Banco Master tem R$ 14,3 bilhões em ações judiciais dependentes de tribunais
Fonte: portalpapoaberto.com.br | Data: 27/09/2026 20:53:38
O Banco Master, alvo de investigação por fraudes, é suspeito de subornar juízes para obter ganhos no mercado de precatórios, dívidas do setor público arbitradas pela Justiça. O banco tem ao menos R$ 14,3 bilhões investidos em ações judiciais que dependem de decisões de tribunais para se tornarem lucrativas, segundo a Folha de S.Paulo.
A propina teria envolvido episódios apenas tentados e outros bem-sucedidos, conforme apuração em andamento. Os ativos estavam entre os principais negócios do Master, operados no mercado de valores a receber de precatórios.
Embora em grande parte rotineiro e regular, esse mercado cria incentivo para a manipulação de processos. É possível comprar o direito de receber um possível precatório, e uma decisão judicial favorável valoriza esse direito de modo substancial. Quanto menor a probabilidade de sentença favorável, maior o deságio na compra desses pré-precatórios e maior o ganho em caso de sucesso.
Mensagens dão a entender que Vorcaro investiu na compra de favores e amizades também em tribunais superiores. Ele tinha interesse, por exemplo, em indenizações reivindicadas por empresas supostamente prejudicadas pelo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), extinto em 1990.
Chama a atenção o contrato de quase R$ 430 milhões firmado entre o Master e a advogada Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A corte foi alvo de operação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na última quinta-feira (24). O CNJ cancelou um pagamento de R$ 4,7 bilhões em precatórios de usinas de açúcar que haviam vendido direitos ao banco.
No período de 2023 a 2025, o governo federal pagou em média R$ 112 bilhões em precatórios e RPVs (requisições de pequeno valor), o equivalente a mais de 4% da despesa. De 2008 a 2014, a média anual foi de R$ 32 bilhões; de 2019 a 2021, de R$ 62 bilhões.
Em 2025, 42,7% da despesa referia-se a benefícios previdenciários; cerca de 9%, a casos de servidores; 42,3%, aos “demais”, onde estão grandes dívidas. Vorcaro não é o único a atuar nesse universo, e há consenso de que resta muito a ser investigado.