos públicos “peguem carona” na ata de registro de preços até o julgamento definitivo do caso.
A medida foi concedida pelo conselheiro Thiago Pampolha Gonçalves após a área técnica do tribunal apontar indícios de restrição à concorrência e possível direcionamento da disputa. A licitação resultou na contratação do Consórcio Modernizando a Gestão, formado pelas empresas Modernização Pública e Informática Ltda e Aprova Digital Ltda.
Exigência levantou suspeitas
O principal questionamento do TCE-RJ está em uma exigência prevista no edital: a de que o sistema fosse desenvolvido originalmente para ambiente web, sem a utilização de emuladores ou tecnologias equivalentes.
Na avaliação dos auditores, a Prefeitura de Saquarema não apresentou estudos suficientes para demonstrar que essa exigência refletia a realidade do mercado e permitia ampla concorrência entre fornecedores. Segundo o relatório, faltou um levantamento capaz de mostrar quantas empresas teriam condições efetivas de atender às especificações impostas pelo edital.
Para os técnicos, a ausência desse mapeamento dificulta a comprovação de que a exigência era realmente necessária e alimenta suspeitas de que as regras possam ter restringido a participação de concorrentes.
Outro ponto destacado pela auditoria é que a mesma empresa vencedora em Saquarema também venceu uma licitação semelhante em Miguel Pereira, baseada em modelagem considerada parecida com a que está sendo questionada no processo. Para o corpo técnico do tribunal, a coincidência reforça a necessidade de aprofundar a investigação.
Contrato continua em vigor
Apesar das suspeitas apontadas pela área técnica, o TCE-RJ decidiu não suspender o contrato já assinado entre a prefeitura e o consórcio vencedor.
O relator observou que o contrato nº 113/2026 foi celebrado em junho deste ano e lembrou que os tribunais de contas não têm competência para sustar diretamente contratos em execução, atribuição que a Constituição reserva ao Poder Legislativo.
Por isso, a decisão teve alcance mais restrito: impede apenas a celebração de novos contratos decorrentes da ata e bloqueia futuras adesões de órgãos que não participaram originalmente da licitação — mecanismo conhecido no setor público como “carona”.
A prefeita de Saquarema terá prazo de 15 dias para comprovar o cumprimento da medida cautelar e apresentar os estudos técnicos e levantamentos de mercado que embasaram as exigências do edital. O consórcio vencedor também foi intimado a se manifestar.
Em análise preliminar, o tribunal considerou que os demais questionamentos apresentados na representação foram suficientemente esclarecidos pela administração municipal. A cautelar ficou restrita à exigência tecnológica que, segundo a área técnica, pode ter comprometido a competitividade da disputa.
O que diz a prefeitura
A assessoria da Prefeitura de Saquarema enviou nota sobre o assunto. Segue a íntegra:
“A Prefeitura de Saquarema informa que todos os seus processos licitatórios ocorrem dentro da mais estrita lisura, que respeita as decisões do TCE e cumprirá o prazo determinado para esclarecimentos”.
COM FÁBIO MARTINS

Fuga de Bangu 8: entenda como holandês e colombiano conseguiram fugir da prisão e foram recapturados
Dois presos estrangeiros fugiram do Presídio Joaquim Ferreira de Souza, o Bangu 8, na Zona Oeste do Rio, na sexta-feira (26). O holandês Gerel Lusiano Palm e o colombiano Juan Estebán Avendaño Perez conseguiram escapar da unidade, mas foram recapturados pouco tempo depois.
A fuga mobilizou equipes das polícias Penal, Civil e Federal. Juan foi localizado primeiro, enquanto Palm foi encontrado depois com o apoio de um helicóptero da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil.
Os dois estavam presos por crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas e são considerados de alta periculosidade.
O holandês Gerel Lusiano Palm estava na lista de procurados da Interpol e foi condenado a 20 anos de prisão em seu país, enquanto o colombiano Juan Estebán Avendaño Perez foi condenado a 40 anos pela morte de um policial na Colômbia.
