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No sertão pernambucano, uma cidade às margens do São Francisco integra o polo responsável por praticamente toda a uva de mesa exportada pelo Brasil e grande parte das mangas vendidas ao exterior

Fonte: olhardigital.com.br | Data: 27/09/2026 22:44:59

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Entre caatinga, parreirais verdes e a faixa larga do Rio São Francisco, Petrolina construiu uma paisagem improvável no semiárido. A irrigação sustenta uma fruticultura que alcança mercados externos. Enquanto isso, orla, ilhas e roteiros de vinho mostram como produção e vida ribeirinha dividem o mesmo cenário.

Como a irrigação transformou Petrolina?

A transformação ganhou escala com projetos públicos de irrigação implantados no Vale do São Francisco a partir da década de 1970. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) conduz parte dessa infraestrutura. Segundo a empresa, água controlada, calor e baixa umidade favoreceram a produção comercial de frutas.

Além disso, técnicas de manejo permitem programar colheitas e manter a atividade em diferentes meses. O resultado aparece na paisagem: áreas secas convivem com pomares irrigados, canais e parreirais que mudaram a economia regional sem apagar a identidade ribeirinha.

💧 1948: Criação da Comissão do Vale do São Francisco, antecessora da atual Codevasf.

🌱 Década de 1970: Projetos públicos ampliam a agricultura irrigada no vale.

🍇 Hoje: Uva e manga lideram a fruticultura irrigada da região.

Por que Petrolina aparece no mapa mundial da uva e da manga?

Petrolina combina produção agrícola, áreas urbanas e paisagens ribeirinhas // Créditos: depositphotos.com / Cristian_Lourenco

Porque Petrolina integra com Juazeiro, na Bahia, uma região decisiva para as exportações brasileiras dessas frutas. Um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) analisou o desempenho regional entre 2009 e 2018. Nesse recorte, registrou 98% das exportações de uva de mesa e 87% das mangas.

Em 2025, a Codevasf voltou a citar cerca de 97% das uvas e 87% das mangas exportadas pelo país saindo dessa região. Além disso, o Observatório da Uva informa que o Vale produziu aproximadamente 913,4 mil toneladas em 2025, enquanto Petrolina tinha 11,9 mil hectares plantados.

O que fazer entre o rio os vinhedos e a cidade?

O visitante encontra experiências ligadas ao Velho Chico, à gastronomia sertaneja e à produção de frutas. Por isso, o roteiro pode combinar paisagem, cultura popular e áreas que mostram como o semiárido convive com a agricultura irrigada.

  • Orla do São Francisco: caminho para observar o rio, caminhar no fim da tarde e perceber a ligação cotidiana entre Petrolina e Juazeiro.
  • Ilha do Massangano: comunidade ribeirinha conhecida pelo Samba de Véio, tradição oral transmitida entre gerações.
  • Bodódromo: reúne restaurantes especializados em carnes caprina e ovina e virou referência gastronômica local.
  • Roteiros de vinhos: saídas regionais conectam Petrolina a vinhedos do Vale, com visitas a parreirais, adegas e experiências às margens do São Francisco.
  • Beira: galeria de arte urbana a céu aberto que acrescenta um passeio menos óbvio ao roteiro.

Como é o clima de Petrolina ao longo do ano?

Petrolina tem clima quente e seco durante boa parte do ano, com chuvas mais concentradas entre o verão e o começo do outono. Já agosto e setembro formam a fase mais seca, enquanto outubro e novembro trazem as maiores máximas médias.

Médias climatológicas de 30 anos disponíveis no Climatempo. As condições reais podem variar, então a previsão atual deve ser consultada antes da viagem.

Como chegar a Petrolina?

Petrolina fica no Sertão de Pernambuco, a cerca de 700 km do Recife por rodovia. Quem chega de avião utiliza o Aeroporto de Petrolina Senador Nilo Coelho, situado aproximadamente 11 km do centro urbano.

Por estrada, a BR-428 conecta a cidade aos principais acessos regionais, enquanto a ponte sobre o São Francisco leva diretamente a Juazeiro. Assim, as duas margens podem entrar no mesmo roteiro, principalmente para quem pretende combinar vinhedos, gastronomia, paisagem fluvial e áreas agrícolas. Para quem parte de Juazeiro, a travessia urbana coloca os dois centros no mesmo passeio.

Um sertão que surpreende

Petrolina resume uma transformação rara do semiárido: a água do São Francisco sustenta agricultura exportadora, lazer e cultura ribeirinha. Os números das frutas impressionam, porém o contraste entre caatinga, parreirais e rio explica melhor a identidade local e sua relação com a água. Se você estiver pelo Vale, reserve um dia para caminhar pela orla, provar a cozinha regional e observar essa produção de perto. É uma forma simples de entender o sertão para além dos números e perceber como o São Francisco organiza a paisagem.

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