Morning call Daycoval: Ibovespa sobe com alívio nos juros e mercado aguarda inflação dos EUA e eleições
Fonte: businessmoment.com.br | Data: 30/09/2026 09:57:55
O mercado inicia o último pregão de setembro atento aos dados de inflação e atividade dos Estados Unidos. O PCE de agosto, o PIB do segundo trimestre e o relatório ADP serão importantes para calibrar as expectativas em relação aos próximos passos do Federal Reserve, depois que o presidente do Fed de Nova York, John Williams, adotou um tom mais moderado ao afirmar que não há urgência para uma nova alta dos juros.
Apesar da sinalização de Williams, outros dirigentes do Fed mantiveram uma postura mais dura. Michael Barr afirmou que novos ajustes provavelmente serão necessários para assegurar a convergência da inflação à meta, enquanto Austan Goolsbee destacou a necessidade de evidências de desaceleração dos preços. O mercado passou a precificar maior chance de manutenção dos juros em outubro, mas ainda permanece dividido, enquanto para dezembro a expectativa de alta segue predominante.
Os Treasuries continuam pressionados. O yield da Note de 10 anos chegou a 5,292% e fechou em 5,252%, enquanto o T-Bond de 30 anos superou 5,6% durante o pregão e encerrou em 5,584%, maior nível desde 2002. Os juros longos seguem influenciados pela inflação, pelos riscos fiscais americanos e pelos efeitos da alta dos preços de energia.
No petróleo, houve alívio com a recuperação dos fluxos de exportação no Oriente Médio. O Brent para dezembro caiu 1,71%, a US$ 96,16, enquanto o WTI recuou 3,48%, a US$ 89,38. A retomada das exportações sauditas e a busca por rotas alternativas reduziram parte dos temores relacionados ao fechamento do Estreito de Ormuz, embora as negociações entre Estados Unidos e Irã continuem sem avanço significativo.
Na China, os dados de atividade vieram melhores. O PMI industrial oficial subiu de 49,8 para 50,1 em setembro, enquanto o PMI não manufatureiro avançou de 49,0 para 50,2. O PMI de serviços da S&P Global também subiu, de 51,4 para 51,6, e o industrial avançou de 51,5 para 52,1, sinalizando expansão da atividade.
As bolsas americanas reduziram as perdas após a fala de Williams. O Dow Jones caiu 0,26%, o S&P 500 recuou 0,17% e o Nasdaq ficou praticamente estável, com baixa de 0,09%.
Cenário Nacional
O mercado brasileiro segue concentrado na reta final da eleição presidencial, com o primeiro turno marcado para domingo. A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira mostrou Lula com 45,3% das intenções de voto no primeiro turno, ante 42,2% de Flávio Bolsonaro. Em eventual segundo turno, os dois aparecem praticamente empatados, com 47,7% para Flávio e 47,6% para Lula. O levantamento ouviu 5.005 eleitores entre 23 e 28 de setembro e tem margem de erro de um ponto percentual.
As pesquisas estaduais da Quaest também mostraram movimentos distintos entre os principais colégios eleitorais. Hoje, uma nova pesquisa nacional Indexa/Broadcast está prevista para as 9h, mantendo a agenda eleitoral como importante fonte de volatilidade para os ativos domésticos.
No campo fiscal, o governo anunciou uma nova rodada de renegociação de dívidas, incluindo o Desenrola MEI Pequeno Valor, o Desenrola Rural e novas modalidades para empregadores e ex-bolsistas. As medidas ocorrem às vésperas do primeiro turno e entram no radar dos investidores diante das discussões sobre trajetória fiscal e dívida pública.
No mercado de trabalho, a PNAD manteve a taxa de desemprego em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, enquanto o Caged mostrou criação líquida de 165,8 mil vagas formais, bem acima da expectativa de aproximadamente 93,5 mil postos. O resultado reforça a resiliência do emprego, mas a leitura predominante no mercado continua sendo de desaceleração gradual da atividade.
O resultado fiscal do setor público consolidado de agosto também será divulgado hoje e deve contribuir para a avaliação da trajetória das contas públicas.
A curva de juros futuros recuou de forma significativa na última sessão, mesmo diante do resultado forte do mercado de trabalho. O movimento foi influenciado principalmente pela mudança nas expectativas para a política monetária americana e pela percepção de que o cenário eleitoral doméstico permaneceu relativamente estável.
Contrato| Taxa de fechamento| Ajuste anterior
Jan/27| 13,550%| 13,559%
Jan/28| 13,550%| 13,664%
Jan/29| 13,755%| 13,902%
Jan/31| 13,940%| 14,048%
Jan/33| 13,985%| 14,084%
A forte geração de empregos em agosto não provocou pressão adicional na curva, diante da avaliação de que o mercado de trabalho ainda apresenta sinais de acomodação gradual. Além disso, a ata da última reunião do Copom manteve aberta a possibilidade de novos cortes da Selic, destacando a desaceleração da atividade e do crédito.
Câmbio
O dólar encerrou a sessão em baixa de 0,18%, a R$ 5,2170, mesmo diante da valorização da moeda americana no exterior. O movimento doméstico foi influenciado pelo cenário eleitoral e pela queda dos juros futuros.
O índice DXY avançou 0,17%, para 101,372 pontos, enquanto o euro caiu 0,30%, a US$ 1,1340. A libra recuou 0,21%, a US$ 1,3230, e o iene ficou em 157,30 por dólar.
Nesta quarta-feira, o câmbio deve apresentar maior sensibilidade aos ajustes de fechamento do mês e à formação da última Ptax de setembro. No ambiente doméstico, novas pesquisas eleitorais e a evolução das expectativas para a política monetária americana permanecem entre os principais vetores para a moeda.
Bolsa
O Ibovespa subiu 0,46%, aos 183.827,59 pontos, com volume financeiro de R$ 20,2 bilhões. O índice se descolou das bolsas americanas e foi beneficiado pela queda dos juros futuros, pela resiliência do mercado de trabalho e pelo desempenho positivo do setor financeiro.
Os bancos tiveram forte desempenho, com Banco do Brasil ON avançando 2,56%, Itaú PN subindo 1,41%, Bradesco PN ganhando 0,68% e BTG Pactual unit avançando 0,96%. Santander unit foi exceção, com queda de 0,40%. Petrobras também fechou em alta, apesar da queda do petróleo. As ações PN subiram 0,78%, a R$ 49,10, enquanto as ON avançaram 0,09%, a R$ 54,06.
A Vale, por outro lado, limitou a alta do índice. A ação caiu 2,18%, para R$ 69,61, menor preço do ano, pressionada pelo aumento dos custos de frete e pela percepção de impacto sobre as margens da companhia. O fluxo vendedor teve participação relevante de Morgan Stanley e Goldman Sachs. Em Nova York, o alívio após a fala de John Williams reduziu as perdas, embora os juros longos dos Treasuries tenham permanecido em níveis elevados.