Como foi a fuga
Os presos renderam um policial penal que trabalhava pelo Regime Adicional de Serviço (RAS). Um deles aplicou um golpe conhecido como “mata-leão” no agente e tomou a arma que estava com ele.
Em seguida, os dois abordaram outro policial que estava em uma guarita nos fundos da unidade. Eles conseguiram acessar a estrutura e escapar do presídio utilizando uma corda improvisada, conhecida no sistema prisional como “tereza”.
A fuga terminou em uma área externa próxima a um lixão. Um policial penal ficou ferido durante a ação.
De acordo com as investigações, havia uma estrutura preparada do lado de fora para auxiliar na fuga. Cinco carros ligados ao Comando Vermelho estariam posicionados na região. A suspeita é de que Palm seria levado para o Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio.
A movimentação foi interrompida pela ação das forças de segurança, que conseguiram localizar os dois presos.
Quem são os presos
Gerel Lusiano Palm, de nacionalidade holandesa, foi preso pela Polícia Federal em julho de 2021, em um apartamento na Barra da Tijuca. Ele estava na lista de procurados da Interpol e também era procurado pela DEA, agência norte-americana de combate ao tráfico de drogas.
Palm foi condenado na Holanda a 20 anos de prisão por tentativa de homicídio doloso e porte ilegal de arma de fogo. Ele estava preso no Rio enquanto aguardava o processo de extradição para o país europeu.
O holandês era classificado como “faxina”, o que permitia que exercesse atividades de trabalho dentro do presídio.
Já o colombiano Juan Estebán Avendaño Perez foi condenado a 40 anos de prisão na Colômbia pelo assassinato de um policial, em 2010. Segundo investigações das polícias Civil e Federal, ele teria ligação com o Cartel de Medellín e seria responsável por fazer a ligação entre integrantes da organização e traficantes brasileiros.
Juan foi preso na comunidade da Muzema, também na Zona Oeste, em uma operação que envolveu as polícias Civil e Federal e a Interpol.
Investigação vai apurar falhas
A Corregedoria da Secretaria de Estado de Polícia Penal vai instaurar um procedimento para investigar as circunstâncias da fuga.
Entre os pontos que deverão ser analisados estão a forma como os presos conseguiram acessar a guarita, a abordagem aos policiais e as condições que permitiram a fuga de dentro da unidade.
O caso também deverá esclarecer como Palm, considerado de alta periculosidade e alvo de um processo de extradição, estava autorizado a exercer atividades dentro do presídio.
A defesa do holandês nega que ele tenha ligação com o Comando Vermelho ou com outras organizações criminosas do Rio. Os advogados também contestam a extradição e afirmam que Palm sofre agressões no sistema penitenciário.
Com informações do “G1”.
Douglas Ruas leva cartão vermelho da Justiça por usar imagem não autorizada de Vini Jr. no horário eleitoral
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) determinou a suspensão imediata de uma propaganda eleitoral do candidato ao governo pelo PL, Douglas Ruas, que usava, sem autorização, a imagem do jogador Vinicius Júnior. O próprio Vini Jr. havia recorrido à Justiça contra as inserções na TV, pedindo direito de resposta. Na ocasião, Douglas já retirou a publicidade e pediu desculpas. A decisão judicial foi assinada na noite deste sábado (26).
A propaganda fazia referência à relação de Vini Jr. com a influenciadora Virginia Fonseca. Em seguida, comparava o namoro com a disputa eleitoral no Rio para apresentar os apoios políticos dos dois principais candidatos: Eduardo Paes (PSD) associado ao presidente Lula (PT), com sinal negativo, e Douglas Ruas associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, com sinal positivo.
Segundo o pedido apresentado pelo jogador, a utilização de sua imagem ocorreu sem autorização e de forma descontextualizada. A alegação foi de que a montagem poderia levar o eleitor a entender que havia algum tipo de vinculação política entre Vini Jr. e Douglas Ruas.
A decisão judicial registra ainda que o jogador afirmou não ter envolvimento com nenhum dos candidatos nas eleições de 2026.
O vídeo foi exibido no horário eleitoral gratuito em 13 de setembro e voltou a ser transmitido na programação normal de televisão no dia seguinte. A peça também foi publicada nas redes sociais de Douglas Ruas.
A peça afirmava: “Todo mundo sabe que o Vini Jr. tá com a Virgínia. Na eleição do Rio, também é bom saber quem tá com quem”. Em seguida, estabelece associações políticas entre Lula e Eduardo Paes, de um lado, e Bolsonaro e Douglas Ruas, de outro.
Para a desembargadora eleitoral, foi um caso de uso não autorizado da imagem
A desembargadora eleitoral Ane Cristine Scheele Santos, considerou que a propaganda ultrapassou os limites da liberdade de expressão e do debate político-eleitoral ao inserir a imagem de um terceiro sem autorização.
A decisão destaca que Vini Jr. é uma personalidade de notoriedade nacional e internacional e que sua imagem tem valor pessoal, profissional e econômico construído fora do ambiente político-partidário. Segundo a relatora, a fotografia não foi apresentada de forma isolada, mas inserida na narrativa da propaganda e relacionada à ideia de “quem tá com quem” na eleição do Rio.
A magistrada também ressaltou que não houve autorização do jogador para a utilização de sua imagem. Na decisão, afirmou que a divulgação não autorizada da imagem de terceiro em material de propaganda político-eleitoral configura, por si só, abalo íntimo, independentemente da discussão sobre eventual associação da imagem a apoio político.
Propaganda com Vini Jr. terá de ser retirada
Embora Douglas já tenha retirado as inserções, o o TRE-RJ proibiu novas exibições em televisão, rádio e meios congêneres. Também foi determinada a retirada do conteúdo das redes sociais de Douglas Ruas que contenha a imagem de Vini Jr., com proibição de nova divulgação ou reprodução de conteúdo similar.
A decisão estabelece multa de R$ 10 mil por cada nova exibição ou descumprimento da ordem judicial. A Meta Platforms também foi notificada para retirar o vídeo do perfil do candidato no prazo de 24 horas e preservar os dados técnicos relacionados à publicação, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. As emissoras de televisão igualmente foram notificadas para cumprir imediatamente a determinação.
Com informações do jornalista Ralfe Reis, em sua coluna no site TribunaNF
Tarcísio Motta aciona Ministério Público para investigar controle de fuzis da PM fora dos quartéis
O deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ) acionou o Ministério Público do Rio (MPRJ) para investigar os critérios de controle e fiscalização de fuzis, carabinas e submetralhadoras pertencentes à Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) que são mantidos fora das unidades da corporação.
Na representação, o parlamentar pede que o MP tenha acesso aos resultados do recadastramento extraordinário determinado pelo governo estadual e apure quantas armas estão sob cautela de policiais militares cedidos a outros órgãos ou são utilizadas na segurança de autoridades.
Tarcísio também questiona a decisão da PM de negar, via Lei de Acesso à Informação (LAI), dados agregados sobre o armamento mantido fora da atividade operacional.
A corporação alegou que a divulgação das informações poderia comprometer a segurança institucional e a de agentes públicos.
Caixa-preta dos armamentos pesados
Em julho, o governo do estado determinou um recadastramento extraordinário e obrigatório de armas de uso restrito, incluindo fuzis, carabinas e submetralhadoras, cedidas a órgãos públicos ou acauteladas a pessoas físicas e jurídicas.
Em agosto, uma resolução da própria PM regulamentou os procedimentos para a cessão desse tipo de armamento e estabeleceu que, concluído o recadastramento, a corporação deveria encaminhar ao governador um relatório com o número de armas cadastradas, recolhidas e eventuais situações de irregularidade.
O TEMPO REAL solicitou à Secretaria de Estado de Polícia Militar, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), informações sobre onde estão e sob o controle de quem se encontram esses armamentos.
A PM negou o acesso sob o argumento de que a divulgação poderia colocar em risco a “segurança institucional e dos agentes públicos”.
Fuzis da PM também são usados na segurança de políticos
A apreensão de um fuzil Colt M4 da PM no carro do ex-prefeito de Belford Roxo e candidato a deputado estadual Márcio Canella (União) expôs o uso de armamento pesado da corporação fora da atividade policial.
A arma pertencia ao acervo da PM, havia sido retirada do quartel-general e estava acautelada em nome de um sargento responsável pela escolta de Canella, então lotado na Corregedoria do Detran-RJ. A cessão para a segurança do político teve autorização da cúpula da corporação.
Vaguinho Neguinho temia entrada de adversários políticos em comunidades e recebeu garantia de chefão do CV: ‘não vai entrar’
Vaguinho Neguinho (PRD), que disputava uma vaga de deputado estadual nas eleições de 2026 antes de ter o registro de candidatura negado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), teria demonstrado preocupação com a presença de adversários políticos em áreas sob influência do Comando Vermelho (CV) na Baixada Fluminense.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) mostram que o vereador de Nova Iguaçu chegou a cobrar um dos líderes da facção sobre a entrada de outros candidatos nesses locais.
Segundo o jornal O Globo, que teve acesso ao conteúdo, Vagner Mateus dos Santos encaminhou a José Luiz Lima, o Zé Velho, apontado como uma das lideranças do CV na região, uma captura de tela de uma conversa em um grupo de WhatsApp formado por moradores de um loteamento de Nova Iguaçu. Na imagem, uma pessoa anunciava uma reunião com outro pré-candidato a deputado estadual.
“Reunião dia 09/05 às 19h com nosso deputado estadual Felipinho Ravis para pedirmos melhorias para nosso bairro”, dizia a mensagem.
Na época, Zé Velho estava preso no Complexo Penitenciário de Gericinó. Ao receber a mensagem, ele teria tranquilizado Vaguinho com uma resposta curta: “Não vai entrar”.
Para a PF e o Ministério Público do Rio (MPRJ), a troca de mensagens indica uma “clara cobrança em razão da entrada de outros políticos em comunidades controladas pelo capital político do alvo”.
Prestação de serviços de internet em troca de apoio eleitoral
A investigação da PF aponta ainda que, em troca de apoio eleitoral, o CV cobrava de Vaguinho Neguinho, que é dono de empresas de internet, a prestação de serviços de tecnologia para a quadrilha.
Em setembro de 2024, um interlocutor que se identificou como “fiel do amigo responsável pela boca do Paraíso” — outro reduto político do vereador dominado pela facção — perguntou: “Tem como você ver a melhor forma de ‘ajudar nós’ em um ponto de internet lá pra firma?”.
Contatos com outras facções
Quebras de sigilo revelaram ainda vínculos de Vaguinho Neguinho com grupos rivais do Comando Vermelho que, segundo a PF, facilitaram o acesso do vereador a diferentes territórios durante a campanha.
A investigação aponta que Vaguinho é sócio de integrantes da milícia de Gilson Ingrácio de Souza Junior, o miliciano Juninho Varão, que disputa com o CV o controle de bairros de Nova Iguaçu.
O inquérito também encontrou mensagens nas quais o vereador discute com um comparsa uma estratégia para entrar em áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP).
Segundo a PF, para viabilizar a articulação, Vaguinho se aproximou de Wallace de Brito Trindade, o “dono” do Complexo da Serrinha, na Zona Norte do Rio, a quem teria emprestado R$ 40 mil por meio de um laranja.
Registro de candidatura indeferido
Vaguinho teve o registro de candidatura para deputado estadual negado pelo TRE-RJ no último dia 14. A Corte entendeu que há “indícios robustos, precisos e concordantes” que caracterizam um vínculo “direto e funcional” de Vaguinho com organizações criminosas.
Segundo o voto da relatora, a desembargadora Tathiana Costa, foram considerados elementos extraídos do celular do candidato e outros dados reunidos durante investigação da Polícia Federal.
Entre os pontos citados estão trocas diretas de mensagens com lideranças criminosas, encontro pessoal, envio de geolocalização a partir de territórios dominados, empréstimo financeiro a uma liderança de facção e intermediação de acesso político-eleitoral a comunidades controladas pelo crime.
Com a decisão do TRE-RJ, Vaguinho Neguinho não poderá concorrer nas eleições de outubro.
Com informações do jornal “O Globo”.
